Rock na Velha: "A crítica musical no Brasil é uma bosta"
Por Breno Airan
Fonte: Rock na Velha
Postado em 01 de junho de 2012
Eu sei, o título fala de NANDO REIS logo de cara, mas entendam: num total de 26 músicas cantadas no show-tributo à LEGIÃO URBANA - que mais tarde virará um "MTV Ao Vivo" -, o ator WAGNER MOURA desafinou, nesta terça (29), aqui e ali. Meio tom acolá.
Ele, o eterno capitão Nascimento, inclusive, é também cantor de um grupo brega dos tempos de faculdade, o Sua Mãe.
Pois bem. O artista foi escalado para cantar músicas da banda de Brasília e não para encarnar no palco o saudoso RENATO RUSSO no palco, este falecido em meados de outubro de 1996. Se fosse um outro cantor - e de rock -, as comparações seriam bem mais escancaradas. Mesmo assim, houve.
O que se viu foi um fã em cima do palco, por vezes com a voz falha devido à emoção fulgente. Engolindo o choro. Afinal, aquele momento seria histórico para os 7 mil que estavam ali em sua frente, no Espaço das Américas, em São Paulo.
A cartase foi garantida e o público ajudou os soluços emocionados de Moura, cantando junto muitos dos hits do grupo.
MARCELO BONFÁ e DADO VILLA-LOBOS, integrantes da Legião, disseram que estas seriam as últimas investidas deles usando o nome da banda. Antes mesmo do espetáculo, eles comentaram que este não era para ser levado tão a sério.
Ademais, críticas ferrenhas choveram em se tratando da voz "desafinada" de Wagner Moura e do entrosamento de todos. Mas ele era só mais um fã. O único que realizou o sonho de cantar com seus ídolos de infância. E o melhor: nada de imitações. Os trejeitos dele não tentavam ser iguais aos de Renato, mas sim eram de um nervosismo misturado com um sorriso sempre a postos, quase que indicando segurança.
O que vem à tona é a crítica. Se a experiência era somente para ficar como a despedida dos músicos originais dos palcos e não um espetáculo telúrico impecável, para que se importar tanto com a performance de Moura? Mas os especialistas caíram em cima. E é aí que Nando Reis entra, falando do 'criticar por criticar'.
Desta feita, um destaque a uma entrevista feita com o ex-titã é de crucial relevância nesse momento. Em setembro de 2011, à revista Playboy, ele disse que a crítica musical no Brasil não presta.
Quando perguntado se ela o irritava, ele retrucou com um "pra caralho!" E continuou: "A crítica musical é uma bosta. Aliás, não existe. Crítica musical no Brasil é ir com a onda da fofoca. É exatamente o lugar onde tem um monte de caras que na verdade gostariam de subir ao palco e só escrevem bobagem. Bicho, é uma bosta".
Mais adiante, Nando Reis pontua o fato de muitos questionarem que "artista tal quer ganhar dinheiro", como se a música não fosse sua arte a ser, com efeito, vendida.
"Há um pressuposto de que a conta de luz de um artista é paga pelo governo, pelo céu, pela luz divina. Não! Qual é o problema de querer ganhar dinheiro? De precisar de dinheiro?", questiona ele.
E o ex-titã ainda considera que "a crítica musical trata daquilo que faz sucesso como se fosse algo apenas procurando lucro. É uma inversão de valores completa tratar uma música que faz sucesso como algo sem qualidade [por exemplo]. Justamente vindo de quem está sendo pago e deveria se profissionalizar e [Nando fica muito exaltado] produzir análise e crítica musical com qualidade! E daí fica essa disputa, esse braço de ferro. Um monte de jornalistas cuzões, despreparados, gente que gostaria de ser músico e ter uma banda de sucesso falando mal de quem faz sucesso! Num jornal popular!".
Em outro trecho da conversa, ele ainda revela que não escuta música brasileira, pois não o satisfaz.
Desta feita, o detalhe é que música de qualidade é necessária, claro, mas sejamos mais razoáveis. Ou pelo menos nos inteiremos do assunto.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A música do Metallica que deixava o público entediado, segundo Kirk Hammett
Aos 58 anos, baterista do Cannibal Corpse admite dificuldades de sair em turnê
Regis Tadeu derruba consenso de décadas sobre "Roots" do Sepultura
As 7 maravilhas do mundo do heavy metal e como conhecê-las
Malcolm Young era um guitarrista "melhor que Eddie Van Halen", segundo Angus Young
O riff inesquecível que surgiu "do nada" às 3 da manhã para Kirk Hammett
A opinião emocionada de vocal do Death Angel sobre "Kill 'Em All", primeiro álbum do Metallica
Matt Sorum aceitaria reunião do Velvet Revolver com Lzzy Hale nos vocais
Em outubro, Iron Maiden inaugura em São Paulo a "Eddie's Emporium Experience Store"
John Lennon sobre seu álbum favorito dos Beatles: "Musicalmente superior ao 'Sgt. Pepper's'"
A melhor música que o Slayer lançou no século XXI, de acordo com a Metal Injection
O lendário vocalista que teve o dedão amputado por um anão de jardim no quintal
A música do Pink Floyd que foi cortada de "The Wall" mas todos acabaram conhecendo
Tarja Turunen fará show em São Paulo em maio de 2027
10 rockstars que já estão na casa dos 80 anos de idade e seguem na estrada
Freddie Mercury: um relato detalhado sobre as suas últimas horas
Quando Humberto Gessinger surpreendeu ao explicar que o Engenheiros não fazia rock nem pop
A banda de metal dos anos 2000 que foi elogiada por Lars Ulrich e Steve Harris

Sepultura, Titãs e Luiz Caldas levam o peso do rock ao Altas Horas deste sábado
A acusação sobre os Titãs que Rick Bonadio rebate: "Isso é a maior besteira"
O megahit dos Titãs que introdução tem timbre igual ao de Peter Gabriel
Como Dostoiévski levou Nando Reis a um problema que carregou por décadas
Os clássicos da literatura que Nando Reis não suporta: "Esse cara é antipático"
Os clássicos do rock nacional que são os favoritos de Lito Sousa, do Aviões e Músicas
O grande problema de "Evidências" do Chitãozinho & Xororó, segundo Paulo Miklos
Janick Gers: descartável ou essencial ao Iron Maiden?



