A música de 1972 que fez Dave Grohl querer ser músico
Por Bruce William
Postado em 06 de junho de 2026
Dave Grohl costuma falar de música com entusiasmo de fã, mesmo depois de décadas em bandas gigantes. Ele pode comentar Beatles, Led Zeppelin, punk, metal, disco obscuro e hit de rádio com a mesma empolgação de quem ainda lembra o impacto físico de ouvir uma música pela primeira vez. Antes do Nirvana, do Foo Fighters e de qualquer palco enorme, havia um garoto descobrindo discos em casa e tentando entender por que certos sons pareciam maiores do que o mundo ao redor.
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Uma dessas descobertas veio por meio de uma coletânea da K-Tel, comprada por Grohl quando ele ainda era criança. Em entrevista à Q, repercutida pela Far Out, ele lembrou que pagou apenas um dólar pelo disco, mas encontrou ali algo que chamou de base de sua formação musical. Entre as faixas, uma ficou marcada de forma especial: "Frankenstein", do Edgar Winter Group.
"Naquele disco estava a fundação do meu ser musical", disse Grohl. Em seguida, destacou a faixa que mais o atingiu: "'Frankenstein', do Edgar Winter Group. Foi a primeira música pela qual me apaixonei."
Lançada originalmente em 1972 no álbum "They Only Come Out at Night", "Frankenstein" (youtube) virou um dos maiores sucessos do Edgar Winter Group. A música é instrumental, pesada, cheia de mudanças, com teclado, sintetizador, saxofone, bateria e guitarra entrando em um tipo de construção que misturava hard rock, virtuosismo e espetáculo sem precisar de letra para funcionar.
Em outra ocasião, no podcast Celebrity Playlist, da Apple, Grohl foi ainda mais direto ao explicar o impacto daquele riff. "É o riff mais clássico de todos os tempos", afirmou. Ele disse que devia ter seis ou sete anos quando ouviu a música e pensou: "Meu Deus, eu quero ser músico". A conclusão infantil veio sem grandes teorias: "Isso detona!".
Antes de Grohl se tornar baterista do Nirvana ou líder do Foo Fighters, "Frankenstein" já havia mostrado a ele que uma música podia ser assustadora, divertida, pesada e empolgante ao mesmo tempo. Às vezes, a decisão de virar músico não nasce de uma aula, de uma explicação técnica ou de um plano de carreira. Nasce de um riff entrando pela caixa de som e fazendo uma criança pensar que precisava estar do outro lado daquele barulho.
O riff de guitarra que impressionou Grohl era de Ronnie Montrose, enquanto Edgar Winter comandava a faixa com sua habilidade multi-instrumental. Ao vivo, Winter costumava alternar entre teclados, sintetizador, saxofone e bateria, transformando "Frankenstein" em uma vitrine de energia e domínio de palco. Não era apenas uma música com riff forte; era uma peça feita para causar impacto.
Dá para entender por que aquilo acertou Grohl tão cedo. "Frankenstein" tem muito do que depois apareceria em sua própria trajetória: força rítmica, riff memorável, volume, sensação de urgência e uma alegria quase física em tocar alto. Mesmo sendo uma faixa instrumental dos anos 70, ela carrega aquele tipo de energia direta que fala com qualquer garoto disposto a bater em alguma coisa até virar música.
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