O álbum do rock nacional dos anos 1980 que Prince ouviu e gostou muito do trabalho
Por Gustavo Maiato
Postado em 19 de dezembro de 2025
Nos anos 1980, enquanto o rock brasileiro deixava de ser um fenômeno de nicho para ocupar espaços cada vez maiores na mídia e no mercado fonográfico, algumas bandas passaram a chamar atenção não apenas do público local, mas também de nomes influentes fora do país. Em meio a esse cenário de efervescência criativa, poucos poderiam imaginar que um dos artistas mais geniais e exigentes da música pop mundial ouviria um disco brasileiro com interesse genuíno - e mais do que isso, demonstraria entusiasmo pelo trabalho.
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Segundo o livro "A Vida Até Parece uma Festa", de Luiz André Alzer e Hélica Marmo, esse episódio envolveu os Titãs e o álbum "Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas", lançado em 1987. Na época, a banda já vivia o auge da chamada "titãmania", com grande repercussão na imprensa e reconhecimento de figuras centrais da música brasileira. A revista IstoÉ chegou a publicar um perfil do grupo destacando curiosidades pessoais dos integrantes e ouvindo admiradores ilustres. Caetano Veloso foi direto: "Atualmente o que de melhor se tem na música brasileira é os Titãs". Raul Seixas reforçou o coro ao afirmar: "Dos conjuntos modernos, os melhores são o Camisa de Vênus e os Titãs, porque os outros não têm metafísica".
O prestígio da banda também era compartilhado dentro da indústria fonográfica. André Midani, então presidente da Warner, não escondia a admiração pelo grupo. Conforme relatam Alzer e Marmo, ele afirmava sem rodeios: "Os Titãs são o fato musical mais importante depois da Tropicália". Mais do que discurso institucional, Midani costumava agir como um verdadeiro embaixador da banda, distribuindo discos dos Titãs a amigos influentes espalhados pelo mundo.
Foi assim que "Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas" chegou às mãos de Steve Fargnoli, empresário de Prince. De acordo com o livro, após ouvir o material enviado por Midani, Fargnoli fez questão de ligar de volta com uma reação que poucos músicos brasileiros poderiam sonhar em ouvir: "André, o Prince gostou muito do trabalho dos rapazes e queria convidá-los para abrir sua próxima turnê". A possibilidade colocava os Titãs, naquele momento, diante de uma estreia internacional histórica.
Conhecedor dos bastidores do show business, Midani preferiu esperar que o convite fosse formalizado antes de levar a novidade à banda. O desfecho, porém, nunca se concretizou. Ainda segundo "A Vida Até Parece uma Festa", Prince mudou de ideia, o assunto não voltou a ser mencionado pelo manager e o convite acabou não acontecendo. Assim, Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas permaneceu como o disco brasileiro que chamou a atenção de Prince - mas sem render o encontro nos palcos.
Lançado como sucessor de "Cabeça Dinossauro", o álbum reforçou a fase mais crítica e inventiva dos Titãs, com letras afiadas, sonoridade pesada e comentários sociais diretos, características que ajudam a entender por que o trabalho despertou interesse até mesmo em um artista conhecido por seu rigor criativo. Mesmo sem a turnê ao lado do popstar, o episódio entrou para a história como um dos momentos mais curiosos da trajetória internacional do rock brasileiro.
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