Rock na Velha: "A crítica musical no Brasil é uma bosta"

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por Breno Airan, Fonte: Rock na Velha
Enviar correções  |  Ver Acessos

Eu sei, o título fala de NANDO REIS logo de cara, mas entendam: num total de 26 músicas cantadas no show-tributo à LEGIAO URBANA - que mais tarde virará um "MTV Ao Vivo" -, o ator WAGNER MOURA desafinou, nesta terça (29), aqui e ali. Meio tom acolá.

Slayer: Gary Holt é realmente um cara mal-agradecidoHumor: Não basta ouvir Master Of Puppets para ser Thrash

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Ele, o eterno capitão Nascimento, inclusive, é também cantor de um grupo brega dos tempos de faculdade, o Sua Mãe.

Pois bem. O artista foi escalado para cantar músicas da banda de Brasília e não para encarnar no palco o saudoso RENATO RUSSO no palco, este falecido em meados de outubro de 1996. Se fosse um outro cantor - e de rock -, as comparações seriam bem mais escancaradas. Mesmo assim, houve.

O que se viu foi um fã em cima do palco, por vezes com a voz falha devido à emoção fulgente. Engolindo o choro. Afinal, aquele momento seria histórico para os 7 mil que estavam ali em sua frente, no Espaço das Américas, em São Paulo.

A cartase foi garantida e o público ajudou os soluços emocionados de Moura, cantando junto muitos dos hits do grupo.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

MARCELO BONFÁ e DADO VILLA-LOBOS, integrantes da Legião, disseram que estas seriam as últimas investidas deles usando o nome da banda. Antes mesmo do espetáculo, eles comentaram que este não era para ser levado tão a sério.

Ademais, críticas ferrenhas choveram em se tratando da voz "desafinada" de Wagner Moura e do entrosamento de todos. Mas ele era só mais um fã. O único que realizou o sonho de cantar com seus ídolos de infância. E o melhor: nada de imitações. Os trejeitos dele não tentavam ser iguais aos de Renato, mas sim eram de um nervosismo misturado com um sorriso sempre a postos, quase que indicando segurança.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

O que vem à tona é a crítica. Se a experiência era somente para ficar como a despedida dos músicos originais dos palcos e não um espetáculo telúrico impecável, para que se importar tanto com a performance de Moura? Mas os especialistas caíram em cima. E é aí que Nando Reis entra, falando do 'criticar por criticar'.

Desta feita, um destaque a uma entrevista feita com o ex-titã é de crucial relevância nesse momento. Em setembro de 2011, à revista Playboy, ele disse que a crítica musical no Brasil não presta.

Quando perguntado se ela o irritava, ele retrucou com um "pra caralho!" E continuou: "A crítica musical é uma bosta. Aliás, não existe. Crítica musical no Brasil é ir com a onda da fofoca. É exatamente o lugar onde tem um monte de caras que na verdade gostariam de subir ao palco e só escrevem bobagem. Bicho, é uma bosta".

Mais adiante, Nando Reis pontua o fato de muitos questionarem que "artista tal quer ganhar dinheiro", como se a música não fosse sua arte a ser, com efeito, vendida.

"Há um pressuposto de que a conta de luz de um artista é paga pelo governo, pelo céu, pela luz divina. Não! Qual é o problema de querer ganhar dinheiro? De precisar de dinheiro?", questiona ele.

E o ex-titã ainda considera que "a crítica musical trata daquilo que faz sucesso como se fosse algo apenas procurando lucro. É uma inversão de valores completa tratar uma música que faz sucesso como algo sem qualidade [por exemplo]. Justamente vindo de quem está sendo pago e deveria se profissionalizar e [Nando fica muito exaltado] produzir análise e crítica musical com qualidade! E daí fica essa disputa, esse braço de ferro. Um monte de jornalistas cuzões, despreparados, gente que gostaria de ser músico e ter uma banda de sucesso falando mal de quem faz sucesso! Num jornal popular!".

Em outro trecho da conversa, ele ainda revela que não escuta música brasileira, pois não o satisfaz.

Desta feita, o detalhe é que música de qualidade é necessária, claro, mas sejamos mais razoáveis. Ou pelo menos nos inteiremos do assunto.




GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net


Todas as matérias da seção OpiniõesTodas as matérias sobre "Titãs"Todas as matérias sobre "Legião Urbana"


Ô Nébia: Pastor Arnaldo cita Legião, Cazuza e Metallica em pregaçãoÔ Nébia
Pastor Arnaldo cita Legião, Cazuza e Metallica em pregação

Legião Urbana: Dado relembra gravação de Faroeste CabocloLegião Urbana
Dado relembra gravação de Faroeste Caboclo


Slayer: Gary Holt é realmente um cara mal-agradecidoSlayer
Gary Holt é realmente um cara mal-agradecido

Humor: Não basta ouvir Master Of Puppets para ser ThrashHumor
Não basta ouvir Master Of Puppets para ser Thrash


Sobre Breno Airan

Acima de tudo, um forte. Ser roqueiro no Nordeste é estar cercado de olhares de soslaio. Mas ele sabe ser simpático. Começou a escutar Heavy Metal ainda na barriga da mãe. A seu pai, uma verdadeira enciclopédia do estilo, deve tudo. Aos 14 anos, pediu para uma tia R$ 12 de presente de Natal, foi a uma loja de CDs usados e catou logo o "Rust in Peace", do Megadeth - em perfeito estado, inclusive. Daí por diante, a paixão só vem aumentando. É editor do blog Rock na Velha, integrante do blog Combe do Iommi e colaborador da revista alagoana Rock Meeting. Ainda tem tempo para ser jornalista e de tocar baixo em sua banda de Hard Rock, a Azul Manteiga.

Mais matérias de Breno Airan no Whiplash.Net.

Goo336x280 GooAdapHor Goo336x280 Cli336x280