A resposta de Cliff Burton a quem diz que Metallica se vendeu no "Master of Puppets"
Por Gustavo Maiato
Postado em 01 de março de 2026
Em qualquer cena musical, quando uma banda sai do underground e começa a alcançar públicos maiores, a palavra "vendido" costuma aparecer com rapidez. No heavy metal dos anos 1980, isso não era diferente. E mesmo um disco hoje tratado como clássico absoluto, "Master of Puppets", já nasceu cercado por desconfianças de parte dos fãs mais radicais.
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Lançado em 3 de março de 1986, o terceiro álbum do Metallica se tornaria um marco do thrash metal, frequentemente citado em listas da Rolling Stone e da IGN entre os maiores discos de metal de todos os tempos. Décadas depois, a faixa-título ainda ganharia nova geração de ouvintes ao aparecer na quarta temporada de Stranger Things. Mas em 1986, o clima era outro.
Durante a turnê norte-americana em que o grupo abria os shows para Ozzy Osbourne, James Hetfield e Cliff Burton foram questionados sobre acusações de que o Metallica teria "se vendido". A resposta foi direta. "Não estamos muito preocupados com eles", afirmou Hetfield, em entrevista resgatada pelo Ultimate Guitar.
Burton, que morreria meses depois, em 27 de setembro de 1986, em um acidente de ônibus durante turnê na Suécia, foi ainda mais enfático: "Nós fazemos o que queremos. Se eles consideram isso se vender, então que seja." A frase resume a postura da banda naquele momento: independência criativa acima de qualquer rótulo.
Hetfield complementou dizendo que muitos associavam "se vender" ao fato de a banda estar em uma grande gravadora ou alcançar popularidade maior. "Muitas pessoas acham que você se vendeu só porque está em uma grande gravadora e é muito popular", declarou. Burton ironizou: "Ou talvez porque você não toca a mil por hora o tempo todo." Hetfield concluiu: "Estaríamos fazendo a mesma coisa se ainda estivéssemos em uma gravadora independente."
Na mesma conversa, Hetfield destacou que o sucesso do álbum não vinha de uma estratégia convencional de mercado. "Estamos na 30ª posição nas paradas. Quase não tocamos nas grandes estações de rádio. Sem videoclipe, sem grande mídia. E, ainda assim, há todo esse burburinho acontecendo. Acho que é por causa da nossa música. Estamos fazendo do nosso jeito." O disco alcançaria a posição 29 na Billboard 200, um feito considerável para uma banda de thrash metal na época.
Até a imagem do grupo contrariava padrões do período. Enquanto muitas bandas apostavam em figurinos elaborados, o Metallica subia ao palco de camiseta, jeans e tênis. Burton brincou: "Funciona para eles; nós não faríamos isso… Já somos feios o suficiente." Para o baixista, as roupas eram simplesmente as que usavam no dia a dia: "É o que usamos quando estamos por aí, sem fazer nada. Por que deveríamos mudar quando estamos no palco?"
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