Como eram treinamentos de guerra na ditadura que Edgard Scandurra viu no quartel
Por Gustavo Maiato
Postado em 15 de janeiro de 2025
Edgard Scandurra, guitarrista do Ira! e que precisou servir ao Exército, revelou em entrevista ao Corredor 5 detalhes dos treinamentos militares que vivenciou durante a ditadura nos anos 1980. Segundo ele, as práticas não apenas refletiam o rigor da hierarquia, mas também expunham uma visão de mundo profundamente alinhada com o contexto político da época, que era contra os comunistas.
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"Quando era mais novo, sofri um acidente em que aspirei ácido clorídrico, e isso afetou gravemente meus pulmões. Na época, achei que tinha tuberculose ou algo parecido. Quando fui chamado para servir o Exército, pensei que a radiografia do pulmão e o histórico hospitalar me livrariam do serviço militar. Mas não foi o que aconteceu. Pediram novos exames, e, para minha surpresa, estava tudo bem. Por um lado, foi positivo: melhor cumprir um ano no Exército com saúde do que ser dispensado por realmente ter problemas respiratórios."
Mesmo apto, Edgard relata que a experiência no quartel foi marcada por desafios. "A hierarquia no Exército era rígida, mas também permeada por elementos de bullying. Se você respondia algo errado, tinha que pagar 20 flexões ou fazer mais exercícios. O treinamento era intenso. Lembro de situações como ficar submerso na lama ou na água. Apesar disso, conheci pessoas incríveis durante o período."
O que mais chamou sua atenção, no entanto, foram os treinamentos direcionados ao enfrentamento de guerrilhas urbanas, que refletiam o clima político da ditadura. "Era época da ditadura, e eu via isso acontecer, especialmente nos exercícios voltados para o enfrentamento de guerrilha urbana. Os superiores frequentemente usavam termos pejorativos para se referir aos 'inimigos', sempre retratados como 'estudantes comunistas' ou 'vagabundos'. A instrução era clara: esses 'inimigos internos' deveriam ser eliminados."
Para Edgard, a percepção de quem eram os supostos adversários causava desconforto. "Era estranho perceber que, no fundo, o inimigo apresentado não era uma ameaça externa, mas sim nossos próprios compatriotas. Às vezes, era como se estivéssemos sendo preparados para combater amigos e não inimigos reais."
Confira a entrevista completa aqui.
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