'A magia voltou ao Judas Priest', diz Glenn Tipton
Por Fernão Silveira
Fonte: Terra Música
Postado em 23 de agosto de 2005
Em 2003, após 12 anos de separação, um dos casamentos mais bem-sucedidos da história do heavy metal foi reatado. O vocalista Rob Halford retornou para o posto de frontman do Judas Priest, banda que ele ajudou a transformar em uma das mais importantes do gênero. Hoje, às vésperas de promover sua terceira turnê pelo Brasil, o grupo britânico curte uma verdadeira "lua-de-mel", sustentada nos shows lotados ao redor do planeta e na boa repercussão do novo álbum, Angel of Retribution.
"A magia voltou assim que nos juntamos para escrever as novas músicas", relatou ao Terra, com exclusividade, o guitarrista Glenn Tipton. "Quando voltamos para o palco, percebemos que aquela química de antes continua viva. Está sendo muito bom para nós."
A notícia do retorno de Rob Halford ao Judas, dada oficialmente aos fãs em julho de 2003, causou quase tanto impacto quanto a da saída dele da banda, no longínquo ano de 1992. Tanto o Judas Priest quanto Halford "sobreviveram" nos anos de separação.
O grupo lançou quatro álbuns com o vocalista Tim "The Ripper" Owens - dois de estúdio e dois duplos ao vivo - e até passou pelo Brasil, em 2001, na turnê mundial de Demolition. Já Rob Halford se aventurou em três bandas diferentes, incluindo o fracassado projeto eletrônico Two, que tentou dar uma cara "moderna" a um cantor visceralmente ligado ao heavy metal.
Mas o retorno da parceria Rob Halford/Judas Priest revitalizou, inegavelmente, as duas partes. Com a volta da formação original, a banda deixou a gravadora alemã SPV, que lançou mundialmente o último trabalho com Ripper Owen - Live in London (2003) -, para assinar um contrato com a major Sony Music. Além disso, em 2004, o Judas Priest foi chamado para figurar entre as atrações principais do festival metálico americano Ozzfest, criado por Ozzy Osbourne - uma prova inequívoca de prestígio no universo do rock pesado.
"A reação dos fãs ao nosso retorno tem sido tremenda", confirmou Tipton, que disse estar animado para levar à América do Sul a turnê que já foi aplaudida na Europa, no Japão e na América do Norte. "Estamos muito ansiosos para tocar aí."
Substituição
Para coroar uma reunião tão esperada, o álbum de retorno teria de ser muito bem elaborado. Para isso, o Judas Priest confiou a produção de Angel of Retribution ao versátil Roy Z, um dos nomes de maior prestígio do metal na atualidade. É dele grande parte do mérito pelo sucesso das carreiras individuais de Bruce Dickinson (Iron Maiden) e do próprio Rob Halford.
"Nós gostamos muito de Roy Z. Quando nos reunimos, Rob propôs o nome dele para produzir nosso novo álbum, pois Roy já havia produzido os dois discos do Halford (a última banda solo do vocalista). Nós topamos na hora. Gostamos muito do jeito de trabalhar de Roy Z", contou Tipton.
O guitarrista assegurou que não se sentiu diminuído por ver Roy Z incorporando um posto tão importante neste momento de destaque do Judas Priest. Afinal, coube a Tipton co-produzir Jugulator, primeiro álbum com Ripper Owens nos vocais, e assumir de vez o comando em Demolition, segundo e último trabalho de estúdio do cantor americano na banda.
"Fico muito orgulhoso com Demolition. Mas produzir um álbum significa muito trabalho e muita pressão. Quando gravamos um novo disco, todos já estamos de certa forma envolvidos com a produção. Não sei se gostaria de produzir outro álbum do Judas Priest. É muito trabalho", explicou Tipton.
Batismo de fogo
Mesmo totalmente envolvido com a volta do Judas Priest, Glenn Tipton não tira da cabeça a missão de completar um trabalho iniciado em meados de 1996. Trata-se da "parte 2" de Baptism of Fire, o trabalho solo que ele lançou enquanto a banda vivia tempos de acertos e definições.
Único membro do Judas, além de Halford, a contar com um trabalho solo no mercado, Glenn Tipton quer lançar em janeiro de 2006 um álbum com faixas gravadas na mesma época de Baptism of Fire. Mas as "sobras" que vão virar o segundo solo do guitarrista são muito especiais: tratam-se de músicas tocadas por Tipton, o baixista John Entwistle, do The Who, morto em 2002, e o baterista Cozy Powell, de Rainbow e Black Sabbath (entre outras bandas), morto em 1998.
O curioso é que a única das 11 faixas de Baptism of Fire que traz a parceria Tipton-Powell-Entwistle é The Healer. Nas demais, revezam-se ao lado do guitarrista do Judas Priest nomes como Robert Trujillo (hoje no Metallica), Billy Sheehan (Mr.Big e David Lee Roth), Shannon Larkin (Ugly Kid Joe), Brooks Wackerman (Suicidal Tendencies) e Don Airey (Deep Purple e Rainbow).
"São faixas fantásticas, nunca lançadas. É diferente de Baptism of Fire, mas igualmente bom. Eu sempre amei essas músicas, mas decidimos lançar as outras quando montamos Baptism of Fire por questões de mercado. Agora estamos quase prontos para lançá-las", revelou Tipton.
Quando perguntado sobre o nome do novo disco solo, Tipton recuou, depois de contar a maior parte do projeto, e decidiu mudar de assunto. "O álbum não tem um nome ainda. Não é hora de falarmos disso. Agora é tempo de pensarmos no Judas Priest", respondeu o guitarrista.
Redação Terra
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