Como Mark Knopfler adaptou um defeito para escapar de tocar guitarra "do jeito errado"
Por Bruce William
Postado em 13 de junho de 2026
Poucos guitarristas são reconhecidos tão rapidamente quanto Mark Knopfler. Às vezes bastam duas ou três notas para identificar aquele toque seco, limpo e cheio de pequenos espaços entre uma frase e outra. Ainda assim, o próprio líder do Dire Straits nunca se apresentou como exemplo de técnica impecável. Pelo contrário: costuma falar de sua maneira de tocar como uma coleção de hábitos errados que acabou funcionando.
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Knopfler desenvolveu um estilo baseado principalmente nos dedos, sem depender da palheta que tantos guitarristas consideram indispensável. Isso lhe deu uma dinâmica particular, com polegar e indicadores atacando as cordas de maneiras diferentes. Em vez de buscar velocidade ou precisão mecânica, ele construiu um vocabulário que parecia responder diretamente ao ritmo e à melodia das canções.
"Sultans of Swing" tornou essa abordagem conhecida no mundo inteiro. A guitarra passeia pela música sem sufocar o restante da banda, alternando pequenas respostas, acordes e solos que soam difíceis, mas nunca parecem estar ali apenas para demonstrar habilidade. Era uma técnica muito própria antes mesmo de Knopfler saber explicá-la.
Ele admite que um professor provavelmente encontraria vários problemas em sua postura. "Eu tenho uma espécie de taquigrafia no instrumento, que é o pesadelo de qualquer professor de guitarra", contou, em fala publicada na Far Out. "Você está segurando errado. É como um encanador segura um martelo."
A comparação ajuda a entender sua relação com o instrumento. Knopfler não aprendeu a guitarra como quem segue uma sequência correta de exercícios até dominar todas as possibilidades. Foi criando atalhos para chegar aos sons que queria, mesmo que esses caminhos parecessem estranhos para alguém treinado de maneira tradicional.
A grande vantagem era escrever as próprias músicas. "O que me torna diferente é que eu componho as canções, então consigo escapar fazendo certas coisas", explicou. Como não precisava se adaptar a peças escritas para demonstrar uma técnica específica, podia construir cada música em torno daquilo que suas mãos faziam melhor.
Isso não significa que seu vocabulário fosse limitado. Ao longo do Dire Straits e da carreira solo, Knopfler misturou blues, country, folk, rock e pequenos elementos de jazz. Também trabalhou com Bob Dylan, Tina Turner, Chet Atkins e outros artistas que dificilmente chamariam alguém por mera curiosidade. Sua habilidade estava menos em tocar qualquer coisa e mais em encontrar a nota capaz de mudar a atmosfera de uma gravação.
"Money for Nothing" oferece outro exemplo. O riff surgiu de uma combinação particular de posição, amplificação e execução, produzindo um som que muitos guitarristas tentaram reproduzir durante décadas. A força daquela gravação não estava na aplicação correta de uma regra, mas num acidente controlado que Knopfler reconheceu e soube aproveitar.
Chamar isso de falta de técnica seria simplificar demais. Knopfler possuía técnica, só que desenvolvida a partir das próprias necessidades. Seus aparentes defeitos se repetiram durante tanto tempo e com tamanha coerência que viraram linguagem. Aquilo que um professor talvez tentasse corrigir tornou-se justamente o que milhões de ouvintes queriam escutar.
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