O pior álbum lançado pelo Black Sabbath, e que acabou com o casamento de Tony Iommi
Por Bruce William
Postado em 10 de julho de 2024
A chamada "era Ozzy" do Black Sabbath marcou uma fase crucial na história do rock e heavy metal. Ela tem este nome por trazer Ozzy Osbourne como vocalista, e aconteceu entre o final dos anos sessenta e setenta, época em que a banda lançou álbuns icônicos que definiram o gênero como "Black Sabbath" (1970), "Paranoid" (1970), "Master of Reality" (1971), e "Sabbath Bloody Sabbath" (1973). Esses discos foram fundamentais para estabelecer o som pesado e sombrio característico do heavy metal, calcado nos riffs poderosos de Tony Iommi, nas letras apocalípticas que emolduravam a voz inconfundível de Ozzy, apoiados pelo trabalho sólido de Geezer Butler no baixo e as batidas contundentes de Bill Ward na bateria. Juntos, estes quatro elementos não apenas ajudaram a criar um novo gênero musical, mas também serviram de influência sobre gerações de músicos e fãs de rock ao redor do mundo.
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Mas as coisas começaram a ficar complicadas no final daquela década. Conflitos pessoais, o uso abusivo de drogas e álcool, e a pressão constante do sucesso levaram a tensões crescentes entre os membros. Essas dificuldades culminaram com a saída de Ozzy Osbourne em 1979, após a gravação do álbum "Never Say Die!" (1978), devido ao seu comportamento errático e ao seu abuso de substâncias.
Curiosamente, "Never Say Die" deveria ser a volta ao topo da banda, que estaria naquele ano comemorando os seus primeiros dez anos de estrada com uma turnê monumental que varreria EUA e Europa. As gravações, entretanto, foram muito complicadas: "Não havia tempo para parar e refletir sobre nada que estava sendo feito! 'Never Say Die' foi um disco difícil, muito difícil... feito às pressas. Tínhamos que compor e tocar todas as partes no estúdio porque o trabalho todo estava sendo refeito, e no final da tarde era preciso abandonar tudo e só recomeçar no dia seguinte, porque o estúdio já tinha sido alugado para outra banda. Foi um caos!", disse Iommi.
Geezer Butler não apenas concorda como relembrou em entrevista de 2023 ao Metal Edge quando as coisas começaram a ir por água abaixo para a banda: "Tinha muitos problemas além das drogas e a bebedeira. Uma vez, quando finalmente tivemos tempo de folga das turnês, nos perguntamos onde estava todo o dinheiro. E quando questionamos nossos empresários por que nossa grana estava diminuindo, mesmo vendendo discos, nunca recebíamos uma resposta direta. Tinha muito dinheiro que a gente simplesmente não via a cor, aí o pagamento de impostos virou um problema decorrente dessas questões financeiras. Então, foi aí que as coisas começaram a dar errado para o Sabbath".
Para o baixista, a situação ficou tão caótica que se refletiu sobre o resultado final do disco, que para ele é o pior lançado pelo quarteto: "E digo que o 'Never Say Die' é certamente o pior álbum que fizemos. O motivo para isso é que tentamos tomar conta de tudo, inclusive produzindo o disco, mas na verdade a gente não tinha ideia do que estava fazendo. E a essa altura a gente perdia mais tempo com advogados e tribunais do que trabalhando no estúdio. Havia muita pressão sobre a gente, e as composições sofreram com isso".
Tony Iommi, em declaração de 1992 para a Guitar World, revelou que aquilo tudo chegou a mexer com questões pessoais dos integrantes: "Pouco antes de gravarmos o 'Never Say Die!', Ozzy saiu da banda. A gente não queria que ele saísse, e acho que ele queria voltar, mas ninguém queria dizer ao outro como se sentia. Então tivemos que trazer outro cantor e escrever todo o material novo. Depois, dois dias antes de finalmente começarmos a gravar, Ozzy decidiu voltar. Só que ele não queria cantar nenhuma das coisas que tínhamos feito sem ele! Bill teve que cantar em uma faixa porque Ozzy se recusou. Acabamos tendo que escrever durante o dia para poder gravar à noite, e nunca tivemos tempo para revisar as faixas e fazer mudanças. Como resultado disso, o álbum soa muito confuso. A mixagem do álbum até fez meu casamento acabar. Assim como aconteceu com o 'Technical Ecstasy', todo mundo foi tirar férias quando chegou a hora de mixar. Minha esposa ficava perguntando: 'Por que você é o único trabalhando enquanto todos estão em Barbados [risos]?'"
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