A música do Jethro Tull que teria ficado melhor com outro guitarrista, segundo Ian Anderson
Por Gustavo Maiato
Postado em 25 de abril de 2026
Ian Anderson já admitiu que há uma faixa do início do Jethro Tull que, em sua visão, poderia ter ganhado outra dimensão com um guitarrista diferente. Ao revisitar "Beggar's Farm", do álbum "This Was" (1968), o músico disse que a canção teria sido "muito melhor" se tivesse passado pelas mãos de Peter Green. Ao recuperar essa lembrança, a Far Out trata a faixa como uma das joias do "catálogo inicial" da banda.

No texto, o jornalista Jordan Potter lembra que o primeiro Jethro Tull surgiu como uma banda de fusão entre blues e jazz, antes de ampliar o leque para rock pesado, folk e música clássica. Nessa fase, segundo a Far Out, o grupo se destacava pela disposição de unir elementos pouco óbvios e pela presença da flauta como "voz central", o que dava às músicas uma qualidade "ligeiramente desequilibrada" e difícil de encaixar em uma única categoria.
É nesse contexto que aparece "Beggar's Farm". Anderson a descreveu como uma das primeiras composições feitas do zero ao lado de Mick Abrahams. Segundo ele, era "essencialmente uma peça derivada do blues de 12 compassos", mas com uma letra incomum e um tratamento sonoro mais particular. A Far Out observa que a faixa acabaria se tornando uma "favorita dos fãs" dentro da fase inicial do grupo.
Jethro Tull e "Beggar's Farm"
Anderson também destacou o "clima jazzístico" da gravação, ajudado pelo momento em que começava a desenvolver sua linguagem como flautista. Ele disse que, quando a música foi registrada, já havia conseguido chegar a algo "razoavelmente competente" no instrumento. Dentro de suas próprias limitações, o músico afirmou que mudaria pouca coisa na faixa. O ponto de interrogação sempre esteve na guitarra.
Foi aí que surgiu o nome de Peter Green. Para Anderson, o ex-Fleetwood Mac possuía uma capacidade especial de pegar uma base de blues e levá-la para outro lugar. "Ele tinha essa grande habilidade de pegar coisas que eram essencialmente uma peça de blues e transformá-las no que estava sendo chamado de 'rock progressivo'", afirmou. Na avaliação do líder do Jethro Tull, isso deixava de ser uma mera cópia do blues folk negro americano e se tornava algo "peculiarmente britânico".
A Far Out reforça essa leitura ao dizer que Green sabia "reempacotar abordagens tradicionais em casamentos sonoros pouco convencionais", ideia que ajuda a explicar a admiração de Anderson. Ao falar diretamente sobre "Beggar's Farm", ele resumiu o pensamento sem rodeios: Peter Green "teria trazido seu toque particular" à música. E concluiu que, com ele, a faixa teria ficado "muito melhor".
Para explicar o que tinha em mente, Anderson citou "Black Magic Woman", canção associada ao Fleetwood Mac e depois regravada com sucesso por Santana. Era esse tipo de transformação que ele imaginava para a música do Jethro Tull: uma leitura menos presa ao molde tradicional do blues e mais marcada por personalidade, intensidade e invenção.
No fim, a versão idealizada nunca existiu. Mas a fala de Ian Anderson revela duas coisas ao mesmo tempo: o valor que ele ainda vê em "Beggar's Farm" e o tamanho da influência de Peter Green sobre músicos britânicos que, no fim dos anos 1960, tentavam levar o blues para uma linguagem própria.
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