Guns N' Roses: os percalços de Chinese Democracy

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Por Ligia Fonseca, Fonte: Times Online, Tradução
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O jornalista Mick Wall escreveu em 2008, para o site Timesonline.co.uk, o seguinte relato sobre as gravações do álbum Chinese Democracy, do GUNS N' ROSES.

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O álbum mais caro já feito. O álbum mais longo de todos os tempos. O álbum mais exagerado de todos... Ainda nem foi lançado, mas histórias sobre a gravação - e regravação infinita — do novo disco do GUNS N' ROSES, “Chinese Democracy”, circulam há anos. Quase £10 milhões e cerca de 15 anos mais tarde, de acordo com um comunicado de imprensa arfante publicado na última quarta-feira, o disco, que já assumiu um status quase mítico, será finalmente lançado em 24 de novembro.

No entanto, embora as histórias sejam inúmeras - atraso por um interminável troca-troca de músicos, produtores, chefes de gravadora, gurus pessoais e os caprichos altamente imprevisíveis do líder do grupo, o vocalista W. Axl Rose — os motivos para a criação extraordinariamente dolorosa do álbum são difíceis de definir.

Iniciado em 1995, quando a formação original da banda ainda estava mais ou menos intacta, os problemas iniciais eram principalmente a relação desgastada de Rose com Slash, o principal guitarrista. Slash ficou perplexo ao ter suas músicas rejeitadas unilateralmente pelo vocalista e, depois, ao descobrir que Rose tinha contratado um guitarrista substituto, um antigo amigo de escola sem grandes experiências chamado Paul Huge, sem informar o resto da banda.

“Fiquei à beira do suicídio”, disse Slash. “Se tivesse uma arma na época, provavelmente teria me matado. Se tivesse 15 g de heroína, provavelmente teria tido uma overdose. Foi pesado”. Tão pesado que, nos dois anos seguintes, os membros originais foram saindo, um a um.

Deixado só com seus botões, Rose embarcou em uma viagem extraordinária de uma década na qual mais de uma dezena de músicos foi contratada, demitida ou simplesmente pediu as contas, esgotada pelos infinitos atrasos.

Trabalhando em um enorme estúdio de som na Califórnia, ele instruiu engenheiros de estúdio a continuarem gravando qualquer idéia que os diversos músicos que havia convidado tivessem. Em um momento, recebia até cinco CDs por semana com várias mixagens diferentes de músicas propostas. Por fim, uma pilha de mais de 1.000 CDs e fitas DAT, todos detalhadamente arquivados e rotulados, foi acumulada. “Aquilo parecia a Biblioteca do Congresso", relatou um funcionário do estúdio.

Profundamente abalado pela morte de sua mãe, Sharon, devido a um câncer, em 1996, e de seu colaborador West Arkeen, por overdose de drogas, Rose também se tornou um recluso, recusando-se a sair de sua mansão em Malibu. Ele tinha tanques de aranhas exóticas e répteis como companhia e usava disfarces bizarros quando saía.

Todos os funcionários tinham de assinar acordos de confidencialidade com penalidades rígidas em caso de infração, além de enviar uma fotografia de si próprios, que Rose dava a um guru pessoal, apelidado de Yoda por sua equipe de turnê, para "inspeção psíquica", que revelava seus verdadeiros motivos, pontos fortes e fracos. Às vezes, até fotos dos filhos de um funcionário eram exigidas.

Entretanto, os anos foram passando e a gravadora começou a entrar em pânico. Quando enviaram a Axl um CD com o trabalho de vários produtores, sugerindo que ele escolhesse algum, a resposta do vocalista foi jogar o CD no chão e passar sobre ele com sua Ferrari!

Outro novo recrutado, o bizarro guitarrista Buckethead - assim chamado por causa de sua mania de se apresentar com uma máscara inspirada no personagem principal da série "Sexta-Feira 13", além um balde na cabeça, trazendo o logotipo da KFC (iniciais de "Kentucky Fried Chicken", rede de restaurantes dos EUA especializado em frango frito), pediu que montassem no estúdio um viveiro onde mantinha várias galinhas vivas, pedido este atendido por Rose - até que, um belo dia, filhotes de lobo do vocalista invadiram o viveiro e se banquetearam com as galinhas. Buckethead abandonou o barco pouco tempo depois.

A gravadora autorizou uma antecipação de um milhão de dólares a título de "incentivo" a Axl, com a promessa de liberar outro milhão caso ele terminasse o álbum em março de 1999. A data chegou e ficou no passado.

A rotina de trabalho de Axl era tão dura que ele raramente aparecia no estúdio, apesar de manter todos os músicos e engenheiros de som ao seu dispor, numa despesa mensal estimada em cerca de 250 mil dólares.

E em uma rara entrevista, Rose afirmou que tinha cerca de setenta novas canções em vários estágios de finalização, e que já teria gravado material para "ao menos dois álbuns", mas que boa parte deste material seria "muito além do seu tempo" para que os fãs o compreendessem.

Talvez sim, mas uma audição ao novo single do "Chinese Democracy", lançado esta semana, revela que se trata da mesma música que já está circulando na internet desde 2005.

E questionado sobre o motivo pelo qual se decidiu chamar o disco de "Chinese Democracy", Rose explicou: "Bem, há bastante movimento no sentido de uma democracia na China, e se trata de algo do qual se fala bastante, e seria algo interessante de se ver. Pode ser uma afirmação irônica. Não sei, apenas gosto da sonoridade disto".

Recentemente o empresário Andy Gould disse: “Quando eles pediram para Michelangelo pintar a Capela Sistina, não disseram 'Pode fazer isso pra ontem?' para terem uma previsão [de término]. Às vezes obras-primas levam tempo para serem concluídas”.

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Sobre Ligia Fonseca

Tradutora, formada em Jornalismo pela PUC-SP, resolveu mudar de carreira quando percebeu que gostava mais de traduzir do que de escrever textos. Descobriu o rock aos 5 anos, ao assistir o clipe de “I Love it Loud” do Kiss.

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