Marok: as guerreiras negras do metal na África
Por Willba Dissidente
Fonte: Rock Dissidente
Postado em 01 de setembro de 2016
Foi em 2011 que o mundo soube de algo que vinha acontecendo desde os anos 1970: o rock pesado havia chegado na África. Ainda que o OSIBISA seja considerada a primeira banda de Rock'n'Roll formada por africanos, desde meados para o fim da década de setenta que num país chamado Botsuana, que fãs de BLACK SABBATH e JUDAS PRIEST formavam suas primeiras bandas objetivando tocar pesado. Uma geração depois, as fotografias do sulafricano Frank Marshall chocaram primeiro a Inglaterra depois o globo mostrando uma cena própria de Metal pesado composta por headbangers que se vestiam num amalgama da capa de "Ace of Spades" do MOTÖRHEAD, com mais rebites que o JUDAS PRIEST e mais couro que os vilões do filme Mad Max II. A mídia, que os chamou de Cowboys do Death Metal, não entendeu muito bem que essa é uma nova geração criando algo novo no Metal buscando inspiração no passado.
Seguiram mini-documentários de tevê e até um filme de cinema sobre a cena metal em Botsuana, mas algo perturbava outro fotógrafo, também da África do Sul, chamado Paul Shiakallis: a excessiva representação masculina em detrimento de sua contraparte feminina. Ela decidiu então, em 2015, passar mais de oito meses em Botsuana e conhecer essas mulheres, que se auto-intitulam, Queens (Rainhas) do Marok. Marok é uma expressão que significa Rocker na linguagem Setswana. O resultado ficou pronto em dezembro de 2015,
A intenção de Shiakallis foi retirar as Rainhas do Marok das situações de shows e bares para as representar em suas casas, em vidas cotidianas ou paisagens botsuanesas; mas com o visual metal. A ideia foi representar o contraste em que vivem essas mulheres: a plácida realidade da vida em Botsuana versus a descrição da colorida individualidade na mídia social, a lealdade para com o nome da família, versus a liberdade em usar um pseudônimo na internet.
Chamado de "Leathered Skins, Unchained Hearts (Peles de Couro, Corações desacorrentados, em tradução livre)", o trabalho de Shiakallis foi fundo no abismo dos alter egos das Marok, buscando como essas mulheres escaparam da prisão com grades do condicionamento social e adentraram nas infinitas possibilidades que o Heavy Metal guarda para elas. As rainhas do Marok cercam o estrutural arquétipo da "cultura africana" e remodelam essas estruturas pelas fotos de Paul, aparentando ser um enigma, longe da representação global que as mulheres negras tem de serem dóceis e inanimadas.
"Sendo rockers nó estamos unidas em nosso amor por nossa música e assim nós somos irmãos e irmãs de Metal. Nós somos o modelo em nossa sociedade e é por isso que nós apoiamos a nós mesmas e nossas bandas nessa vulnerável sociedade", contou a rainha do Marok chamada Katie Dekesu.
A matéria completa com mais fotos, links e depoimentos pode ser lida no Rock Dissidente.
http://rockdissidente.blogspot.com.br/2016/08/botsuana.html
Nota do Autor: Willba Dissidente agradece a Anny Tysondog, sua melhor amiga, por ter lhe mostrado os artigos originais em inglês.
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