Duas atitudes de músicos roqueiros que Pete Townshend não suporta
Por Bruce William
Postado em 26 de abril de 2025
Pete Townshend ajudou a moldar o rock nas décadas de 1960 e 1970 como integrante do The Who, mas nem por isso abraçou todos os aspectos do universo musical com entusiasmo. Em recente entrevista à RockFM da Espanha (via Blabbermouth) o guitarrista admitiu que dois elementos centrais do rock - se apresentar ao vivo e colaborar com outros músicos - não são coisas que ele realmente gosta de fazer.
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Segundo Townshend, sua relação com o palco é diferente da maioria dos músicos. Ele explicou: "A maioria dos músicos ama se apresentar. Eu não amo me apresentar. Eu não gosto de estar no palco. Eu não me importo de estar no palco. Eu não odeio, mas não preenche minha alma da maneira como acontece com alguns artistas." Para o guitarrista, a experiência de tocar ao vivo não traz aquela sensação de completude que move tantos colegas de profissão.
O mesmo acontece quando o assunto é colaboração musical. Townshend contou que, embora admire o processo de criação coletiva, não se sente confortável trabalhando lado a lado com outros músicos. "A maioria dos músicos ama colaborar. Eu acho muito difícil. Eu olho para a minha própria energia para me expressar. É muito difícil olhar nos olhos de outro músico e criar juntos", comentou.
Apesar dessa dificuldade, ele reconheceu que já viveu parcerias memoráveis, mesmo que marcadas por certo desconforto. Townshend citou as gravações com David Gilmour no álbum "White City", que classificou como uma "colaboração desconfortável", e também recordou a experiência com Eric Clapton no Rainbow Concert em 1973, dizendo que foi uma ocasião que conseguiu aproveitar.
Ao falar sobre o tema, Pete usou uma comparação com a música flamenca para ilustrar a diferença entre o que considera colaboração natural e a genialidade solitária. Ele destacou que, assim como Paco de Lucía podia hipnotizar ao tocar sozinho, ele próprio se sente mais autêntico confiando apenas na própria energia, sem depender da interação constante com outros músicos.
Mesmo estando prestes a se apresentar novamente ao lado de Roger Daltrey no Teenage Cancer Trust no Royal Albert Hall, Townshend brincou que esse show já seria "o suficiente para o mês", reforçando a ideia de que a performance em grupo, para ele, é mais uma obrigação profissional do que uma fonte real de prazer.
Embora tenha consciência de que sua postura seja incomum no meio musical, Pete Townshend parece aceitar essa característica como parte de quem é. E, para alguém que já deixou sua marca no rock mesmo sem se encaixar nos padrões habituais, talvez essa diferença tenha sido, no fim das contas, uma das chaves para sua originalidade.
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