E se Raul Seixas fosse levado a sério? Quanto cada brasileiro ganharia ao "alugar o Brasil"?
Por Gustavo Maiato
Postado em 03 de junho de 2025
"Alugar o Brasil." A frase, famosa na voz de Raul Seixas desde 1980, é uma provocação à crise econômica e à corrupção da época. Quarenta anos depois, o youtuber Julio Ettore resolveu levar o conceito às últimas consequências e, com uma calculadora na mão, respondeu: quanto custaria, de fato, alugar o Brasil?
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No vídeo, Ettore usa o valor médio do metro quadrado no País — cerca de R$ 9.185 — e multiplica pela área total do território nacional, estimada em 8,5 trilhões de metros quadrados. A conta resulta em algo próximo de R$ 78 trilhões como valor hipotético do aluguel.
Para manter o exercício dentro de parâmetros mais realistas, ele aplica 1% desse montante como uma estimativa mensal de renda vinda da locação. O valor resultante gira em torno de R$ 780 bilhões por mês. Ao dividir esse total pela população brasileira — aproximadamente 211 milhões de habitantes — o resultado impressiona: cada cidadão receberia por volta de R$ 360 mil mensais, ou US$ 64 mil, se considerarmos a cotação atual. "Tá aí a solução para a pobreza do País", ironiza Ettore. "Claro que isso nunca vai acontecer, mas a ideia do Raul até que não é maluca, né?"
Na sequência, o criador de conteúdo explica o contexto por trás da música. Lançada como segunda faixa do disco "Abre-te Sésamo", de outubro de 1980, "Aluga-se" surgiu como uma crítica direta ao desgoverno, aos gastos públicos mal administrados e à crise econômica sob o regime militar, mais especificamente durante o governo do general João Figueiredo.
O cenário era o seguinte: após a Revolução Iraniana, a segunda crise do petróleo elevou os preços do barril e derrubou a produção global. No Brasil, a inflação fechou 1979 em 77%, a mais alta desde o golpe de 1964. Endividado e sem credibilidade no exterior, o governo recorreu ao então ministro do Planejamento Delfim Netto para buscar empréstimos internacionais em Londres, Paris e Washington. A pressão para aceitar um acordo com o FMI crescia, enquanto a população assistia à escalada dos preços e à queda do poder de compra.
"A música não era piada. Era uma paulada na realidade", afirma Ettore, ao reforçar que "Aluga-se" é muito mais que um refrão provocativo. "Raul estava lendo o jornal quando teve essa ideia — que, aliás, nem foi dele originalmente."
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