"Tudo que eu não queria ser": o guitarrista com quem Jeff Beck não queria ser comparado
Por Bruce William
Postado em 05 de maio de 2025
Jeff Beck sempre foi um guitarrista inquieto. Mesmo com o reconhecimento internacional, nunca se acomodou em fórmulas prontas ou virtuosismo gratuito. Em entrevista concedida a Paul Guy em 1999 (via Far Out), ele comentou como uma crítica — escrita para outro músico — acabou atingindo-o de forma direta e transformadora.
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"Li uma resenha de um show do Ronnie Wood, e diziam algo como: 'Ronnie Wood, diferente de certas pessoas, sabe a hora de parar'. Eu fiquei vermelho. Pensei: 'Eles estão falando de mim!'. E aquilo mexeu comigo. Usei essa crítica de forma construtiva."
No mesmo papo, Beck foi direto ao comentar sobre um antigo parceiro de cena. "Você fala dos anos 1970... solos de guitarra de 20 minutos, sem pausa, nota ligada em nota, sem respiro. O último show que vi foi o auge de tudo que eu não queria ser, ficar ali repetindo por horas o mesmo riff." O alvo da crítica era Eric Clapton, com quem Beck teve uma relação de admiração mútua, mas também de muitas diferenças artísticas.
Em vez de seguir pelo caminho do excesso, Jeff Beck preferia músicos que sabiam o valor do silêncio. "Fui muito influenciado pelo Scotty Moore, Albert Lee e Steve Cropper, eles sabiam exatamente a hora de tocar ou ficar calado. O riff enxuto do Cropper em 'Green Onions' é genial. Esses caras são reis."
Essa busca pela medida certa se refletiu em discos como "Emotion & Commotion" (2010), em que Beck priorizou fraseado, melodia e sentimento. Mais do que impressionar pela técnica, ele queria tocar a alma de quem ouvia. Beck não renegava seu passado, mas deixou claro que seu objetivo sempre foi evoluir — e manter distância da caricatura do guitarrista que toca demais e diz pouco.
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