A década em que Bob Dylan pensou em parar de gravar discos: "Eu não queria mais fazer"
Por André Garcia
Postado em 25 de abril de 2025
Muitos acreditam que a qualidade mais importante para um artista é o talento ou a criatividade, mas na verdade é a resiliência.
O caminho de um artista é tortuoso, duro e doloroso, onde é certo que você vai passar por dificuldades financeiras, sofrer com depressão e burnout, sem o apoio de fãs, amigos, família, empresário e gravadora. Hoje em dia, mais que nunca, arte parece não passar de uma forma de transformar seus sonhos em sofrimento.
Artistas podem superar a falta de recursos técnicos, de criatividade, de inspiração, de dinheiro… mas superar a falta de motivação, de esperança, de crença no potencial no que você faz… Isso é muito mais difícil. E sem essas coisas, você simplesmente não tem mais energia para seguir adiante. Aquilo que era o que você mais gostava de fazer, quando você vai ver virou o que você menos gosta de fazer.

Mesmo entre os pouquíssimos dos artistas que conseguem fazer sucesso, chega uma hora que a coisa enche o saco e a motivação se esvai. Basta ver Bob Dylan, amplamente considerado um dos maiores compositores de todos os tempos. Ele é o único músico na história a ter vencido um Nobel de Literatura (em 2016 por suas contribuições à música popular estadunidense), um Oscar (de Melhor Canção Original em 2001 por "Things Have Changed") e vários Grammys.
Mesmo ele, segundo contou em entrevista de 2001 para a Rolling Stone, no começo dos anos 90 havia se desencantado com sua carreira ao ponto de decidir que não gravaria mais discos:
"Eu realmente achei que não faria mais discos. Não queria fazer mais nenhum. Pensei: 'Vou fazer só mais alguns discos, só com canções folclóricas, de uma forma bem simplificada — sem grandes produções nem nada assim'. Só que eu não queria mais fazer nada. Eu estava mais preocupado com o que eu fazia em minhas apresentações. Estava claro para mim que eu tinha músicas mais do que suficientes para tocar em minhas turnês."
A decisão de Bob Dylan de parar de gravar discos deve ter passado muito pelos pontos baixos vividos por ele após sua fase cristã na virada dos anos 70 para a década seguinte. A partir dali, ele lançou álbuns daqueles que são considerados seus piores, como "Empire Burlesque" (1985), "Down in the Groove" (1988) e "Under the Red Sky" (1990).
Todo músico, vez ou outra, lança algum trabalho que deixa a desejar; mas quanto maior você é, maior é a queda. Quando se é um dos maiores compositores de todos os tempos, uma pisada na bola é o bastante para fazer com que todo o mundo te detone publicamente. Não há autoconfiança que resista sem ser pelo menos abalada.
Felizmente, eventualmente o trovador norte americano voltou a gravar discos e, depois dali, lançou alguns daqueles que muitas vezes entram nas listas de seus melhores trabalhos.
O melhor exemplo disso seria o "Time Out of Mind", que conseguiu o impressionante feito de chegar a #10 nas paradas da Billboard em 1997 — época em que o rock estava em baixa e a música nos Estados Unidos era dominada por rappers, divas do pop e boy bands.
Quando a Ultimate Classic Rock listou a discografia de Bob Dylan do pior ao melhor, "Time Out Of Mind" entrou no top 10 melhores na 6ª posição — logo à frente de "Love and Theft" (2001).
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