Por que o RPM não gravou o quarto disco de estúdio, segundo Paulo Ricardo
Por Gustavo Maiato
Postado em 24 de dezembro de 2024
Uma entrevista com Paulo Ricardo, resgatada pelo canal A História de uma Revolução no YouTube, jogou luz sobre o motivo que levou ao fim do RPM antes do lançamento de um quarto disco de estúdio. Segundo o vocalista, divergências musicais irreconciliáveis entre os integrantes culminaram no rompimento da banda, mesmo após o sucesso de trabalhos anteriores.
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Paulo Ricardo revelou que, já durante a produção do terceiro álbum, "Quatro Coiotes", os desentendimentos criativos começaram a ficar evidentes. "O terceiro disco já foi bem difícil", relembra. "No quarto, não teve acordo de jeito nenhum. Cada um queria puxar o negócio para um lado."
Os conflitos se intensificaram devido às influências musicais distintas dos membros da banda. Paulo descreve como cada integrante buscava moldar o som do grupo de acordo com suas preferências:
"O P.A. é um baterista de rock pesado, um cara Led Zeppelin. O Nando [Fernando Deluqui] é um guitarrista hard rock, e eu sou mais pop, gosto de música melódica, de Beatles e tal. Eu tinha influência de funk, e o Luiz Schiavon com aquela coisa mais do rock progressivo."
O ponto de maior tensão surgiu na disputa entre as guitarras e os teclados. Paulo explicou que ele e Deluqui queriam um som mais pesado e orgânico, inspirado em clássicos do rock, enquanto Luiz Schiavon desejava explorar sonoridades eletrônicas e tecno pop, características que marcaram boa parte da década de 1980. "O Luiz queria levar o grupo para um lado mais tecnológico, trabalhar com máquinas, enquanto nós queríamos algo mais rock and roll mesmo", afirmou.
Essa diferença de visões gerou um impasse: "A gente queria colocar o teclado de uma maneira mais swing, como um órgão Hammond, algo mais blues, mais dentro do rock. Não queríamos seguir aquela linha de tecno pop que marcou os anos 80."
O desentendimento chegou a um ponto em que a banda não conseguiu mais encontrar uma direção comum. Paulo Ricardo admitiu que o grupo reconheceu sua incapacidade de conciliar as tendências opostas:
"Basicamente, a coisa foi musical. É muito difícil botar tudo que todo mundo quer numa mesma canção. A gente acabou admitindo nossa incapacidade de conciliar essas tendências diferentes." Luiz Schiavon, sentindo-se tolido em suas ideias criativas, optou por sair, e o RPM encerrou as atividades antes de concretizar o quarto álbum de estúdio.
RPM e a segunda separação
Após retornar em 2001 com o hit "Vida Real", o RPM enfrentou novos conflitos internos que levaram à separação em 2003. De acordo com o canal A História de uma Revolução – Paulo Ricardo & RPM, as causas foram divergências criativas e disputas pelo registro do nome da banda.
Com planos para um novo álbum, as diferenças criativas emergiram rapidamente. Paulo Ricardo queria incorporar elementos da música eletrônica, enquanto Luiz Schiavon e Fernando Deluqui preferiam manter o estilo que consagrou a banda nos anos 1980. Esse impasse tornou impossível avançar com o projeto, gerando tensões entre os integrantes.
Em 2003, Paulo Ricardo registrou a marca RPM em seu nome, alegando que a lei exigia um único titular. No entanto, Schiavon e Deluqui afirmaram que a ação foi feita sem o consentimento deles. A criação da empresa RPM Entretenimento por Paulo agravou a situação, gerando um rompimento definitivo.
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