A atual opinião de Ian Anderson sobre Jerusalém: "Não me façam falar de Moscou e Kiev"
Por Gustavo Maiato
Postado em 17 de abril de 2025
A cidade de Jerusalém, em Israel, já foi cantada e contada por diversos artistas e, infelizmente, o teor das composições costuma ser a triste guerra religiosa que o local enfrenta desde séculos atrás. Para Ian Anderson, do Jethro Tull, chegou a hora de dar seus dois centavos sobre o assunto e isso veio na forma da música "Over Jerusalem", lançada no álbum "Curious Ruminant" (2025).
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A canção, que já integra o repertório dos shows atuais da banda, reflete a relação profunda e conflituosa do vocalista e flautista Ian Anderson com a cidade. Em comunicado à imprensa, Anderson expressou preocupação com a escalada de tensões políticas e sociais na região (via Loudwire).
"Tive a oportunidade de visitar Jerusalém para concertos muitas vezes desde 1986. Como grande parte do mundo, tenho sentido uma angústia crescente diante dos dilemas políticos, sociais e culturais enfrentados por todos naquele território", declarou.
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O músico revelou ainda que, após suas primeiras visitas a Israel, passou a doar os lucros de suas apresentações no país a organizações locais que promovem a convivência entre árabes, judeus e cristãos, muitas delas com foco musical. "São iniciativas que promovem a coeducação entre os povos", explicou.
Inspirado pelo livro "Jerusalém: A Biografia", de Simon Sebag Montefiore, Anderson comentou sobre a chamada "Síndrome de Jerusalém", termo que, segundo ele, resume bem seus sentimentos contraditórios em relação à cidade. "Guardo uma reverência profunda e preocupação sincera com o futuro de uma das cidades mais importantes de todos os tempos e seu papel central no mundo atual", disse.
Na canção, ele encerra com a frase: "I'm not over Jerusalem" — algo como "Ainda não superei Jerusalém". Para Anderson, a cidade é como um amor trágico, impossível de esquecer. "É uma memória que o tempo não consegue apagar", concluiu, antes de provocar: "Nem me façam começar a falar sobre Moscou ou Kiev…".
Metal e Jerusalem
Outras bandas como The 69 Eyes e Sabaton já falaram sobre a cidade de Jerusalém. No caso da banda sueca famosa por suas letras com temáticas militares, trata-se da música "Counterstrike", sobre a Guerra dos 6 Dias. Conforme explica Gustavo Maiato no livro "Sabaton – Histórias de Guerra":
"Em um dos raros exemplos em que o Sabaton fala sobre as questões envolvendo árabes e judeus, a música ‘Counterstrike’ aborda o episódio conhecido como a Guerra dos Seis Dias (5 a 10 de junho de 1967), quando uma incrível coalizão de países árabes atacou Israel com objetivo de apagar da existência o recém-criado Estado Judeu. Os principais países que entraram de fato na guerra foram Egito, Síria, Jordânia, Iraque. O conflito, entretanto, foi apoiado por praticamente todas as nações árabes que circundam Israel como Kuwait, Arábia Saudita, Argélia e Sudão. Como o próprio nome da guerra diz, o conflito durou seis dias. Tempo suficiente para Israel mostrar sua imensa superioridade e repelir os ataques, se tornando vitorioso incontestável. Tudo começou quando essa coalisão árabe passou a se armar e posicionar soldados nas fronteiras com Israel, indicando que estavam se preparando para uma guerra a qualquer momento".
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