Eric Clapton: ele tentou ajudar Maradona a abandonar as drogas
Por Igor Miranda
Postado em 30 de novembro de 2020
O gigante guitarrista Eric Clapton tentou ajudar Diego Armando Maradona, lendário jogador de futebol argentino que faleceu no último dia 25 de novembro, a livrar-se do vício em drogas. A informação foi revelada pela colunista María Laura Avignolo, do jornal argentino Clarín.
A jornalista contou que havia um acordo entre ela e outro colega de profissão, um britânico identificado apenas como Ian e que trabalhava no semanal The Observer, para que a história não fosse divulgada enquanto Maradona estivesse vivo. O caso só foi revelado na última semana, após a morte do ex-atleta.
O texto aponta que na época do contato feito por Eric Clapton - em ano não especificado pela coluna -, Diego Maradona estava passando um tempo em Cuba para tentar se curar de seus vícios. Porém, a situação de Maradona piorou no país, visto que em meio às visitas de amigos, más companhias também rodeavam o ex-jogador.
"Seu empresário Guillermo Coppola falava em código: eles sabiam que estavam sendo ouvidos e vigiados. Fidel Castro (presidente de Cuba e amigo de Maradona) não tinha interesse na deterioração da saúde do ídolo do futebol em Cuba", diz a publicação.
Por meio do jornalista britânico do The Observer, foi iniciado um "longo processo" para estabelecer contato entre Maradona e Eric Clapton. A ideia era levar o lendário jogador de futebol para a clínica Crossroads Center, mantida por Clapton, ex-dependente químico, desde 1988 no Caribe.
O texto definiu a clínica como "a salvação para Diego". "Um oásis de paz, serenidade e amor para acalmar os demônios da alma. Um compromisso com a abstinência de álcool e drogas. Uma mudança de estilo de vida para resistir à abstinência e ao crescimento pessoal na recuperação. [...] Um tratamento da mais alta qualidade, mas acessível a todos, ao qual Diego Maradona não ia pagar um centavo", diz.
Quando a ideia foi sugerida a Maradona, Eric Clapton já havia dado aval, mas estava em turnê pelo Japão. Além do problema de fuso horário, o ex-atleta trocava de celular todos os dias, para não ser monitorado em Cuba e continuar com sua rotina de vícios.
"Com enorme paciência, após muitas tentativas, Clapton ligou do Japão. Diego o atendeu. Alguém estava traduzindo. O guitarrista falou sobre sua admiração a Maradona, seus demônios, a necessidade de se tratar, sua experiência. O jogador prometeu ir. Clapton se ofereceu para mandar alguém buscá-lo", afirma a publicação.
Apesar disso, Maradona jamais foi à clínica - permaneceu em Cuba, onde seus vícios se intensificaram naqueles tempos. De acordo com o Clarín, ele e Clapton não se falaram mais depois disso.
O adeus a Maradona
Diego Armando Maradona morreu no último dia 25 de novembro, aos 60 anos, após uma parada cardiorrespiratória. Ele estava se recuperando de uma cirurgia no cérebro.
Ainda muito jovem, o atleta despontou pelo Argentinos Juniors entre 1976 e 1981, jogando pelo Boca Juniors do ano em questão até 1982, quando foi transferido para o Barcelona - onde encantou, mas não ofereceu tudo o que poderia.
Maradona acabou deixando o time catalão em 1984 e seguiu para o Napoli, onde fez história: marcou 199 jogos em 259 partidas e conquistou inúmeros títulos. Em meio a tudo isso, também surpreendeu em Copas do Mundo, pela Argentina: conquistou o troféu mundial em 1986, sendo o melhor atleta daquela edição do torneio.
Durante toda sua trajetória, Maradona lutou contra o vício e chegou a ser pego no exame antidoping em algumas situações - a mais lembrada foi na Copa do Mundo de 1994.
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