Eric Clapton: o mestre além do bem e do mal

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Por Paulo Severo da Costa
Enviar correções  |  Comentários  | 

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

“Conheci” ERIC CLAPTON em 1991 assistindo às apresentações do então recém lançado “24 Nights”, a série de shows registradas naquele ano no Royal Albert Hall. Havia um certo frisson em torno do guitarrista - um ano antes ele havia se apresentado pela primeira vez no Brasil em vinte e poucos anos de carreira, e toda a mídia esteve voltada para o evento - que teve algumas músicas transmitidas pela Globo em uma época pré - You Tube.

2937 acessosEric Clapton: guitarrista pesca salmão de 12,7 kgs5000 acessosSlipknot: Veja membros atuais sem máscara

Se eu tentasse descrever aqui o impacto desses eventos em minha vida eu não conseguiria nem começar. CLAPTON foi para mim a descoberta que realmente me fez entender que música é muito mais do que algo que se escuta trancado no quarto. A partir dali, entrei em um caminho sem volta – louco, em meio a toda uma nova perspectiva com relação ao blues e rock n´roll - voltando toda a minha atenção (e grana) para discos, livros e qualquer outra tralha que envolva esse universo.

Me lembro perfeitamente de uma foto que saiu de CLAPTON em um jornal de grande circulação: de paletó e camiseta, barbudo com o cigarro entre as cordas das guitarra. Recortei aquele foto e colei atrás da minha porta: era o meu guia ou qualquer coisa do gênero. Comecei a tocar guitarra e tentei - em vão - copiar seus licks até a exaustão. Passei a vasculhar o passado de CLAPTON em busca de suas influências e me deparei com um mundo bem mais alcoólico, louco e criativo do que o mundinho que eu até então reconhecia.

Primeiramente comprei “Slowhand” em uma loja de departamentos - provavelmente na seção ”Jazz-blues” (é mole?). O primeiro blues que ouvi conscientemente está lá- “Mean Old Frisco”- e a primeira resenha que escrevi na vida foi sobre esse disco. O fato de minha pura inocência não perceber que haviam várias guitarras gravadas no solo de “Cocaine” só serviu para aumentar minha angústia – como ele fazia aquilo?

As coisas começaram a fazer mais sentido quando me deparei com “Disraeli Gears” um tempo depois. Até então não conseguia enxergar além do blues como componente no som de CLAPTON: jazz, funk e rock n´roll estavam tão misturados, tão indistinguíveis que passei a compreender que WES MONTGOMERY e JAMES BROWN eram tão decisivos para aquele som quanto MUDDY WATERS ou ELMORE JAMES. As maravilhosas jams daqueles três caras me abriram a cabeça e criaram um interesse muito mais profundo para o som do LED e HENDRIX - aquela fusão toda agora começava a ter um significado muito mais amplo, e aguçou meus ouvidos para o modelo de construção sonora de caras como SLASH e JOE PERRY.

Ainda havias baladas: antes de “Bell Bottom Blues” ou “Wonderful Tonight” eu simplesmente ignorava qualquer coisa que fosse melódico ou falasse de amor – afinal eu sou da geração da pauleira grunge do começo dos anos 90. Não foi fácil entender que o meu tão amado blues falava das mesmas coisas em tons menos líricos – acordar de manhã, procurar pela mulher que foi embora, tomar uma garrafa de Bourbon e escrever uma letra dolorosa, sofrida.

Como todo egresso dos anos setenta, CLAPTON experimentou de tudo – e de todas, passou por períodos medíocres em termos de criatividade, se separou e perdeu um filho. Nunca foi do time dos mais simpáticos: é fato que o sucesso lhe subiu a cabeça em muitas fases de sua vida. Mas, em várias de suas declarações ele deixa claro que o que o salvou foi sua música, seu amor por tocar guitarra. De todas as lições que aprendi, essa foi a mais importante.

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

Mais comentários na Fanpage do site, no link abaixo:

Post de 21 de julho de 2012

Eric ClaptonEric Clapton
Guitarrista pesca salmão de 12,7 kgs

576 acessosTopsify: Ed Sheeran confirma que Eric Clapton toca em "Dive"0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Eric Clapton"

Eric ClaptonEric Clapton
Tragédia em quadrinhos; mera apelação?

Total GuitarTotal Guitar
Os 20 melhores riffs de guitarra da história

Duane AllmanDuane Allman
Encontro com Clapton e o auge do Derek & The Dominos

0 acessosTodas as matérias da seção Opiniões0 acessosTodas as matérias sobre "Eric Clapton"

SlipknotSlipknot
Veja membros atuais sem máscara

AngraAngra
Aquiles detona ex-companheiros de banda em workshop

QueenQueen
Perguntas e respostas e curiosidades diversas

5000 acessosCarlos Eduardo Miranda: "Um monte de roqueirinho que só quer ser da Globo"5000 acessosLemmy: "Radiohead e Coldplay são bandas sub-emo"5000 acessosSeparados no nascimento: Andre Matos e Steve Perry5000 acessosW. Axl Rose: o som de 25 mil dólares da BMW do vocalista3850 acessosTop 10: unanimidades entre os álbuns de rock ao vivo4576 acessosMötley Crüe: Mick Mars admite que banda usa fitas ao vivo

Sobre Paulo Severo da Costa

Paulo Severo da Costa é ensaísta, professor universitário e doente por rock n´roll. Adora críticas, mas não dá a mínima pra elas. Email para contato: joaopsevero@bol.com.br.

Mais matérias de Paulo Severo da Costa no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online