Angra: Felipe fala sobre fãs da banda e xororô; "o fã é meio mimado nesse sentido"
Por Emanuel Seagal
Postado em 22 de julho de 2021
Felipe Andreoli, baixista do Angra, participou do Colisão Podcast, em um bate papo de cerca de 3 horas. Conforme transcrito abaixo pelo Whiplash.Net o músico falou sobre os fãs da banda que muitas vezes não dão chance para que os artistas explorem novos caminhos.
"Quando entrei no Angra a Internet estava mais embrionária mas já tinha os fóruns, mIRC. Eu sinto que hoje o fã tem um lance mais, em Inglês eles chamam de 'entitled', que é o cara achar que tem direitos sobre alguma coisa que não necessariamente ele tem. Se você não faz o disco que aquele cara quer, a banda é uma bosta e morreu, entendeu? Não existe mais aquela coisa de você esperar o disco de uma banda e ver o que eles vão te apresentar e você decidir se você gosta ou não, ter uma mente aberta. 'Se esse cara lançou esse disco, que é o mesmo cara que lançou aquele outro disco, deixa eu ver o que ele está propondo' e tentar entender, porque um som como o do Angra não é um som que você ouve uma vez e sai cantando, você precisa de tempo para absorver, você precisa de uma certa boa vontade para absorver", afirmou.
Ayka, um dos apresentadores, citou o caso da banda sueca Meshuggah, que é conhecida por ser uma banda difícil de assimilar. "Você precisa de uma certa boa vontade para entender o Meshuggah, é um som complicado", respondeu Felipe.
"Então se o cara já parte do princípio que ele não ouviu 'Carry On', não ouviu 'Nova Era', não ouviu 'Spread Your Fire' naquele disco novo então não presta, só que onde está aquela história do artista propor novos caminhos, do artista se reinventar, do artista crescer e mudar, e outra, os fãs falam isso como se eles concordassem entre si qual que é o Angra ideal, mas eles discordam. Tem um cara que acha que o Angra ideal é só speed metal, tem o cara que acha que o Angra ideal é só prog, tem o cara que acha que o Angra ideal é só o que fez o 'Holy Land', e se você agrada um, você desagrada o outro. Todo disco do Angra, pra citar o Angra que é uma banda que sofre muito com esse tipo de xororô. Todo disco do Angra é muito diverso e atende todos esses estilos, mas se você não pesa a mão para o lado que o cara quer, a banda morre. 'Ah, o Angra agora é isso', e você é tachado disso e acabou. Então o fã é meio mimado nesse sentido", complementou.
Após uma conversa com os apresentadores a respeito dos fãs do Sepultura que se dividem entre quais fases a banda "acabou", Felipe Andreoli também defendeu o direito de um fã deixar de acompanhar uma banda após certas mudanças, citando o próprio Angra como exemplo.
"Eu digo isso entendendo completamente que:
1º - O cara não é obrigado a gostar.
2º - Eu posso realmente fazer uma música que frustre as expectativas das pessoas, porque é aquilo que eu quero fazer, é uma decisão minha, e quando você coloca um disco na praça, você está sujeito a críticas desse tipo. Tem gente que vai gostar, tem gente que não vai gostar.
3º - Eu não acho que o cara tenha obrigação de seguir uma banda depois que o artista do coração dele morreu, exemplo: Andre Matos, ou saiu da banda, como o Edu Falaschi. Ele não tem obrigação de gostar do cara que entrou no lugar, nenhuma. Eu tenho bandas em que depois que o fulano saiu ou a formação mudou eu não ouço mais.
O que eu não entendo é energia gasta por essas pessoas que continuam falando sobre a banda e enchendo o saco 20 anos depois. Esse hate aí eu não entendo. O sentimento 'não, o Angra pra mim era com o Andre', tudo certo, agora o hate 20 anos depois esse é difícil de entender. Parece que a pessoa se sente ofendida que a banda continuou, quando ele achou que não deveria continuar."
A entrevista completa pode ser assistida abaixo.
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