Paulo Ricardo reflete sobre drogas: "Como você conversaria com seus filhos sobre?"
Por Gustavo Maiato
Postado em 18 de outubro de 2025
Em entrevista ao canal da Trip, o cantor Paulo Ricardo fez um dos relatos mais sinceros e reflexivos de sua carreira ao abordar a relação de sua geração com as drogas - em especial, a cocaína, símbolo de uma época em que o glamour e a falta de informação se misturavam à rebeldia do rock.
O papo começou quando o apresentador trouxe o tema à mesa e contou uma experiência pessoal: havia conversado sobre cocaína com seus filhos adolescentes, nascidos nos anos 2000, e ficou surpreso com o interesse e a curiosidade deles sobre o assunto. "Eles queriam saber o que era exatamente essa merda", contou o entrevistador.

Ele então relatou ter explicado da forma mais honesta possível, sem rodeios: "Eu tenho vários amigos que morreram por causa da cocaína. Eu tenho uma cadernetinha antiga de telefones, daquelas que a gente usava nos anos 80, com vários nomes riscados - pessoas que morreram por overdose, por complicações da dependência química, ou que simplesmente se inviabilizaram socialmente."

O apresentador concluiu dizendo que, à época, ninguém sabia o grau de destruição da droga: "Parecia legal, interessante. Tinha uma coisa de euforia, um certo glamour. Era a geração dos yuppies, do pessoal que ganhava dinheiro em Wall Street, e nós aqui, meio otários, olhando praquele canto da sereia."
A partir daí, Paulo Ricardo fez uma profunda reflexão sobre o contexto histórico da época e sobre como sua geração encarava as drogas de modo quase "ingênuo", antes de a consciência sobre o vício e seus efeitos se consolidar.
"Tudo na vida tem um contexto. Quando nós - e fico feliz de poder falar 'nós', porque temos a mesma idade - éramos adolescentes, víamos nossos ídolos e líamos poetas como Blake e Rimbaud, que falavam sobre os paraísos artificiais. Pra nós, aquilo era um mistério, uma travessia mística que parecia revelar algo maior", contou o cantor.
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Segundo ele, essa busca fazia parte de um imaginário de liberdade e autodescoberta que definia a juventude dos anos 1970 e 1980. "Não havia essa consciência. Era como ver filmes antigos em que o médico operava fumando cigarro. Hoje parece absurdo, mas na época era normal. Metade do avião podia fumar, imagina isso. Era outra cabeça", comparou.
Paulo ainda afirmou que, naquela época, o uso de drogas era visto como uma forma de experimentação e até de elevação artística - não como um problema de saúde pública: "Nós estávamos na pré-história da droga. Não se falava de tráfico, não se falava de dependência como hoje. Era uma coisa que parecia libertária. 'Põe um LSD aí, experimenta'. A gente tinha 13, 14 anos. Não estou dando desculpa, só contextualizando: para a nossa geração, era muito mais uma questão de liberdade do que de crime."

O cantor, que viveu intensamente o auge do rock brasileiro nos anos 1980 com o RPM, lembrou que o uso de drogas também estava associado à imagem de sucesso: "Havia uma euforia no final dos anos 70, uma sensação de que as drogas estavam ligadas ao sucesso, ao acesso, a um certo glamour. Uma ilusão total, que poucos anos depois se transformou em crime organizado."
Mesmo sem cair em moralismos, Paulo Ricardo foi direto ao ponto ao avaliar o impacto da experiência: "Não vou ser moralista, acho perda de tempo. Tendo passado por isso, posso dizer: é perda de tempo. Você fica ali, vendo Cartoon Network na larica e esperando uma iluminação que nunca vem. Eu não posso dissociar as experiências que vivi, mas hoje, com o distanciamento, entendo que faz parte de um período de experimentação. Só que eu não recomendo."

Para ele, a juventude é naturalmente uma fase de testes - mas hoje há informação suficiente para evitar erros do passado: "Na juventude, a gente experimenta de tudo: sexualmente, na alimentação, nos esportes. As drogas fazem parte desse cardápio da vida. Mas nós vivemos uma época em que não se sabia o que era isso. Assim como vivemos antes da cultura fitness, sem saber que todo mundo precisava se exercitar, ou antes de saber que fumar fazia mal. Agora a gente já sabe. Então, se você quiser se drogar, é por sua conta e risco. Se não quiser, problema seu. Em nossa defesa, nós não sabíamos. Parecia uma coisa muito legal na época."
Confira a entrevista completa abaixo.

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