Membros do Iron Maiden não deram depoimentos a documentário de Paul Di'Anno
Por João Renato Alves
Postado em 22 de maio de 2026
Após exibições em festivais independentes, o documentário "Di'Anno: Iron Maiden's Lost Singer" chegará ao público em geral nas próximas semanas. A obra dirigida por Wes Orshoski acompanhou Paul Di'Anno em seus últimos anos de vida e conta com participações de figuras como Gene Simmons (Kiss) e James Hetfield (Metallica), além de membros do Sepultura, Slayer, Megadeth, Overkill e Exodus.
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No entanto, os antigos colegas de banda do cantor não concederam depoimentos. À Billboard, o cineasta explicou: "A primeira coisa que fiz depois de assinar o contrato com a Cleopatra Entertainment foi ligar para a equipe do Iron Maiden. O empresário, Rod Smallwood, foi muito gentil, mas me disse imediatamente que nem ele nem os membros atuais participariam. Obviamente, foi uma grande decepção, mas não era inesperado. No fim das contas, porém, estou muito feliz em dizer que, apesar de não terem falado, eles aparecem em filmagens."
Sobre a relação com o protagonista, Orshoski reconhece não ter sido fácil. "Acompanhei-o intermitentemente de 2017 a 2023. Paul podia ser um amor de pessoa, um homem adorável, mas também um verdadeiro demônio. Tentei mostrar os dois lados. Gostei muito de estar perto do cara engraçado e descontraído. Quando estava de bom humor, ele era superdivertido e uma explosão de alegria. Zero ego. Mas quando o lado Mr. Hyde aparecia, podia ser horrível para todos ao redor. E ele não se desculpava por essa maldade. Dito isso, várias vezes eu o vi explodir e percebi que ele quase imediatamente se sentia péssimo por isso."
Ainda assim, o diretor procura compreender, tendo em vista a situação física do artista e os reflexos que isso causava no aspecto mental. "Você precisa entender, eu estava o filmando durante alguns dos piores momentos. Imagine como estaria sua saúde mental se você estivesse preso em uma cadeira de rodas por quase uma década, tentando desesperadamente reconstruir sua vida e tivesse uma câmera filmando você. Eu, por exemplo, não conseguiria suportar. Então, tento me lembrar disso quando penso nos momentos mais sombrios."
Wes concluiu: "Para ser sincero, eu cresci muito trabalhando com o Paul. Depois que o projeto se arrastou por alguns anos, lembro de filmá-lo em seu centro de cuidados na Croácia. Naquele dia em particular, nós realmente nos desentendemos com a câmera ligada, gritando um com o outro. Assisti a cena alguns anos depois com uma perspectiva diferente e percebi que ele estava absolutamente certo sobre tudo o que estava reclamando. Liguei para para me desculpar. Ele estava no México na época e não se importou nem um pouco. Estava mais interessado em que tipo de tacos pediria para o almoço. Então, por mais que fosse justamente conhecido como A Besta, havia também uma certa dose de gentileza nele."
Nascido em Londres, Paul Andrews integrou o Iron Maiden entre 1978 e 1981, registrando os dois primeiros álbuns de estúdio da banda. Seu primeiro projeto após deixar a banda foi o Di'Anno. O nome foi reaproveitado na virada do século, com uma banda formada apenas por instrumentistas brasileiros.
A seguir fundou o Battlezone, com sonoridade mais pesada. O grupo existiu entre 1985 e 1989, retornando brevemente em 1998. Na sequência veio o Killers, que teve no álbum "Murder One" (1991) o trabalho mais elogiado do cantor fora da Donzela de Ferro. Também gravou e excursionou com Gogmagog, Praying Mantis, Scelerata e Architects Of Chaoz e Warhorse.
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