As 5 melhores bandas de rock de Brasília de todos os tempos, segundo Sérgio Martins
Por Gustavo Maiato
Postado em 07 de dezembro de 2025
O rock de Brasília já foi chamado de "rock de filho de diplomata", já foi tachado de privilegiado, "filhinho de professor universitário com guitarra importada". Sérgio Martins não ignora essa crítica, mas considera o rótulo reducionista. Em vídeo recente em seu canal, ele lembra que até ícones como Joe Strummer, do The Clash, eram filhos de diplomata e que a tal "rebeldia de classe média" não invalida o impacto artístico. Mais do que a origem social, o que importa, para ele, é o que essas bandas fizeram com letra, atitude e canções.
Melhores e Maiores - Mais Listas
Inspirado pela leitura de "O Cara da Plebe", autobiografia de Felipe Seabra (Plebe Rude), e pelo livro "Diário da Turma – A História do Rock de Brasília", de Paulo Marchetti, Sérgio decidiu montar seu próprio "top 5" de discos da capital. A partir dessas escolhas, é possível identificar também quais são, na prática, as bandas de Brasília que ele considera mais importantes. Em seu vídeo, o jornalista deixa claro que os anos 1980 foram, sobretudo, "a década do texto": a era das grandes canções de protesto, dos achados poéticos e das letras que ajudaram a moldar uma geração.
Abaixo, reunimos as cinco bandas que saem na frente nesse recorte, segundo o próprio Sérgio Martins, com base nas histórias e comentários que ele compartilhou.
1. Legião Urbana
Para Sérgio, o posto de número 1 é da Legião Urbana, simbolizada pelo álbum "Dois". Ele conta com orgulho que esperou na porta de uma loja de discos em Santos para comprar o LP e afirma que é ali que as ideias de Renato Russo aparecem "muito bem fundamentadas". O disco, na visão dele, cristaliza a sonoridade da banda, sela a parceria com o produtor Mayrton Bahia e permite mais experiências sonoras sem perder a força do texto.
O jornalista lembra que Renato pensava o álbum nos mínimos detalhes: ordem das faixas, single, grande hit, até o acorde que "ressoaria" de uma música para outra. Sérgio menciona um documento datilografado pelo cantor sobre Dois e o chama de "um grande exemplo de como o Renato Russo orquestrou toda uma geração". Canções como "Daniel na Cova dos Leões", "Eduardo e Mônica", "Música Urbana 2", "Metrópole", "Acrilic on Canvas" e "Andrea Doria" são citadas como provas de um repertório diverso, dolorido e decisivo.
2. Plebe Rude
Em segundo lugar, vem a Plebe Rude, com o EP "O Concreto Já Rachou". Sérgio exalta a produção "belíssima" de Herbert Vianna e define a banda como um exemplo muito bem acabado de punk melódico com DNA brasileiro. Segundo ele, o som junta a profundidade do punk e do pós-punk inglês ao gosto de Felipe Seabra pelas bandas de arena americanas dos anos 1970.
Músicas como "Até Quando Esperar" (com introdução de violoncelo de Jaques Morelenbaum), "Minha Renda" e "Brasília" aparecem como pontos altos. Sérgio destaca, em especial, o antigo contraponto vocal da Plebe: o agudo de Felipe Seabra dialogando com a voz mais dura e árida de Jander Bilaphra, o Ameba. Ele admite que isso é algo que "infelizmente não será mais possível admirar", o que só reforça a importância histórica da formação clássica.
3. Detrito Federal (e a turma do Rumores)
O terceiro lugar, na prática, representa a cena mais underground de Brasília da virada dos anos 1980 para os 1990, resumida na coletânea "Rumores". O LP reunia Escola de Escândalo, Detrito Federal, Elite Sofisticada e Finis Africae. Entre todas, Sérgio confessa que suas preferidas sempre foram o Detrito Federal e o Escola de Escândalo.
Sobre o Detrito, ele lembra do vocalista Podrão e de faixas como "Desempregado" e "Fim de Semana", que define como "cruas, diretas e absolutamente fantásticas", com produção tosca, mas furiosa. Já o Escola de Escândalo é lembrado pela presença da vocalista Marielle Lua e do guitarrista Feijão, fã de heavy metal, preso injustamente e morto precocemente. A canção "Complexos", com um solo "rasgante" de Feijão, é apontada por Sérgio como a sua favorita. Para ele, Rumores é uma preciosidade que captura a Brasília mais áspera e menos conhecida.
4. Capital Inicial
O quarto posto fica com o Capital Inicial, mais especificamente com o "Acústico" que marcou o retorno de Dinho Ouro Preto ao grupo. Sérgio conta que o primeiro álbum da banda, embora traga boa parte dos futuros hits, é mal gravado, abafado e não representa o som real do Capital ao vivo. Além disso, a entrada do tecladista Bozzo Barretti teria descaracterizado um pouco a crueza original do repertório.
No "Acústico", segundo ele, acontece um "encontro feliz" entre um Dinho mais maduro e uma banda mais azeitada. É ali que o Capital deixa de ser um grupo de "segundo escalão" e vai para o primeiro time do rock nacional, lado a lado de Legião, Titãs, Barão Vermelho e RPM. Sérgio lembra também que o disco recupera repertório com letras fortes - de autores como Renato Russo, Kiko Zambianchi e Alvin L. - num momento em que o mercado vivia uma onda de bandas engraçadinhas e sem muito conteúdo.
5. Raimundos
Fechando a lista, Sérgio escolhe os Raimundos, com o álbum "Lavô Tá Novo". Ele admite que a decisão é difícil, já que também ama o primeiro disco, com faixas como "Selim", "Puteiro em João Pessoa" e a mistura de hardcore com forró inspirada nas músicas de duplo sentido de Zé Newton. Mas reconhece que "Lavô Tá Novo" levou a banda a outro patamar.
Para ele, o álbum deu um pouco mais de forma à "maçaroca sonora" que sempre caracterizou o grupo e ajudou a revelar "um dos últimos grandes frontmen da história", Rodolfo Abrantes. Sérgio menciona canções como "Quero Ver o Oco" (tocada pelos Paralamas) e cita um comentário de um diretor de gravadora, segundo o qual foi em Lavô Tá Novo e em Só no Forévis que o público começou, de fato, a entender o que Rodolfo cantava - e as vendas dispararam. Ao mesmo tempo, ele lamenta que, após essa fase, o Raimundos "entrou em parafuso e nunca mais foi aquela banda vibrante" que viu no M2000 em Santos, em 1994.
Menção honrosa: Paralamas do Sucesso
Sérgio ainda faz questão de destacar uma menção honrosa: "Cinema Mudo", dos Paralamas do Sucesso. Não tanto pelo disco em si, mas pelo simbolismo. Ele lembra que é ali que aparece a primeira gravação de uma música de Renato Russo, "Química" - canção que ajudou a selar o fim do Aborto Elétrico depois de uma discussão com Fê Lemos. Os Paralamas, cariocas de origem, gostavam de dizer que eram "uma banda de Brasília", justamente para reforçar e dar visibilidade ao movimento que surgia na capital.
Confira o vídeo abaixo.
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