Os anos do Heavy Metal: A decadência e a renovação do estilo
Por Rafael Lemos
Fonte: 80 Minutos
Postado em 01 de agosto de 2019
Nota: 10 ![]()
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A decadência e a renovação do estilo - resenha sobre o documentário "Os anos do Heavy Metal".
O presente documentário se trata de um item histórico. Não tenho certeza se foi lançado em dvd no Brasil mas há um vhs muito raro com as legendas em Português - pelo qual o assisti.
Esta é a parte dois de um projeto onde a diretora Penelope Spheeris procurou registrar o que ela denominou de "declínio da civilização ocidental". No primeiro, de 1981, abordou o declínio de artistas do Punk Rock, enquanto neste se propôs a demonstrar a decadência de músicos da cena Hard e Heavy da segunda metade dos anos 80 - basicamente integrante de bandas perdidos no meio de bebidas e drogas, a maioria deles desconhecidos para o grande público até então, sonhando em se tornarem famosos. Embora a maioria permanecesse no underground, todas as bandas aqui obtiveram o status de cult com este documentário. Logicamente, há vários músicos mainstream, como Joe Perry e Steven Tyler, Alice Cooper, Lemmy, Paul Stanley e Gene Simmons, Ozzy Osbourne (já como o conhecemos hoje, incapaz de colocar um suco de laranja no copo) e, sobretudo, Chris Holmes do W.A.S.P. totalmente bêbado em uma piscina, sendo assistido por sua própria mãe, decepcionada, em uma das cenas mais deprimentes da história da música. Uma observação: vale lembrar que o W.A.S.P. estava lançando um álbum rechado de críticas sociais, "The headless children", o que fez com que a banda recebesse muitas críticas na época. As drogas também são valorizadas nos depoimetos dos integrantes do Faster Pussycat, visivelmente alterados, e de praticamente todas as bandas menos conhecidas demonstradas.
O documentário tende muito mais a mostrar bandas de Hard Rock do que Heavy Metal e, apesar da contradição com o subtitulo original ("The Metal Years"), isso não é problema algum. É mostrada cenas das calçadas da Sunset Strip em seu auge, lotadas; os principais bares e clubes locais, onde se apresentaram as bandas do documentário em shows cheios de energias (os quais comentarei mais ao final desta resenha); entrevistas com fãs de visual totalmente andrógino, como era comum à época, dizendo sobre utilizar roupas e maquiagens das irmãs na rua; o já citado sonho de se tornar rico e famoso de alguns (como os integrantes do Seduce, imaginando-se aposentados e milionários daqui dez anos, ou do Odin, convictos que seriam tão grandes quanto o Led Zeppelin) e outros já conformados em sobreviver no underground (como o London, ao dizerem que todos os que saíram da banda se tornaram famosos, como Nikki Sixx, Slash, Izzy, Fred coury...); vemos, também, um Poison ainda desconhecido, impressionado por estar conseguindo algum sucesso, mas relatando a dificuldade em sobreviver com o dinheiro nem sempre presente. Mostra, também, a perseguição que o Heavy Metal teve nos anos 80 por parte de membros conservadores da sociedade Norte americana, com justificativas patéticas já para a época (assistam que irão entender).
Gustavo Anunciação Lenza | Roberto Luis Pertsew | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Luis Alberto Braga Rodrigues | Reginaldo Manuel Soares de Faria | Paulo Eduardo Farias | Thomas Wisiak | Rogerio Antonio dos Anjos | Miguel Angelo Leal | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Os depoimentos das bandas e fãs do início do documentário são ingênuos e seus desejos de fama se contradizem com a postura anti-profissional que possuiam. Essa atitude se choca com as ideias e responsabilidade profissional do Megadeth, última banda demonstrada no documentário, com ideias mais "pé no chão" do que as demais. Os trechos escolhidos pela diretora fez com que o Megadeth demonstrasse, aqui, a esperança e a renovação do estilo, algo que o próprio Dave Mustaine se impressionou ao assistir ao documentário, conforme dito por ele em sua autobiografia, já que a banda também se encontrava perdida nas drogas naqueles tempos.
Outro ponto discutido é a obsessão por sexo (tanto por parte dos homens, quanto das mulheres). A depreciação e dominação da figura feminina é tratada de forma normal pelos e pelas headbangers, em frases constrangedoras que refletem o pensamento da época (atentem-se às histórias contadas pelos integrantes do London). Mais ao final, há um concurso de garotas sensuais onde os jurados são os integrantes das próprias bandas...imaginem só.
Finalmente, os shows, talvez, o ponto alto do documentário. Algumas bandas têm, aqui, o seu único registro oficial e a diretora fez questão de colocar as bandas que eram consideradas a promessa do estilo na época. Elas aparecem tocando em clubes pequenos da Sunset Strip, onde o fã que assistiria ao documentário pudesse se identificar, já que era onde frequentavam:
O Lizzy Borden havia acabado de lançar seu melhor trabalho, "Visual lies" e estava com uma line up de primeira, afiadíssima, que simplesmente quebrou tudo com o cover de "Born to be wild", em uma versão de encher o Steppenwolf de orgulho.
O Seduce demonstrou sua faceta Heavy, quase Speed Metal,com a assustadora "Crash Landing".
O Faster Pussycat estava lançando seu ótimo primeiro trabalho e executou duas músicas de lá, a cativante "Cathouse" e a matadora "Bethroom wall". O visual do Taime misturava o figurino do Axl Rose e do Steven Tyler, o que ficou muito legal.
O London, uma das melhores e mais injustiçadas bandas, embora não estivesse mais contando com nenhum integrante que viesse a fazer parte do Motley Crue, WASP, Cinderella ou do Guns and Roses, estava com outros excelentes integrantes, sobretudo o ótimo vocalista Nadir D'Priest, dono de uma voz que lembrava o timbre de Ronnie James Dio. Executaram duas músicas, "Breakout" (que somente sairia na compilação "The Metal Years") e a regular "Russian Winter", que estaria presente no último álbum da banda, que é o melhor da carreira deles, "Playa del Rock" (anos depois, Nadir D'Priest o lançou com o seu nome em carreira solo, provavelmente uma causa judicial que ele ganhou).
O Odin, mesmo sendo fraca em estúdio, funcionava muito bem ao vivo e apresentou de forma muito boa o seu Hard Rock tipicamente oitentista com "Little gypsy" e "12 o'clock high".
Mas a melhor apresentação foi a do Megadeth - a mais conhecida dessas bandas já naqueles tempos mais ainda restrita ao
underground. Era a formação do álbum "So far, so good, so what", que durou muito pouco tempo, executando "In my darkest hours". O público foi ao delírio, tomou o palco e roubou a cena, fazendo com que as imagens fossem utilizadas no seu clip oficial.
"Os anos do Heavy Metal" pode ter reforçado a ideia preconceituosa de que os roqueiros são bêbados e drogados. Mas, mesmo assim, é um documentário obrigatório de se ter, pois poucas vezes o sentimento e o espírito de época foram tão bem retratados - algo que jamais sairá da nossa mente e dos nossos corações.
Publicada originalmente no site 80 minutos:
https://80minutos.com.br
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