O baterista que Neil Peart achava estar longe demais para alcançar
Por Bruce William
Postado em 17 de maio de 2026
Neil Peart virou referência para bateristas de rock por uma combinação difícil de copiar: técnica, disciplina, força física, precisão e um jeito muito particular de pensar a música dentro do Rush. Ele não era apenas o sujeito atrás da bateria. Depois que entrou na banda, em 1974, substituindo John Rutsey, também passou a escrever as letras, ajudando Geddy Lee e Alex Lifeson a levar o trio para um terreno mais ambicioso do que o hard rock inicial da estreia.
Rush - Mais Novidades
Por isso mesmo, é curioso notar como Peart falava de seus próprios ídolos. Ele tinha consciência do trabalho que fazia, mas raramente soava como alguém satisfeito em ocupar um trono. Em entrevistas, textos e projetos paralelos, voltava com frequência aos bateristas que o formaram de algum modo, especialmente aqueles ligados ao jazz e às big bands. Era um universo diferente do rock progressivo do Rush, mas ajudava a explicar parte da cabeça dele.
Entre esses nomes, Buddy Rich ocupava um lugar quase impossível de alcançar. Peart lembrava de vê-lo na televisão, especialmente no Tonight Show, e não tratava aquilo como uma influência comum, dessas que o músico absorve e logo tenta reproduzir no quarto. Para ele, havia uma distância real entre admirar Rich e entender o que estava acontecendo ali.
A fala, resgatada pela Far Out, é bem reveladora: "Naqueles mesmos anos, eu via Buddy Rich tocar na televisão, no Tonight Show, mas apenas balançava a cabeça - ele parecia longe demais para ser alcançado. Como Gene disse sobre Buddy: 'Há todos os grandes bateristas do mundo - e então há Buddy'. Levaria muito tempo até que eu começasse sequer a entender o que estava vendo e ouvindo quando Buddy tocava, mas, eventualmente, eu saberia tão bem quanto qualquer um por que ele era tão reverenciado."
Buddy Rich não foi apenas mais um baterista admirado por Peart. Em entrevista sobre o projeto Burning for Buddy, álbum tributo lançado nos anos 90, o músico do Rush fez questão de dizer que não se tratava de uma velha fantasia de fã finalmente realizada. Segundo ele, sua relação com Rich vinha principalmente das aparições na TV. Ainda assim, a conclusão era seca: "Ele era simplesmente o maior baterista do mundo, e era isso."
Essa admiração também ajuda a entender por que Peart, já consagrado, continuou estudando. Nos anos 90, ele procurou Freddie Gruber, professor ligado ao mundo do jazz e mentor de vários bateristas importantes, para repensar sua técnica. Em um texto de 1997, Peart afirmou que, depois de 30 anos tocando, sentia certa inquietação e precisava de novos desafios para não ficar estagnado. Para um músico que já era tratado como mestre por muita gente, isso diz bastante.
Geddy Lee comentou anos depois que essa mudança obrigou o Rush a se adaptar ao novo jeito de Peart tocar. A banda queria, em alguns momentos, que ele simplesmente virasse as baquetas e "sentasse a mão" como antes, mas Peart estava decidido a seguir por outro caminho, com mais balanço e outra relação entre força e fluidez. Segundo Lee, aquilo o tornou ainda mais impressionante: mais feroz, mas também capaz de "swingar" de repente.
No caso de Neil Peart, a grandeza talvez esteja justamente nessa mistura meio ingrata para quem tenta resumir o sujeito: ele era técnico sem tratar técnica como troféu, estudioso sem virar peça de museu, e famoso o bastante para ser chamado de lenda enquanto ainda olhava para Buddy Rich como quem vê uma montanha do outro lado da estrada. Para muitos bateristas, Peart já era essa montanha. Para ele, ainda havia alguém lá em cima, tocando rápido demais para caber numa explicação simples.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Bruce Dickinson tocará músicas inéditas em sua próxima turnê, anunciada nesta terça-feira
Nicko McBrain critica voz atual de Axl Rose e revela tentativa frustrada de reconciliação
A música do Led que parece fantasia, mas nasceu de uma bronca de Robert Plant com a polícia
A banda que Dave Grohl chamou de circo e comparou a cerveja velha e sem graça
Bono e The Edge explicam o que mantém o U2 unido há 50 anos
A música do Slayer que produtor Ross Robinson considera tão boa quanto "Angel of Death"
O único pedido de desculpas que Gene Simmons fez na vida, segundo Desmond Child
Angela Gossow conta em detalhes como Lauren Hart se tornou vocalista do Arch Enemy
Como Kurt Cobain foi a causa do som ruim de um álbum do Black Sabbath
Saxon lança "Medusa", faixa de seu próximo disco de estúdio
O disco mais odiado do Metallica que Jimmy Page e Jack White adoraram
A faixa de "Reign in Blood" que é a preferida do baterista Dave Lombardo
Metallica divulga performance ao vivo de "Fade to Black"
O sucesso de 1977 que Paul McCartney reconheceu como praticamente cópia de uma música dos Beatles

Os três melhores solos do Rush segundo Alex Lifeson, incluindo um que até ele acha difícil
Por que o Rush passou a ensaiar os próprios erros antes de voltar aos palcos
As 10 bandas de hard rock com a melhor trinca de álbuns dos anos 1980, segundo a Loudwire
A curiosa e sincera opinião de Neil Peart sobre Ringo Starr
A banda soft rock americana da qual Geddy Lee (Rush) é um grande fã
O guitarrista apontado como melhor do mundo que Alex Lifeson não curte: "Não me tocava"
O disco ao vivo que mostrou ao mundo o que o Rush realmente era capaz de fazer
A canção dos anos 60 que Geddy Lee diz ser "heavy metal antes de existir heavy metal"
O álbum do Rush que Derrick Green mais gosta (e o que mais odeia)
O show que deixou o Rush abismado; "a gente queria tocar que nem eles, mas eram difíceis"


