O álbum do Iron Maiden com capa inspirada em Stanley Kubrick ou Edgar Allan Poe
Por Gustavo Maiato
Postado em 15 de outubro de 2025
Lançado em setembro de 2003, "Dance of Death" é um dos discos mais curiosos da carreira do Iron Maiden - e não apenas por sua sonoridade ou pela volta definitiva da formação clássica com Bruce Dickinson e Adrian Smith, mas também por causa da misteriosa capa, considerada até hoje uma das mais estranhas da história da banda.
De acordo com o livro "Killers – Um Clássico do Iron Maiden", publicado pela editora Estética Torta, a arte de "Dance of Death" pode ter sido inspirada em duas fontes distintas: o filme "De Olhos Bem Fechados", de Stanley Kubrick, e o conto "A Máscara da Morte Rubra", de Edgar Allan Poe. Ambas as obras compartilham elementos visuais e simbólicos semelhantes à cena retratada na capa - um baile sombrio, figuras mascaradas e a inevitável presença da morte pairando sobre tudo.


A capa de "Dance of Death"
A conexão com Poe não seria inédita no universo do Iron Maiden. O livro destaca que referências ao escritor norte-americano aparecem em outros momentos da discografia da banda, como o clima de "No Prayer for the Dying" (1990), que remete ao conto "O Enterro Prematuro", e na temática de "When Two Worlds Collide", do álbum "Virtual XI" (1998), inspirada em "A Conversa entre Eiros e Charmion". Até mesmo o poema "El Dorado", de Poe, teria influenciado o single homônimo do álbum "The Final Frontier" (2010).
Curiosamente, a arte de "Dance of Death" gerou desconforto até entre seus criadores. Conforme relatado na obra, os ilustradores se recusaram a assinar o trabalho, já que o resultado final foi, na verdade, um esboço inacabado entregue às pressas devido ao cronograma apertado do lançamento.
O crítico musical Regis Tadeu também comentou o caso em seu canal, lembrando que "a capa era apenas um rascunho do que deveria ser o resultado final", lançado assim mesmo por conta do atraso na produção. Ainda que visualmente polêmica, a imagem acabou se tornando parte do folclore em torno do álbum - uma mistura de descuido técnico, pressa e simbolismo sombrio que só reforça o lado enigmático do Iron Maiden.
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