Pete Townshend relembra época em que era perseguido pelos punks
Por André Garcia
Postado em 04 de janeiro de 2023
Ao longo da primeira metade da década de 70, o rock ficou chato. Além da acomodação de muitos dos medalhões sessentistas, imperava os alienantes excessos do rock progressivo. Dessa forma, o surgimento do punk foi marcado pela ruptura, a rejeição com o passado. Até pouco tempo idolatradas, bandas como Pink Floyd, Led Zeppelin e The Who foram consideradas dinossauros, e tratadas como inimigos públicos.
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Em uma memorável citação de 1995 para a Time, Pete Townshend falou da perseguição que sofreu no reinado do punk: "Aquilo foi muito, muito excitante, desafiador, e foi um martírio para o Pete aqui, vou te contar [risos]. Eu acolhi aquilo, apoiei e queria ver acontecer, aí então percebi que quem estava na mira deles era eu."
Efêmero, o punk passou com a mesma velocidade com que surgiu. Dessa forma, em 1979 já estava em declínio, já começou a ser considerado antiquado. Pior que isso, acabou se tornando justamente aquilo que tanto condenava.
Conforme publicado pela Rock and Roll Garage, em entrevista daquele ano Townshend comentou a perseguição que sofria dos punk rockers. Após definir "Pretty Vacant" (Sex Pistols) como uma "versão moderna" de "My Generation" (The Who), ele disse:
"O que era incrível era que os shows eram tão frenéticos, tão violentos, principalmente nos primeiros seis meses da coisa, quando [surgiram] bandas como The Clash, The Vibrators e Sex Pistols. Sabe, o Sex Pistols não era capaz de tocar em público — era tão ruim assim. Eles tinham que fazer shows sem serem anunciados. Por consequência disso, pouquíssimos chegaram a ver eles, [eu não vi], mas vi várias outras bandas. Eu costumava ir aos clubes e ficar lá sendo xingado. Apenas ficar lá e aguentar aqueles moleques esnobes me chamando de 'peido velho chato' [risos]."
Há quem considere que a última pá de cal na geração original do punk foi o The Clash ter "traído o underground" para se tornar mainstream. O que aconteceu em 8 de maio de 1982, quando fez um enorme show no estádio Wembley, por ironia do destino, com abertura do The Who.
The Who
O The Who surgiu da combinação do vocal vigoroso de Roger Daltrey, a bateria selvagem e não-ortodoxa de Keith Moon, o baixo estrondoso de John Entwistle e a ousada guitarra de Pete Townshend, líder da banda. Embora tivessem pouco em comum e personalidades conflitantes, contrariando a lógica, juntos tinham grande química musical.
Seu álbum de estreia "My Generation", tendo a faixa-título como maior hit, mesclou canções pops com faixas mais pauleiras, amplamente citadas como influência pelas bandas punk. Ao longo dos anos 60, o grupo seguiu emplacando sucessos e se estabeleceu como terceira força do rock britânico, atrás apenas dos Beatles e Rolling Stones.
Na década de 70, se consolidou em definitivo na primeira prateleira do rock com álbuns como "Who's Next" (1971) "Quadrophenia" (1973), além de hits como "Who Are You". No entanto, em 1978 o grupo foi sacudido pela morte de Keith Moon e, com Kenney Jones (ex-The Faces) nas baquetas, chegou a lançar "Face Dances" (1981) e "It's Hard" (1982); que não foram bem recebidos. Depois deles foram lançados apenas "Endless Wire" (2006) e "WHO" (2019).
Em 1996, a banda ganhou o reforço de Zak Starkey na bateria — filho de Ringo Starr —, mas em 2002 perdeu um de seus membros fundadores com a morte de John Entwistle.
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