A origem de "Por Quem os Sinos Dobram", que une Raul Seixas e Metallica
Por Emanuel Seagal
Postado em 11 de junho de 2026
Raul Seixas e Metallica, dois mundos aparentemente distintos, beberam exatamente da mesma fonte literária. "Por Quem os Sinos Dobram", título de música e de álbum lançados pelo "Maluco Beleza" em 1979, veio de uma série de empréstimos que começou com um texto em prosa escrito séculos atrás.
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A origem é a "Meditação XVII" de John Donne, poeta e sacerdote anglicano que publicou a obra em 1624 enquanto se recuperava de uma doença grave. É dela a reflexão de que nenhum homem é uma ilha e de que não se deve perguntar por quem os sinos dobram, pois eles dobram por ti. No texto, o sino que anuncia um funeral lembra ao vivo que toda morte também é um pouco a sua.
A expressão ficou conhecida em 1940, quando Ernest Hemingway a utilizou como título do romance sobre a Guerra Civil Espanhola, "For Whom the Bell Tolls". O livro vendeu meio milhão de cópias nos primeiros meses e ganhou uma adaptação para o cinema em 1943, estrelada por Gary Cooper e Ingrid Bergman. Foi do romance que o Metallica se inspirou para compor a faixa homônima lançada em "Ride the Lightning" (1984). A música trata de uma passagem específica do livro, em que soldados das Brigadas Internacionais tentam escapar dos fascistas, sendo abatidos por aeronaves inimigas em uma colina.
Raul Seixas trouxe a pergunta de John Donne para o português e a devolveu em forma de rock filosófico. A faixa, escrita com o argentino Oscar Rasmussen, preserva o aspecto filosófico da "Meditação XVII": ninguém vence nada sozinho, e a dor alheia é responsabilidade de quem ouve. O refrão deixa isso explícito: "Nunca se vence uma guerra lutando sozinho. Você sabe que a gente precisa entrar em contato". Cinco anos antes do Metallica, o baiano já havia posto os sinos de John Donne para dobrar em português.
A linha do tempo completa é a seguinte: John Donne escreve em 1623, publica em 1624. Ernest Hemingway toma a frase como título em 1940. Raul Seixas a traduz para o português e a devolve em forma de rock em 1979. O Metallica, cinco anos depois, mergulha na mesma fonte.
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