O dia que RPM e Supla foram "curtir a vida" e arrumaram confusão com taxistas
Por Gustavo Maiato
Postado em 03 de setembro de 2025
Os bastidores do rock brasileiro nos anos 1980 guardam histórias tão intensas quanto as músicas que embalavam multidões. Em entrevista ao canal Corredor 5, o guitarrista Fernando Deluqui relembrou uma viagem a Curitiba que reuniu bandas como RPM, Tokyo (de Supla), Degraée e outras, e terminou em uma verdadeira confusão com taxistas na porta do hotel.
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Segundo Deluqui, a cena era típica da época: jovens com pouco mais de 20 anos, recém-famosos, com muito dinheiro no bolso e uma agenda de shows lotada. "Solta os moleques de 22, 23, 24 anos, dá grana, muita grana pra eles e fala: ‘Vocês vão juntos aí, pega o avião e vamos fazer show’. Depois do show, cada um pegava um táxi e uma mina pro hotel. Aí chegava a hora de pagar a corrida… ninguém queria saber quem ia bancar. Diziam: ‘Ah, o empresário paga, o Tato paga’. E subiam", contou.
O problema é que os motoristas não aceitaram a desculpa e logo bateram nas portas dos quartos cobrando a corrida. "Do nada, os taxistas estavam lá, batendo e gritando. Virou um caos total. A noite terminou em cama quebrada, confusão e muita zoeira. Quando desci pro saguão de manhã, ainda zonzo, parecia festa junina: bandeirinhas penduradas, confete espalhado… tudo obra do Tato. Inacreditável", relembrou, rindo.
O episódio mostra bem o espírito de exagero que cercava o RPM e outros grupos da época. O clima era de liberdade, pouca noção de limites e muita criatividade para transformar até hotéis em extensão da festa. "Parece um detalhe bobo, mas quando você vai imaginar que, depois de um show, vai ter confete e bandeirinha no saguão do hotel? Tinha sempre alguém que pensava nisso", completou Deluqui.
Paulo Ricardo e as loucuras do RPM
O relato de Fernando Deluqui se soma a outras lembranças da fase mais intensa do RPM. Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., em 2022, Paulo Ricardo contou que as turnês eram regadas a festas intermináveis. "A gente fazia muita guerra de extintor nos hotéis. Era um monte de banda em vários festivais. Estava nós, Ultraje a Rigor, todo mundo. Quando íamos embora, pagávamos uma conta absurda por danos. Teve uma vez que, logo que chegamos, ainda preenchendo a ficha, eu já peguei o extintor e comecei a usar na recepção. O pino voou e furou um vidro! Eu já tinha perdido o pudor", disse, aos risos.
Se de um lado havia o brilho do sucesso e as histórias divertidas, por outro a sombra das drogas foi determinante para a queda da banda. O empresário Manoel Poladian, em entrevista ao canal Corredor 5, revelou que o RPM chegou a dar prejuízo, mas em pouco tempo se transformou em máquina de fazer dinheiro. "Em 28 dias, fiz 28 shows. Recuperei o investido e depois passei a pagar eles por show. Começou em 15 mil e depois foi para 150 mil. Eles ganharam uma fortuna e eu também. Mas aí entrou a droga e eles ficaram enlouquecidos", relatou.
Poladian explicou que não aceitava negociar com os músicos sob efeito das substâncias e, diante da crise, preferiu se afastar. "Eu não converso com pessoas drogadas. Prefiro escolher a hora que eles estiverem lúcidos. Falei que a porta da rua era serventia da casa. Essa foi a queda do RPM."
Confira a entrevista completa abaixo.
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