A música do Queen que Freddie Mercury considerava melhor que "Bohemian Rhapsody"
Por Bruce William
Postado em 12 de junho de 2026
"Bohemian Rhapsody" virou uma espécie de monumento dentro da história do Queen. A música atravessou décadas, voltou às paradas, ganhou novas gerações e se tornou quase inseparável da imagem de Freddie Mercury. Para muita gente, qualquer discussão sobre a melhor canção da banda começa e termina ali.
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Freddie, porém, não parecia enxergar seu próprio trabalho da mesma forma. Ele sabia que "Bohemian Rhapsody" era especial, mas também entendia que sucesso, impacto e qualidade de composição não são exatamente a mesma coisa. Uma música pode ser maior como acontecimento e, ainda assim, não ser aquela que o autor considera mais bem construída.
Parte da força do Queen vinha justamente da diferença entre seus compositores. Brian May costumava trazer riffs e estruturas grandiosas; Roger Taylor seguia muitas vezes por um rock mais direto; John Deacon tinha facilidade com groove, soul e R&B. Freddie transitava entre balada, teatro, pop, gospel e humor sem parecer preso a uma fórmula.
Em "A Night at the Opera", lançado em 1975, isso ficou evidente. "Bohemian Rhapsody" reuniu fragmentos de ideias, mudanças bruscas, ópera, balada e hard rock em uma composição que parecia desafiar qualquer regra de rádio. O resultado foi tão marcante que acabou ocupando um lugar quase inalcançável dentro do catálogo da banda.
Mas, quando falava sobre escrita, Freddie apontava para outra música: "Somebody to Love", lançada em 1976 no álbum "A Day at the Races". A faixa nasceu de sua admiração por cantoras como Aretha Franklin e pelo gospel americano, com as vozes do Queen empilhadas para criar a impressão de um coral muito maior do que o trio que realmente gravou as harmonias.
"Do ponto de vista da composição, acho que consigo escrever melhor do que 'Bohemian Rhapsody'", afirmou Mercury, em fala resgatada pela Far Out. "'Somebody to Love', na minha avaliação, é uma música melhor em termos de composição. Mas isso é muito difícil, porque as pessoas pensam nas músicas em termos de sucesso. Depende muito de como você olha para isso."
A preferência faz sentido quando se observa a estrutura de "Somebody to Love". A canção é elaborada, mas mantém uma linha emocional clara do começo ao fim. Freddie canta sobre solidão, fé, desespero e necessidade de afeto sem depender de personagens ou imagens enigmáticas. A grandiosidade está ali, mas organizada em torno de uma pergunta simples e repetida: alguém pode encontrar para ele uma pessoa para amar?
"Bohemian Rhapsody", por outro lado, trabalha com o mistério. Freddie nunca entregou uma explicação definitiva para a letra, e a música funciona como uma sequência de cenas abertas à interpretação. Em vez de seguir um caminho emocional único, ela muda de forma várias vezes e transforma essa instabilidade em parte de seu encanto.
Para o público, justamente essa estranheza ajudou a transformar "Bohemian Rhapsody" em algo único. Para o compositor, porém, "Somebody to Love" talvez representasse um controle maior sobre melodia, letra e desenvolvimento. Era uma música ambiciosa, mas também mais coesa, capaz de soar enorme sem perder o coração no meio do espetáculo.
Freddie não precisava escolher entre uma e outra como quem apaga um clássico para celebrar o seguinte. Ele apenas fazia uma distinção que o público nem sempre faz. "Bohemian Rhapsody" podia ser o maior fenômeno do Queen. Na mesa de composição, porém, ele acreditava ter chegado ainda mais perto do que queria em "Somebody to Love".
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