Marcelo Barbosa diz que excesso de conteúdo tornou guitarristas atuais menos focados
Por Gustavo Maiato
Postado em 20 de julho de 2023
Hoje em dia, diversos canais de YouTube sobre guitarra existem, mas será que esse excesso de conteúdo não teve o efeito contrário e deixou as pessoas menos focadas? Em entrevista a Mateus Starling, o guitarrista Marcelo Barbosa, do Angra, refletiu sobre o assunto.
"Nossa geração era ainda mais focada e possuía uma força de vontade maior, né? Isso se deve à escassez de conteúdo disponível. Lembro-me que às vezes comprava apenas um método, como o "Frank Gambale, Speed Picking", e era tudo que eu tinha para estudar. Então, eu tirava tudo, da primeira à última página, porque queria aprender coisas novas.
Não sou do tipo que diz: "Sou extremamente focado em estudar apenas isso, e pronto!". Vamos lá, quero aprender coisas novas. Fiz isso com alguns livros e métodos. No momento atual, isso é totalmente compreensível, afinal, seguimos 60 guitarristas bons pra caramba, excelentes, do mundo inteiro. E toda vez que abrimos o YouTube, temos 70 novas aulas, não é? Como podemos nos aprofundar em algo assim? Acabamos nos tornando especialistas em generalidades.
Uma coisa que sempre me chama atenção é o seguinte: estava vendo um estudo em que o autor dizia que, se você se dedica, no mínimo, 18 minutos por dia, todos os dias, a uma habilidade, qualquer que seja, você estará à frente de 92% da população. Eu não duvido disso, afinal, quantas pessoas você conhece que dedicam 18 minutos todos os dias a estudar alguma coisa?

Não são muitas, certo? Estou apenas dizendo que a média é baixa, e se você se mantém consistente, com essa frequência, estará muito acima da média. Muitas pessoas não conseguem manter essa consistência e frequência. Mas se você acrescenta a intensidade ao processo, aí sim, amigo, você vai longe".
Já Mateus Starling se lembrou do ensinamento que diz que é preciso 10 mil horas de estudo para alcançar o sucesso em qualquer área da vida.
"A gente cai naquela questão das "10.000 horas de estudo", que é uma média em quase qualquer área de pesquisa. Então, se você estuda por cinco ou seis horas por dia, fiz um cálculo rápido aqui, são aproximadamente 7 ou 8 anos. Lembro-me da época em que começamos a tocar, com 11 ou 12 anos, éramos meio vagabundos no sentido de não ter que trabalhar, e assim, até os 18 anos, já são seis anos praticando. É quase chegando ao tempo das "10.000 horas", disse.
Marcelo Barbosa e as guitarras
Recentemente, no seu stories do Instagram, Marcelo Barbosa refletiu sobre outro assunto que aparece muito no mundo da guitarra: quem é o melhor de todos os tempos?
"Nunca entendi direito esses rankings e nunca liguei para eles. Apesar de ter ficado em primeiro lugar no Brasil algumas vezes. Quem é o melhor guitarrista? É o que você mais gosta? O que tem mais fãs para votar? O que toca mais rápido? O que compõe músicas mais bonitas? Que improvisa livremente sobre uma harmonia complexa? Então, em primeiro lugar seria necessário deixar claro o critério.
Em segundo lugar, arte não é um esporte no qual para um ganhar outros têm que perder. É claro que figurar em uma lista como esta é legal em termos de marketing e acaba sendo um termômetro da sua popularidade acima de tudo. Mas a verdade é que se você vai fazer música pensando no objetivo de ser melhor que os outros acho que a obra já começa de um lugar esquisito. Admiro demais inúmeros guitarristas, tenho os meus favoritos, mas mesmo que sejam os melhores para mim, não quer dizer que de fato sejam os melhores", disse.
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