Os bateristas que inspiraram Neil Peart e ajudaram a definir o som do Rush
Por Bruce William
Postado em 26 de abril de 2025
Quando Neil Peart ingressou no Rush, em 1974, a banda era um power trio típico, com influência direta do blues e hard rock de grupos como Cream ou Blue Cheer. Sua entrada, no entanto, mudaria completamente a trajetória do grupo canadense, direcionando-os para arranjos mais complexos e ambiciosos que definiriam seu estilo nas décadas seguintes. Mas antes de Peart se tornar um baterista revolucionário dentro do rock progressivo, ele precisou absorver influências que vinham muito além do universo tradicional do rock.

Desde cedo, Neil Peart havia sido impactado pelo som explosivo de Keith Moon, baterista lendário do The Who, que parecia transformar caos em técnica pura. O próprio Peart reconheceu essa influência no documentário da série Classic Albums, onde explicou como Moon conseguia usar a bateria para destacar os vocais das músicas: "Keith Moon tinha uma maneira incrível de enquadrar as vozes. Você escuta e acha que é puro caos, mas não é. É um caos cuidadosamente projetado, que sustenta a essência da canção", comentou.
Porém, antes mesmo de conhecer a energia de Moon, o primeiro baterista a despertar a paixão de Peart pelo instrumento não foi do universo do rock, mas sim do jazz: Gene Krupa. O interesse surgiu quando, ainda adolescente, assistiu ao filme The Gene Krupa Story, estrelado por Sal Mineo. A performance cinematográfica, embora mimética, encantou o jovem músico pela aura glamourosa e perigosa que envolvia Krupa, inclusive destacando sua controversa prisão por posse de maconha. "Gene Krupa foi minha primeira inspiração, sempre digo isso", relembrou Neil Peart em uma entrevista resgatada pela Far Out, citando essa experiência aos 11 ou 12 anos.
A partir daí, ainda jovem, Peart começou a aprender bateria tocando junto com o rádio AM da época. Era meados dos anos 60, e enquanto acompanhava canções populares de bandas como Simon & Garfunkel, The Byrds e The Association, ele descobriu outra grande referência: Hal Blaine, o prolífico baterista de estúdio responsável pela bateria em inúmeras gravações da época. "Costumamos brincar que os nossos seis bateristas favoritos daquela geração eram, na verdade, o mesmo cara: Hal Blaine. Porque praticamente tudo que eu escutava tinha ele tocando", contou Peart.
Em seu quarto, Neil improvisava com uma pequena bateria montada ao lado de um radinho AM de plástico colocado sobre um aquecedor. Foi nesse contexto simples, com equipamentos básicos, que ele construiu a base de sua técnica excepcional. Com o tempo, começou a comprar discos por conta própria, e entre os primeiros estavam justamente os álbuns do The Who e do Blue Cheer.
Os primeiros grupos que Peart integrou tocavam principalmente rock psicodélico da cena de São Francisco, incluindo bandas como Jefferson Airplane, Grateful Dead e Moby Grape. Apesar dessas raízes psicodélicas, foi a intensidade quase violenta da bateria de Keith Moon que Peart absorveu mais profundamente. Era isso que ele buscava reproduzir em seus primeiros anos na música, misturando a energia selvagem do rock com o refinamento técnico e a precisão do jazz.
Sem as influências iniciais de Gene Krupa e Hal Blaine, talvez Neil Peart tivesse escolhido outro instrumento. Talvez tivesse se tornado guitarrista, como tantos adolescentes da época. Em vez disso, impulsionado por essas referências distintas e complementares, Peart decidiu mergulhar fundo na bateria. Foi essa mistura improvável de estilos que moldou não apenas sua forma única de tocar, mas também o som inconfundível do Rush.
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