Paulo Ricardo reflete sobre drogas: "Como você conversaria com seus filhos sobre?"
Por Gustavo Maiato
Postado em 18 de outubro de 2025
Em entrevista ao canal da Trip, o cantor Paulo Ricardo fez um dos relatos mais sinceros e reflexivos de sua carreira ao abordar a relação de sua geração com as drogas - em especial, a cocaína, símbolo de uma época em que o glamour e a falta de informação se misturavam à rebeldia do rock.
O papo começou quando o apresentador trouxe o tema à mesa e contou uma experiência pessoal: havia conversado sobre cocaína com seus filhos adolescentes, nascidos nos anos 2000, e ficou surpreso com o interesse e a curiosidade deles sobre o assunto. "Eles queriam saber o que era exatamente essa merda", contou o entrevistador.

Ele então relatou ter explicado da forma mais honesta possível, sem rodeios: "Eu tenho vários amigos que morreram por causa da cocaína. Eu tenho uma cadernetinha antiga de telefones, daquelas que a gente usava nos anos 80, com vários nomes riscados - pessoas que morreram por overdose, por complicações da dependência química, ou que simplesmente se inviabilizaram socialmente."
José Ricardo Peret | Gustavo Anunciação Lenza | Roberto Luis Pertsew | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Luis Alberto Braga Rodrigues | Reginaldo Manuel Soares de Faria | Paulo Eduardo Farias | Thomas Wisiak | Rogerio Antonio dos Anjos | Miguel Angelo Leal | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
O apresentador concluiu dizendo que, à época, ninguém sabia o grau de destruição da droga: "Parecia legal, interessante. Tinha uma coisa de euforia, um certo glamour. Era a geração dos yuppies, do pessoal que ganhava dinheiro em Wall Street, e nós aqui, meio otários, olhando praquele canto da sereia."
A partir daí, Paulo Ricardo fez uma profunda reflexão sobre o contexto histórico da época e sobre como sua geração encarava as drogas de modo quase "ingênuo", antes de a consciência sobre o vício e seus efeitos se consolidar.
"Tudo na vida tem um contexto. Quando nós - e fico feliz de poder falar 'nós', porque temos a mesma idade - éramos adolescentes, víamos nossos ídolos e líamos poetas como Blake e Rimbaud, que falavam sobre os paraísos artificiais. Pra nós, aquilo era um mistério, uma travessia mística que parecia revelar algo maior", contou o cantor.
Paulo Ricardo e as drogas
Segundo ele, essa busca fazia parte de um imaginário de liberdade e autodescoberta que definia a juventude dos anos 1970 e 1980. "Não havia essa consciência. Era como ver filmes antigos em que o médico operava fumando cigarro. Hoje parece absurdo, mas na época era normal. Metade do avião podia fumar, imagina isso. Era outra cabeça", comparou.
Paulo ainda afirmou que, naquela época, o uso de drogas era visto como uma forma de experimentação e até de elevação artística - não como um problema de saúde pública: "Nós estávamos na pré-história da droga. Não se falava de tráfico, não se falava de dependência como hoje. Era uma coisa que parecia libertária. 'Põe um LSD aí, experimenta'. A gente tinha 13, 14 anos. Não estou dando desculpa, só contextualizando: para a nossa geração, era muito mais uma questão de liberdade do que de crime."
O cantor, que viveu intensamente o auge do rock brasileiro nos anos 1980 com o RPM, lembrou que o uso de drogas também estava associado à imagem de sucesso: "Havia uma euforia no final dos anos 70, uma sensação de que as drogas estavam ligadas ao sucesso, ao acesso, a um certo glamour. Uma ilusão total, que poucos anos depois se transformou em crime organizado."
Mesmo sem cair em moralismos, Paulo Ricardo foi direto ao ponto ao avaliar o impacto da experiência: "Não vou ser moralista, acho perda de tempo. Tendo passado por isso, posso dizer: é perda de tempo. Você fica ali, vendo Cartoon Network na larica e esperando uma iluminação que nunca vem. Eu não posso dissociar as experiências que vivi, mas hoje, com o distanciamento, entendo que faz parte de um período de experimentação. Só que eu não recomendo."
Para ele, a juventude é naturalmente uma fase de testes - mas hoje há informação suficiente para evitar erros do passado: "Na juventude, a gente experimenta de tudo: sexualmente, na alimentação, nos esportes. As drogas fazem parte desse cardápio da vida. Mas nós vivemos uma época em que não se sabia o que era isso. Assim como vivemos antes da cultura fitness, sem saber que todo mundo precisava se exercitar, ou antes de saber que fumar fazia mal. Agora a gente já sabe. Então, se você quiser se drogar, é por sua conta e risco. Se não quiser, problema seu. Em nossa defesa, nós não sabíamos. Parecia uma coisa muito legal na época."
Confira a entrevista completa abaixo.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Como Jason Newsted criou o riff de "Blackened" do Metallica e a reação de James e Lars
O roqueiro brasileiro que se queimou com Jô Soares após falar mal de Ayrton Senna
O lado mais egoísta da humanidade inspirou a história de um dos maiores clássicos de Dio
A música do Iron Maiden que influenciou o Big Four do thrash metal, segundo o Ultimate Guitar
"Nevermind" (Nirvana) ultrapassa "Back in Black" (AC/DC) e "Dark Side..." (Pink Floyd) em vendas
As 10 melhores músicas do R.E.M., segundo os leitores da Rolling Stone
Ozzy sabia que estava morrendo, segundo Sharon Osbourne
Marko Hietala arrisca palpite sobre o que levou Floor Jansen a sair do Nightwish
Novo disco de Tony Iommi mantém acesa a chama do Sabbath, segundo resenha da Classic Rock
Nicko McBrain revela que indicou Aquiles Priester para seu lugar no Iron Maiden
"Stairway to Heaven" nem "Comfortably Numb"? O solo que Slash coloca acima de todos
O show que quase fez Bono ser demitido do U2 e acabou mudando a história da banda
"O After Forever atual é uma banda cover", diz Floor Jansen
Os cinco melhores discos do Megadeth, segundo Mateus Ribeiro
A pior banda gaúcha de rock de todos os tempos, segundo Rogério Skylab
Prika Amaral explica por que decidiu se tornar vocalista da banda Nervosa
Como não conhecia "Galopeira", Axl se inspirou em música dos 80s para clássico do GNR
Como a morte violenta do namorado bem na sua frente mudou a vida de Rob Halford

Como as drogas acabaram com a carreira do RPM, segundo Manoel Poladian
O que quem está usando drogas hoje precisa entender, segundo Fernando Deluqui do RPM
Paulo Ricardo escrevia "RPM" com cocaína e depois todos cheiravam o "RPM"
Os 5 melhores guitarristas de todos os tempos, segundo Fernando Deluqui (ex-RPM)
RPM - O Legado lança o álbum duplo "Visceral" com participações de nomes do rock brasileiro
Paulo Ricardo revela a verdadeira origem de "Rainha", clássico do RPM
O dia que hospital dos EUA julgou que RPM não tinha grana e Paulo Ricardo mostrou fortuna
