Synth Pop: um dos diversos filhos de David Bowie
Por Roberto Rillo Bíscaro
Postado em 11 de janeiro de 2016
Será que os punks previram que seu movimento impulsionaria o surgimento do synth pop? Depois da explosão da simplicidade dos 3 acordes de guitarra/baixo/bateria, alguns jovens fizeram o mesmo, só que usando sintetizadores.
Influenciados por David Bowie, Kraftwerk, Donna Summer, ficção-científica e beneficiados pelo barateamento dos sintetizadores, meninos(as) começaram a experimentar com electronica em diversas cidades inglesas. As grandes gravadoras não apostaram no novo tipo de música, mas a infraestrutura criada pelo movimento punk novamente favoreceu esses candidatos a avatares da tecnologia: seus trabalhos eram lançados por selos independentes, como a Mute Records, que deu chance ao Depeche Mode.
O sintetizador – orquestra dentro duma caixa com teclas e botões – mudou a forma dos grupos pop. Bastava um(a) vocalista e um(a) tecladista e um estava formado. Basta checar o número de duplas nos anos 80: Eurythmics, OMD, Erasure, Tears for Fears, Kon Kan, Go West.
O período de aproximadamente 7, 8 anos de surgimento e queda do synth pop está registrado no documentário Synth Britannia (2009), da BBC. Fundamental pra quem viveu e dançou os fins da década de 70 e início dos anos 80.
Até o advento do synth pop, sintetizadores eram privilégio da pirotecnia e afluência progressivas. Oriundos em sua maioria da classe-média alta e com treinamento clássico, apenas os Keith Emersons e Tony Banks da vida podiam arcar com o preço dum teclado. Quando a molecada industrial começou a poder adquiri-los, combinaram as inúmeras possibilidades sintetizadas com o tipo de música pop de que mais gostavam e uma miríade de subgêneros nasceu.
Synth Britannia delineia o desenvolvimento de bandas como o experimental Cabaret Voltaire até o estouro comercial do Depeche, Human League, Gary Numan, Yazoo, Ultravox. Massacrado pela imprensa musical britânica, o synth pop dominou o mundo no comecinho dos 80s e foi um dos motivos que levaram ao surgimento dos Smiths, pais do indie rock, que sufocou o tecnopop (como ficou conhecido no Brasil) nos anos 90 e boa parte dos 2000. Isso o documentário não fala.
Vince Clark, Alison Moyet, Phil Oakey, John Foxx; quase todo mundo que importava foi entrevistado. Synth Britannia termina com os Pet Shop Boys, que no meio dos 80s popularizaram o uso de samplers, indo mais pro caminho dance.
O documentário retrata com eficiência o dilema da molecada que, ao mesmo tempo, queria revolucionar e ser astro pop, aparecer na mídia, ganhar grana e deixar de ser classe operária.
Passado o apogeu do synth pop, quase todas as bandas perderam sua razão de ser. Um documentário exemplar sobre isso seria sobre o Human League, que enfocasse seu começo alternativo em Sheffield, o estouro com o fundamental álbum Dare e a encruzilhada criativa um par de anos depois, quando Phil Oakey tentava aparência de roqueiro e o grupo soava como um U2 sintetizado.
Inteiro no You Tube, em inglês não legendado.
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