A fã cega que salvou Keith Richards e livrou os Rolling Stones de um pesadelo
Por Bruce William
Postado em 11 de maio de 2025
No final dos anos 1970, Keith Richards viveu um dos momentos mais tensos de sua vida. Durante uma passagem dos Rolling Stones pelo Canadá, o guitarrista foi preso com heroína e acusado de posse com intenção de tráfico, uma acusação que, pelas leis canadenses da época, podia significar prisão perpétua. Ele acabou condenado, mas escapou de cumprir pena graças a uma fã chamada Rita Bedard.
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Rita era cega e uma das maiores fãs dos Rolling Stones. Mais do que acompanhar a banda, ela viajava pedindo carona por todo o país, arriscando-se nas estradas para assistir aos shows. Sua devoção era tamanha que foi mencionada por Keith em sua autobiografia "Life" (Amazon), onde ele a descreveu como "absolutamente destemida" e se disse impressionado com o amor e dedicação de fãs como ela.
Em 1978, enquanto Richards enfrentava o julgamento por porte de drogas, Rita pediu uma audiência privada com o juiz do caso. Segundo o relato da Far Out, ela contou como a música dos Stones a ajudava a seguir em frente e sugeriu uma alternativa: que Keith fizesse um show beneficente para arrecadar fundos para o Canadian National Institute for the Blind, em vez de ir para a prisão.
O juiz aceitou a proposta e decidiu que Richards, embora culpado, poderia cumprir a pena dessa forma. O guitarrista subiu ao palco em um evento especial em apoio a deficientes visuais e, com isso, se livrou da cadeia. "O veredito foi de culpado, mas o juiz decidiu que não podia me encarcerar só porque eu era viciado e rico", escreveu Keith em sua autobiografia. "'Ele precisa ficar livre', disse o juiz, 'para dar continuidade ao tratamento, mas com uma condição: ele terá que promover um concerto para cegos'. Muito inteligente, pensei. O juiz mais sábio desde Salomão."
O guitarrista atribui a ideia diretamente à fã: "Isso teve tudo a ver com uma garota cega que viajava por toda parte seguindo os Stones. Rita, meu anjo cego. [...] E quando fui preso, de algum modo ela conseguiu chegar até a casa do juiz e contar essa história a ele. E foi assim que ele teve a ideia do concerto para cegos. O amor e devoção de pessoas como Rita é algo que até hoje me impressiona."
De acordo com reportagem publicada no Music Non Stop, a prisão aconteceu em fevereiro de 1977, quando a polícia encontrou heroína e cocaína no quarto de hotel em que Richards estava hospedado com Anita Pallenberg. Segundo a mesma fonte, Richards estava inconsciente na hora e precisou ser acordado a tapas pela polícia para ser detido, algo que ele próprio também relata em seu livro.
Ainda segundo o texto, o caso teve reviravoltas incomuns: fãs acampados na porta do tribunal com camisetas "Free Keith", a intervenção decisiva de Rita Bedard e até rumores de que Margaret Trudeau, então primeira-dama do Canadá, era frequentadora assídua dos shows dos Stones. Richards acabou oficialmente condenado, mas saiu do tribunal com o compromisso de tocar por uma boa causa, e com a carreira preservada. Uma condenação longa poderia ter jogado os Rolling Stones em um limbo difícil de contornar: substituir Richards não era uma opção realista, nem para os fãs, nem para a própria banda.
A história entrou para o folclore da banda não só como um episódio jurídico inusitado, mas como uma lembrança de que a relação entre artista e fã pode, de fato, mudar vidas, inclusive a do próprio astro. Keith nunca esqueceu Rita. Até hoje, ele a chama de "meu anjo cego de Toronto", como mostra a foto do reencontro entre os dois em 2015, publicada nas redes sociais do guitarrista.
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