"Detecção precoce salva vidas"; Wendy relembra o diagnóstico de Dio e a luta contra o câncer
Por Bruce William
Postado em 16 de novembro de 2025
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Wendy Dio, viúva e ex-empresária de Ronnie James Dio, participou do podcast "The Magnificent Others" com Billy Corgan e revisitou passagens essenciais da trajetória do cantor, indo do encontro no Rainbow Bar & Grill à fase com Rainbow, a entrada no Black Sabbath e o salto com a banda Dio. Ela também detalhou o período final, quando Ronnie enfrentou um câncer de estômago diagnosticado tardiamente, e explicou por que decidiu fundar uma entidade voltada a prevenção, pesquisa e educação. A transcrição é do Blabbermouth.
Segundo Wendy, os primeiros sinais apareceram anos antes: "Cerca de cinco anos antes de ele falecer, [o Ronnie] reclamava de indigestão. Levei-o a um médico bem famoso de Beverly Hills, que fez exames cardíacos e um monte de coisas e só disse: 'Ah, não se preocupe. São gases.'... E ele sempre tinha indigestão. Ele tomava remédio o tempo todo. Ele tinha indigestão, muita indigestão. Mas, veja, com coisas como câncer de estômago, cânceres gástricos e câncer de pâncreas, realmente não há sinais até que seja tarde demais."

Ela recorda que, após a turnê com o Heaven & Hell, Ronnie seguia passando mal. Um exame de sangue com o clínico local mudou o rumo: "Ele me ligou e disse: 'Wendy, não são boas notícias. Acho que precisamos fazer um ultrassom e uma colonoscopia.' Fizemos tudo. O Ronnie não sabia. E [o médico] disse: 'Ele está com câncer em estágio quatro.' E eu disse: 'Não diga nada pra ele.'" Wendy então iniciou a busca por tratamento especializado: tentou o MD Anderson, considerou a Mayo Clinic e relatou a abordagem de um médico em Minneapolis: "Ele disse: 'Bem, você vai morrer. Então volte e ponha sua vida em ordem. Você provavelmente tem seis meses.'"
A entrada no MD Anderson Cancer Center veio por meio de contato com a T.J. Martell Foundation. "Voamos de Minneapolis para Houston para ver este médico, o doutor Johnny, e ele disse: 'Olhe, vou fazer o melhor. Há alguns testes aí que podemos tentar. Não posso prometer nada, mas ninguém pode te dizer, exceto Deus, quando você vai morrer.'" Começaram então os ciclos de quimioterapia quinzenais em Houston. Wendy descreve a disposição do marido: "A gente pulava pelos corredores, dizendo: 'Vamos matar o dragão.' Chamávamos isso de 'matar o dragão'. E nunca, jamais, nenhum de nós, pensou que o Ronnie iria morrer, porque ele foi muito bem." Três semanas antes do falecimento, ele ainda receberia um prêmio em Los Angeles.
No relato, Wendy também menciona episódios durante o tratamento e a percepção sobre medicamentos e acesso. "Às vezes eu sinto que eles não querem encontrar uma cura porque ganham dinheiro demais com as coisas [vários tratamentos]," disse, citando um fármaco específico: "Eles tentaram um novo remédio chamado Avastin. Nunca vou esquecer esse nome. Descemos do avião e o Ronnie disse: 'Acho que consigo ver melhor do olho. Minha mão parou de tremer.'... E então, da próxima vez que fomos lá, o Avastin tinha sido tirado do mercado." (Wendy narra a experiência do casal; foram os médicos que conduziram o protocolo e explicaram as opções naquele momento.)
Depois da morte, em 2010, Wendy estruturou o Ronnie James Dio Stand Up And Shout Cancer Fund, organização financiada por doações privadas. "Todo mundo dizia que queria dar dinheiro para o câncer. E o Iron Maiden me mandou 10 mil dólares e disse: 'Para onde você quer que seja enviado?' E eu disse: 'Bem, muitas organizações grandes têm muitos custos administrativos. Eu realmente gostaria que fosse direto para onde deve ir.' Então formamos o Ronnie James Dio Stand Up And Shout Cancer Fund. E 14 bons amigos [do Ronnie] estão no conselho... e levantamos quase três milhões de dólares para pesquisa."
Uma dessas pesquisas, conta Wendy, é um teste não invasivo: "Estamos apoiando o Dr. [David] Wong, da UCLA, com um teste de câncer feito pela saliva. Porque os homens, muitas vezes, não fazem exames porque não querem um dedo no reto. Isso poderia [proporcionar] detecção precoce se você tiver câncer de estômago ou câncer de pâncreas. Esses são os dois que mais matam. E eles acabaram de nomear um dos laboratórios da UCLA em homenagem ao Ronnie."
Ao longo da conversa, Wendy reforça a forma como Ronnie conduziu a carreira, sem correr atrás de "hits", sempre sendo fiel a si mesmo, e como sempre se manteve humilde e dando atenção aos fãs. A lembrança da turnê final com o Heaven & Hell aparece como consolo: uma banda em sintonia, criando e se divertindo junto. A mensagem que ela repete hoje, à frente da fundação, é simples e prática: detecção precoce salva vidas.
Morte de Ronnie James Dio
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