Dinossauros desdentados e a música fast food
Por Daniel Jr
Postado em 21 de março de 2008
Ver Paulo Ricardo com uma banda com sei lá que nome, cantando e fazendo pose para os "heróis" enfurnados na casa da oitava edição do BBB, foi para mim, um retrato bastante fiel do que hoje é, a geração BRock. E antes que alguém acuse o texto de nostálgico, aviso que historicamente a geração 80 teve uma grande importância para a música popular brasileira. E de que forma podemos medir a relevância de uma era? Com as canções.
Nem Titãs, nem Engenheiros, nem Barão, nem Legião, nem muito menos Paralamas do Sucesso ou Plebe Rude. Os grandes fanfarrões do rock no Brasil hoje são NXZero, Charlie Brown Jr e CPM22. Os dinossauros não produzem discos relevantes desde o final dos anos 90. Caíram na armadilha fácil da indústria: discos ao vivo, que renderam dvds com mais do mesmo. É certo que a qualidade das composições antigas são inquestionáveis, mas, será que o fã só quer saber do passado glorioso destas bandas? Pergunta difícil de responder, mas se questionarmos, ao novo ouvinte de rock, o que ele prefere, a negativa será certa. Afinal de contas, o público de hoje, não está muito afim de letras cheias de metáfora, muitos metais ou mesmo, experimentações pop, cheias de conteúdo subliminares. A "molecada" quer música fast food. E este menu não pode ser oferecido por bandas como Barão Vermelho e Engenheiros do Hawaii. A rara exceção é o Capital que resolveu fazer músicas para o intelecto e o coração de um menino de 15 anos - que deve ser respeitado - mas que nada tem a ver com seu passado de grandes canções como Fátima e Veraneio Vascaína. Talvez para que sobreviva no meio dos novos tubarões.
Legião acabou por motivos óbvios. Titãs não jogou a pá no caixão. Paralamas tem uma história á parte, bonita e que pode render algum caldo. Engenheiros do Hawaii preferem os violões ao vivo do que as composições em estúdio e no Barão... bem no Barão, Frejat é cada dia mais ele e menos banda. Para quando quer e obriga a Rodrigo Santos (excelente baixista da banda e que substitui Dé, da formação original) a cometer enganos graves como seu disco solo, sem repercussão alguma e de fraca divulgação.
Já não dá mais para sentir saudade porque mesmo estas bandas de calibre alto, não apostam mais em suas carreiras nem nos campos midiáticos. Não se ouve mais acerca de seus projetos, quando não são uma pura reprise do que já foi feito tempos atrás. Caso de Titãs e Paralamas que gravaram uma série de shows e que renderá um dvd. Ou seja, a criatividade está tão nula, que o recurso é fazer de novo o que já foi feito. Para quem não sabe, Titãs e Paralamas fizeram uma turnê há uns tempos atrás (1999), que rendeu um cd promo produzido por uma marca famosa de absorventes e que deu nome ao evento.
Não bastasse o hiato criativo dos dinossauros do Brock, no mundo do metal, a coisa não é muito diferente. Os grandes representantes do metal brasileiro lançam discos de qualidade duvidosa e colhem o fruto da ausência de divulgação de seus trabalhos. Sepultura coloca notas no site do tipo: "Estamos mais vivos do que nunca", "Ninguém acaba com a família Sepultura", mas o carro da dupla Cavaleira, vem chegando a olhos vistos, diminuindo a vantagem que era de alguns minutos...
Edu Falaschi parece estar entregue, de coração a banda Almah, interessante projeto que merecia uma audição melhor do público roqueiro. E o que dizer do Shaaman? Muda de formação, sai André Matos e entra Thiago Bianchi, fica Ricardo Confessori e saem os irmãos Mariutti... A impermanência dos times dão bem a dica de que as coisas não estão nada bem.
Não dá para ser totalmente pessimista e dizer que nada de novo surge no Brasil. Surge sim e algumas com pedigree que lhes rende fama internacional, caso do Torture Squad e o Thuata de Dannan. Vale lembrar também que a tecnologia facilitou as coisas para quem gostaria de ter um espaço no mercado. Dentro de um quarto, com um computador com uma boa placa de som, se produz demos ou discos de qualidade. Com um tempinho e alguém que capriche no layout, pode se colocar o trabalho, como se fosse um portfolio, na Internet, com informações básicas sobre a banda. Desde de datas de show até novas composições.
MAS... E as bandas tradicionais, por onde andam? O que fazem e qual o fim de cada uma? Por onde anda o Dorsal Atlântica (banda de metal dos anos 80, uma das precursoras do movimento de heavy no Brasil)? E o Viper? Será que o disco novo All My Life retomará a carreira da banda que deu origem ao Angra? E o Angra, dará prosseguimento a sua caminhada?
Tais perguntas são respondidas com silêncio. Silêncio este que simboliza um momento de transição entre o rock produzido nos anos 80 e 90 e a sonzeira do século XXI. Tempos dos downloads, dos Ipod´s e da falência das rádios rocks. Tempo da devastação dos dinossauros sobre a Terra. Deste Big Bang o que virá?
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Os 20 álbuns de classic rock mais vendidos em 2025, segundo a Billboard
As cinco músicas dos Beatles que soam muito à frente de seu tempo
O álbum que David Gilmour vê como uma continuação de "The Dark Side of the Moon"
Max Cavalera diz ser o brasileiro mais reconhecido do rock mundial
A melhor música de rock lançada em 2025, segundo o Loudwire
É oficial! Iron Maiden vem ao Brasil em outubro de 2026; confira as informações
A categórica opinião de Regis Tadeu sobre quem é o maior cantor de todos os tempos
O maior baixista de todos os tempos, segundo o lendário produtor Rick Rubin
Alter Bridge abrirá para o Iron Maiden apenas no Brasil
E se cada estado do Brasil fosse representado por uma banda de metal?
Guns N' Roses confirma novo local para show em Porto Alegre
O rockstar que não tocava nada mas amava o Aerosmith; "eles sabiam de cor todas as músicas"
O que James Hetfield realmente pensa sobre o Megadeth; "uma bagunça triangulada"
Steve Harris e Bruce Dickinson comentam tour do Iron Maiden pela América Latina
Pink Floyd - Roger Waters e David Gilmour concordam sobre a canção que é a obra-prima
As 10 músicas favoritas do saudoso Renato Russo, segundo o próprio artista
Iron Maiden: Video mostra "erros" da banda ao vivo
A resposta dos Titãs após Renato Russo criticar presença de atrizes da Globo nos shows


A nostalgia está à venda… mas quem está comprando? Muita gente, ao menos no Brasil
Afinal o rock morreu?
Será mesmo que Max Cavalera está "patinando no Roots"?
Por que a presença dos irmãos Cavalera no último show do Sepultura não faz sentido
Angra traz "Rebirth" de volta e deixa no ar se a formação atual ainda existe
De fãs a palpiteiros, o que o heavy metal e o futebol têm em comum
A música com mensagem positiva que chegou do nada e disse o que eu precisava ouvir
Heavy Metal: Bem vinda, Nova Geração da Velha Escola
Down: Palavras de Phil Anselmo mostram que o metal (ainda) é racista



