O pioneiro do rock que Elton John passou a considerar "patético"
Por Bruce William
Postado em 13 de junho de 2026
Elton John cresceu admirando músicos que colocavam personalidade acima de qualquer acabamento. James Taylor, Cat Stevens e Leon Russell estavam entre seus grandes heróis como compositores, mas sua formação também passava pelos pioneiros do rock and roll. Little Richard, Fats Domino e Jerry Lee Lewis ajudaram a mostrar que o piano podia ocupar o centro de uma música com a mesma força de uma guitarra.
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No caso de Jerry Lee Lewis, a influência também aparecia na maneira de tocar. O músico conhecido como "The Killer" atacava o instrumento, chutava o banco e transformava suas apresentações em espetáculo físico. Décadas depois, Elton faria algo parecido à sua maneira, usando o piano não como peça delicada de sala de estar, mas como uma máquina capaz de comandar uma banda inteira.

Essa admiração, porém, não durou intacta. Elton continuava reconhecendo o talento técnico de Lewis, mas passou a enxergar com irritação a forma como o veterano administrava sua carreira. O problema não era simplesmente envelhecer ou gravar material mais lento. Para ele, Jerry Lee havia começado a depender demais da própria reputação, como se o nome histórico bastasse para sustentar qualquer projeto.
A reação mais dura veio em torno de "The Session", álbum em que Lewis revisitou músicas de seu repertório acompanhado por vários convidados. A proposta poderia soar como celebração, mas Elton viu ali um músico cercado por gente famosa, tentando recuperar uma força que ainda possuía, porém já não parecia disposto a usar plenamente.
"Ele fica se chamando de 'The Killer'. Eu conseguiria matar mais pessoas com um único dedo do que ele matou quando o vi", disparou Elton. "Eu sempre acho patéticos esses artistas de rock and roll hoje em dia. Quer dizer, eles me convidaram para tocar no disco, o que era ridículo. O que eu deveria fazer, tocar piano para Jerry Lee Lewis?"
O ataque ficava ainda mais cortante porque vinha acompanhado de reconhecimento. Elton não dizia que Lewis havia perdido a capacidade. Pelo contrário: "O cara é tecnicamente brilhante o bastante para passar por cima de mim sem esforço. Só que é tão preguiçoso que não faz a porra do esforço."
Para Elton, esse parecia ser o verdadeiro desperdício. Jerry Lee Lewis ainda tinha técnica, história e autoridade suficientes para fazer algo forte sem precisar se apoiar numa reunião de estrelas. Convidar outro pianista de destaque para tocar ao seu lado soava quase absurdo, justamente porque o próprio Lewis era capaz de dominar o instrumento melhor do que praticamente qualquer participante.
Também havia uma certa decepção pessoal por trás da raiva. Não se tratava de um músico qualquer lançando um disco fraco, mas de alguém que havia ajudado a definir o que uma apresentação de rock poderia ser. Ver aquele antigo herói, na opinião de Elton, trabalhando abaixo de sua capacidade parecia apagar um pedaço da imagem que ele carregava desde jovem.
Elton John nunca teve dificuldade para elogiar seus ídolos, mas tampouco fazia questão de preservar reputações quando não gostava do que ouvia. Jerry Lee Lewis permaneceu, para ele, um pianista extraordinário. O respeito pelo músico que ainda poderia existir, porém, já não era o mesmo dedicado ao homem que um dia incendiava o palco atrás de "Whole Lotta Shakin' Goin' On".
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