Como surgiu a lendária intro de baixo de "Bete Balanço", segundo Dé Palmeira
Por Gustavo Maiato
Postado em 30 de abril de 2026
O baixista Dé Palmeira contou, em entrevista ao Corredor 5, como nasceu a marcante linha de baixo de "Bete Balanço", clássico de Cazuza e do Barão Vermelho. Segundo ele, a criação não teve mistério. A música já trazia uma base muito definida na guitarra, e o baixo entrou para reforçar esse desenho com mais presença e balanço.
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Dé disse que a faixa foi gravada no Estúdio Transamérica e lembrou que a introdução ganhou força pelo espaço deixado pelos outros instrumentos. Como a música tinha um clima mais "soft" dentro do repertório do Barão, sem guitarras tão pesadas, o baixo pôde aparecer mais. "As guitarras não comem tanto baixo", afirmou. "Então tem espaço para todo mundo ali."
O músico também comentou que "Bete Balanço" permitiu a Cazuza cantar de forma mais contida e melodiosa. Para Dé, a canção ficava no limite de um tipo de rock que ainda soava elegante, sem ser leve demais nem cair em exageros. "Não era um rockão", disse. "Mas também não era farofa."
A gravação contou com Dé Palmeira, Guto Goffi e Roberto Frejat. Segundo o baixista, Maurício Barros não tocou na faixa. Ele também lembrou a presença de Peninha na percussão, com congas, em uma das primeiras participações do músico com o grupo.
Lançada em 1984, "Bete Balanço" se tornou uma das músicas mais conhecidas da parceria entre Cazuza e o Barão Vermelho. A introdução de baixo ajudou a dar identidade à faixa e virou uma das marcas mais lembradas do repertório da banda.
Quem é "Bete Balanço"?
Lançada pelo Barão Vermelho no álbum "Maior Abandonado", de 1984, "Bete Balanço" nasceu sob encomenda para o filme de mesmo nome, dirigido por Lael Rodrigues e estrelado por Débora Bloch. Na história, Bete é uma jovem de Minas Gerais que passa no vestibular, mas decide ir ao Rio de Janeiro para tentar viver de rock. A personagem traduzia o espírito de uma geração criada durante a repressão, mas ligada a ideias mais livres e ao crescimento do rock nacional nos anos 1980.
Segundo Julio Ettore, a produção procurou Cazuza para incluir uma música na trilha do filme. Roberto Frejat apresentou um riff com "latinidades", enquanto Cazuza, com um resumo da trama em mãos, criou uma Bete mais maliciosa e menos ingênua que a personagem original. A faixa ganhou sonoridade própria por ter sido gravada antes e em outro estúdio. Cazuza e Lobão também aparecem no longa.
Confira a entrevista completa com Dé Palmeira abaixo.
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