Por que letras do Ira! quase não têm rimas, segundo Edgard Scandurra
Por Gustavo Maiato
Postado em 16 de janeiro de 2025
Rimar é um recurso bastante presente em músicas de diversos estilos musicais e no rock não seria diferente. No caso da banda Ira!, entretanto, a presença de palavras que terminam com a mesma sonoridade não é muito comum.
Em entrevista ao Corredor 5, o guitarrista Edgard Scandurra explicou que esse traço presente nos versos do Ira! começou a ganhar força quando ele iniciou sua vida de compositor com muita influência da língua inglesa. Ele comentou sobre a música "Saída", que fez bem jovem.
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"Uma música que o Ira! toca, chamada ‘Saída’, acabou entrando no primeiro disco da banda, e eu compus quando tinha 16 anos. Nessa época, gostava de trabalhar com palavras que soassem como no inglês. Acho que o rock tem uma linguagem própria, e muitas vezes, o inglês – ou até o francês – parece que ensina isso pra gente. É um som que carrega uma musicalidade própria, sabe? Foi por isso que comecei a escrever letras pensando muito no som das palavras, como em 'Não vou mais gritar que te amo'. Minhas composições quase não têm rimas, e isso veio dessa fase, quando eu tinha 15 ou 16 anos e começava a expressar minha insatisfação juvenil", explicou.
Edgard aproveitou o ensejo para comentar como as aventuras amorosas de sua adolescência influenciaram o repertório do Subúrbio, banda que ele tinha antes do Ira! e que chegou a se apresentar bastante pela noite paulistana.
"Logo vieram os amores, as desilusões e as mensagens que eu queria passar para alguém através das letras. Aos 17 anos, já tinha um repertório suficiente para fazer shows com músicas próprias, algo difícil na época. Eu tocava em uma banda chamada Subúrbio, e a gente se apresentava em lugares que abriam espaço para trabalhos autorais, como o Aponto, na Avenida Brera. Esses lugares eram raros, porque a maioria dos bares só aceitava covers – Beatles, por exemplo. Com o Subúrbio, levávamos nossas músicas e uma energia de molecada, lotando salas de ensaio com amigos. Chegamos até a participar, em 1979, de um festival interno do Colégio Objetivo, que parava São Paulo e teve sua final no Ginásio do Ibirapuera, completamente lotado. Foi uma experiência incrível!", concluiu.
Confira a entrevista completa aqui.
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