Ace Frehley: "Gene só quer dinheiro! Eu quero música e arte!"

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Por João Renato Alves, Fonte: KISS Asylum
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Em 2007, prestes a voltar aos palcos, o ex-guitarrista do KISS, Ace Frehley, concedeu uma entrevista ao The Virginian-Pilot.

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Quando os membros do KISS decidiram fazer os álbuns-solo em 1978 houve um competição para ver quem faria o melhor trabalho?

Ah, sim. Antes de fazermos os álbuns houve uma reunião. Devo ter entendido errado, mas tive esse sentimento por parte de Paul e Gene. Lembro de eles terem me dito: “Hei, se precisar de alguma ajuda não hesite em chamar”. Percebi isso como um comentário condescendente, como se eu fosse precisar de ajuda ou algo assim. Gene tinha todo mundo no estúdio, inclusive seu irmão. Fiz meu trabalho inteiro sozinho, apenas com Anton Fig na bateria. Acho que minha cabeça estava no lugar naquele momento.

Quais foram os melhores anos do KISS em termos de amizade?

Nos primeiros anos havia muita camaradagem. Eu dividia o quarto de hotel com Gene. Costumávamos ficar no Holiday Inn. Paul e Peter dividiam outro quarto. Havia muita loucura, muitas garotas, muitas festas, muitos momentos loucos. Não me arrependo de nada.

Como músico, o quanto era difícil ser um personagem com roupas e maquiagens?

Era uma verdadeira dor... Especialmente quando tinha que fazer aparições pessoais. Uma coisa era colocar a maquiagem, a roupa e fazer o show, pois no fim o suor já tinha tirado metade da máscara. Depois era só entrar no chuveiro e se limpar. Mas quando você acordava de manhã para fazer uma aparição em público e tinha que pôr aquilo de novo, era a pior hora. Aquilo começou a me levar mais e mais em direção ao fim.

De onde veio a idéia da guitarra que soltava fumaça?

Eu tive a idéia enquanto estava no Canadá e comprei umas bombinhas de fumaça. Acabei colocando uma no compartimento de controle de volume da minha Les Paul.

Em que ponto da carreira os atritos apareceram e fizeram com que você e Peter fossem mandados embora?

Sempre houve certo atrito. Eu e Peter éramos os fanáticos por festa do grupo. Isso criou atrito.

Em 1987, quando o álbum “Frehley’s Comet” entrou na 43ª posição da Billboard você se sentiu vingado?

Quando tive sucesso com o álbum de 1978, sabia que tinha que deixar o grupo e fazer as coisas do meu jeito. Havia muito que eu precisava expressar musicalmente e artisticamente que eu não poderia fazer no KISS, pois todos queriam cantar, todos queriam ser o foco das atenções. Sempre foi uma luta por poder. Fiquei sabendo que alguns vídeos que foram editados recentemente tiveram cortes em momentos onde eu era o destaque. São essas coisas estúpidas que acontecem, sabe? O grande problema é que ao ficar sozinho, minhas vontades se tornaram prioridade. Sendo um animal de festas, isso acabou me complicando por um tempo.

Drogas e álcool derrubaram sua carreira, especialmente nos anos solo. Como foram esses dias pra você?

Foi uma luta. Graças a Deus estou limpo e sóbrio hoje. É incrível como as coisas ficam mais fáceis sem toda aquela loucura. Ironicamente, naquela época eu pensava que aquilo era necessário para eu tocar. Na verdade isso tornava tudo mais difícil. Mas é a doença do alcoolismo.

Quando o KISS se reuniu, como foi tocar com eles de novo?

Foi um pouco estranho, pois tocar as músicas antigas, usar a maquiagem e as roupas de novo era algo como um flashback. No começo foi bem divertido, pois os fãs eram legais e fazer as pessoas se satisfazerem me deixava bem. Mas depois de um tempo isso acabou. Quando saí após as turnês no Japão e na Austrália, achava que a reunião finalmente acabaria. Fiquei surpreso quando eles decidiram colocar minha maquiagem em outra pessoa.

Quando o KISS obteve os direitos sobre o seu personagem?

Foi uma negociação após eu ter saído. Recebo dinheiro com as vendas de merchandising.

Depois que você saiu, Tommy Thayer se tornou o “novo Ace”. Qual foi a sua reação?

Pareceu-me um pouco de desespero. Gene só quer saber de dinheiro. Eu quero música e arte. Quando tomo decisões não me baseio no quanto vou faturar. Poderia ter lançado esse álbum que estou fazendo há um ano atrás, pois já tinha faixas suficientes, mas já faz 10 anos que não lanço nada, então esse tem que ser especial.

Qual o melhor álbum do KISS?

Diria que há um empate entre “Destroyer” e “Alive!”.

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