Regis Tadeu: Dio foi o "Frank Sinatra" do heavy metal
Fonte: Regis Tadeu @ Yahoo!
Postado em 05 de junho de 2010
Regis Tadeu, editor das revistas Cover Guitarra, Cover Baixo e Batera, diretor de redação da Editora Aloha, crítico musical/jurado do Programa Raul Gil e apresentador/produtor do programa Rock Brazuca na Rádio USP (93,7), publicou um texto sobre Ronnie James Dio em sua coluna no Yahoo.
A voz. Aquela voz. A primeira vez que a ouvi foi quando comprei, aos quinze anos de idade, o primeiro disco solo de um de meus guitarristas favoritos. Naquela época, sem acesso às revistas importadas e sem imaginar que um dia teríamos algo parecido com a internet, a gente sabia que Ritchie Blackmore havia saído do Deep Purple, que o grupo tinha recrutado o Tommy Bolin para substituí-lo e só. Mais nada.
Até que um dia, visitando a loja de discos onde eu sempre comprava meus LPs, vi na prateleira, extasiado, que havia sido lançado um disco chamado Ritchie Blackmore’s Rainbow, com uma capa que misturava em um único desenho o castelo – que representava o início de sua paixão pela música renascentista – e a guitarra que ele empunhava com tanta genialidade naqueles tempos.
Comprei o disco e voltei correndo para casa para ouvi-lo. Foi então que a surpresa se tornou ainda mais agradável quando os primeiros sulcos de "Man on the Silver Mountain" começaram a ser percorridos pela agulha de meu velho toca-discos. Quem era aquele cara que cantava com potência e certa rouquidão? Quem era aquele sujeito que não imitava o David Coverdale e muito menos o Ian Gillan? De onde havia surgido aquele baixinho que parecia contar uma história em cada canção daquele disco? A cada faixa que ouvia, o tal cara – chamado Ronnie James Dio – desfilava interpretações tão intensas, injetando sensações perfeitas para cada canção – tensão em "Self Portrait", safadeza em "Black Sheep of Family" e "If You Don’t Like Rock n’ Roll", suavidade sofrida nas lindas baladas "Catch the Rainbow" e "Temple of the King" e uma quase arrogância em "Snake Charmer" e "Sixteenth Century Greensleves" -, que transformavam o disco em uma escancarada "carta de intenções" do que Blackmore viria a fazer no futuro e que também explicavam porque o temperamental guitarrista tinha abandonado a sua famosa banda.
Um ano depois, outra surpresa, só que em proporções interplanetárias. Um segundo disco de Blackmore, Rising agora apenas ostentando o nome da banda – Rainbow – e com uma capa ainda mais espetacular. Fiz o mesmo que o ano anterior: comprei o LP e voltei correndo para casa, ansioso para ouvir uma "continuação" do primeiro álbum. Inadvertidamente, coloquei o lado B para tocar inicialmente e… e… e… O que veio a seguir foi uma sensação inédita. "Stargazer" trazia uma inacreditável sequência de viradas alucinantes de um novo baterista – um tal de Cozy Powell -, um riff épico de Blackmore e… aquela voz! Só que agora carregada de uma dramaticidade que eu e toda a minha geração jamais havíamos ouvido até então! Ronnie James Dio cantava com tamanha intensidade que éramos capazes de visualizar imagens que retratavam – literalmente ou não – aquilo que ouvíamos saindo dos alto-falantes de nossos precários equipamentos de som. O massacre era completado pelas monstruosas "Light in the Black", "Tarot Woman", "Starstruck" e outras. Quando terminei de ouvir o disco, meu cérebro havia escorrido pelas orelhas.
Daí para frente, Dio se tornou uma unanimidade quando alguém falava em "cantor de rock". Sua reputação terminou de ser sedimentada quando saiu Long Live Rock n’ Roll. O disco era um apanhado das sonoridades dos discos anteriores – "Lady of the Lake", "Gates of Babylon" e a espetacular "Kill the King" poderiam ter sido incluídas no Rising, enquanto que "L.A. Conection" e "Sensitive to Light" cairiam como uma luva no disco de estréia -, mas havia um "corpo estranho" ali, algo que estava muito além da proposta do disco, algo que, inconscientemente, dava uma pista do que iria acontecer com Dio no futuro: "The Shed" trazia o baixinho cantando com ira, como se estivesse em uma batalha contra seus demônios internos.
Leia a matéria completa no link abaixo:
http://colunistas.yahoo.net/posts/2311.html
Morte de Ronnie James Dio
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