A banda que vendeu muito, mas deixou Ronnie James Dio sem ver a cor do dinheiro
Por Bruce William
Postado em 14 de dezembro de 2025
A imagem que muita gente tem é simples: arenas, discos que viraram clássicos... então devia estar tudo resolvido no banco. Só que, segundo Wendy Dio, a saída de Ronnie James Dio do Rainbow em 1979 veio acompanhada de um choque bem menos glamouroso: "a gente não tinha dinheiro".
Wendy, que além de esposa também era empresária do cantor, contou a história no programa "The Magnificent Others with Billy Corgan", com transcrição do Ultimate Guitar. O ponto dela é que, apesar de Ronnie ter cantado em três álbuns do Rainbow - "Ritchie Blackmore's Rainbow" (1975), "Rising" (1976) e "Long Live Rock n' Roll" (1978) - e de ter coescrito grande parte do material com Ritchie Blackmore, o retorno financeiro não bateu com a importância do que ele entregou ali.

Ela entrou nos detalhes do acordo e do que teria acontecido depois. "Era 50/50 na publicação... e depois a gente foi passado pra trás nisso", disse Wendy. Sobre royalties de discos, ela explicou que Ronnie estava numa escala: "acho que ele recebia tipo 35% no começo... e depois foi subindo até ficar igual".
Só que, na versão dela, o dinheiro não chegava de verdade. Wendy descreveu uma situação que, para quem olha de fora, parece confortável, mas que seria uma vitrine sem autonomia: casa grande em Connecticut, carro grande, tudo "arrendado", e o caixa do casal restrito. "A gente nunca recebeu dinheiro por causa da administração... A gente tinha uma casa grande em Connecticut... tudo era alugado, e a gente recebia US$ 150 por semana", afirmou. Ela ainda comentou que foi um período solitário para ela, por estarem isolados, sem vizinhos próximos.
Depois da saída do Rainbow, Wendy diz que passou anos brigando para recuperar ao menos parte da publicação das músicas. "A gente não tinha dinheiro. Eu lutei pela publicação do Ronnie por anos e anos e anos, e finalmente consegui recuperar uma, do Rainbow: 'Rising'. Mas o resto, não", contou. Ou seja: quando alguma coisa voltou, teria sido só uma fração.
Ela também mencionou que até hoje não crava como foi, exatamente, o rompimento com Blackmore: "Ritchie diz que Ronnie saiu; Ronnie dizia que foi demitido". Wendy resume: "não sei o que aconteceu". O que ela diz saber é como ficou o lado prático: eles teriam sido deixados em Connecticut com pouco recurso imediato, e o dinheiro que permitiu recomeçar veio de fora da música. "Minha avó morreu e me deixou 50 mil dólares... e era tudo o que a gente tinha", afirmou.
A partir daí, Wendy narra a virada: ela decidiu que precisavam voltar para a Califórnia, onde Ronnie queria montar uma banda. Eles atravessaram o país de carro com "dois cachorros, um gato e nós", e, segundo ela, Ronnie tentou colocar o próximo projeto de pé, chegando a trabalhar na ideia com Skunk Baxter.
Por fim, Wendy ainda ligou essa fase ao que Ronnie escreveria depois. No livro dela, The Other Side of Rainbow (2016), ela diz que ele "desabafou" contra o ex-parceiro na faixa-título do álbum "Heaven and Hell" (Black Sabbath, 1980). Wendy citou o verso: "O mundo está cheio de reis e rainhas que cegam seus olhos e roubam seus sonhos; é céu e inferno". E, perguntada se "Rainbow in the Dark" seria sobre Ritchie Blackmore, ela respondeu: "Acho que não".
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