Como era o sistema de compor do Rush com Neil Peart e Alex Lifeson, segundo Geddy Lee
Por Gustavo Maiato
Postado em 22 de maio de 2026
Geddy Lee e Alex Lifeson voltaram aos holofotes com o nome Rush para celebrar mais de 50 anos da banda e homenagear Neil Peart. A nova fase tem Anika Nilles na bateria e Loren Gold nos teclados. No Brasil, a turnê Fifty Something passará por Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília em 2027.
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Em entrevista a Rick Beato, Geddy Lee explicou como funcionava o processo de composição do Rush ao lado de Alex Lifeson e Neil Peart. Segundo ele, não havia uma fórmula única. Às vezes, tudo começava com uma letra de Neil. Em outros casos, nascia de uma jam instrumental entre Geddy e Alex.
Quando Neil entregava uma letra forte, Geddy disse que ele e Lifeson tentavam encontrar a atmosfera certa para dar vida ao texto. Depois, levavam a ideia de volta ao baterista e letrista para saber se a música combinava com a intenção original.
"Às vezes eu recebia uma letra, lia e ficava muito tocado por ela. Alex também ficava. Então trabalhávamos duro para dar vida àquela letra e encontrar o clima certo", afirmou Geddy.
O baixista contou que Neil costumava ter uma música imaginária na cabeça quando escrevia uma letra. Mas, ao entregar o texto aos colegas, aceitava que aquela ideia inicial poderia mudar. Para Geddy, esse era o ponto central da parceria: a canção final precisava nascer da colaboração entre os três.
"Ele aceitou há muito tempo que a música na cabeça dele precisava ir embora, porque era uma colaboração com outros dois compositores", disse.
Geddy citou "Bravado" e "Closer to the Heart" como exemplos de músicas que nasceram mais diretamente das letras. Mas também descreveu outro método, mais trabalhoso, em que ele e Alex passavam horas tocando, gravando ideias e juntando partes instrumentais.
Nos primeiros anos, o processo era mais simples e improvisado. Como o Rush ainda abria shows para outras bandas e não tinha acesso fácil a estúdio, o trio escrevia onde dava. Muitas músicas surgiram em quartos de hotel, com Geddy e Alex tocando violões enquanto Neil participava com ideias de letra.
Com o tempo, o método ficou mais sofisticado. Quando passaram a ter recursos de gravação nos locais de ensaio, Geddy e Alex registravam riffs, jams e trechos instrumentais. Neil enviava várias letras, e Geddy espalhava esses textos pela sala. Depois, procurava versos que combinassem com alguma parte musical.
Ele comparou o processo a um quebra-cabeça. Uma linha de baixo, um riff ou uma atmosfera podia encontrar uma frase de Neil e virar a semente de uma música. A partir daí, começava o trabalho de ajustes entre os três.
Na nova turnê, esse legado será revisitado sem Neil no palco, mas com sua presença no centro da homenagem. A divulgação oficial dos shows afirma que Lee e Lifeson voltam para celebrar a música do Rush, seu legado e a vida do baterista e letrista.
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