A música que Jimi Hendrix gostaria de ter escrito - e que foi inspirada num encontro com ele
Por Bruce William
Postado em 06 de junho de 2026
Jimi Hendrix costumava ser visto como uma figura sem paralelo quando o assunto era guitarra elétrica, mas isso não significa que ele estivesse isolado do que acontecia ao seu redor. Pelo contrário. Ele acompanhava outros músicos, absorvia ideias, reagia ao que ouvia e também se impressionava com canções que pareciam apontar para caminhos próximos dos que ele próprio explorava.
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Um desses casos envolve "White Room", lançada pelo Cream em 1968 no álbum Wheels of Fire. A faixa foi composta por Jack Bruce, com letra de Pete Brown, e reuniu elementos que ajudavam a definir aquele momento do rock: peso, psicodelia, blues, uma estrutura acessível e uma abertura em compasso incomum, com Ginger Baker criando uma entrada dramática antes de a música cair no corpo principal.
Jack Bruce contou à Forbes que a inspiração musical para "White Room" veio justamente de seu encontro com Hendrix e da maneira como ele tocava. O detalhe curioso é que Hendrix apareceu depois em uma sessão de gravação da música, em Nova York, e disse a Bruce que gostaria de escrever algo daquele tipo. A resposta do baixista foi simples: "Mas isso vem de você!".
Hendrix já havia lançado músicas como "Purple Haze", "The Wind Cries Mary" e "Little Wing", e em 1968 levaria suas próprias experiências ainda mais longe com "Electric Ladyland". Mesmo assim, a admiração por "White Room" mostra que ele reconhecia em outros músicos a mesma vontade de empurrar a linguagem para fora do lugar. Como coloca a Far Out, o Cream, naquele momento, também estava trabalhando numa fronteira em que blues, psicodelia e peso ainda não tinham nomes tão definidos.
E a frase resume bem o jogo de espelhos daquele período. Hendrix inspirou Bruce, Bruce transformou aquela influência em uma música do Cream, e Hendrix, ao ouvir o resultado, reconheceu ali algo que também gostaria de alcançar. Não era uma cópia, mas uma circulação de ideias entre músicos que estavam tentando expandir o rock quase ao mesmo tempo.
"White Room" tinha uma qualidade que ajuda a explicar a reação de Hendrix. A música funciona como single, mas não é uma canção simples no sentido comum. O baixo e a voz de Jack Bruce dão o peso principal, a bateria de Baker cria tensão, e Eric Clapton usa o wah-wah na guitarra para produzir um efeito quase vocal. A faixa soava grande, estranha e direta ao mesmo tempo, exatamente no ponto em que o rock de 1968 começava a misturar ambição e impacto imediato.
A história também tira um pouco daquela ideia de gênios criando em compartimentos fechados. Hendrix mudou a guitarra, mas também escutava, aprendia e reagia. Jack Bruce e Cream foram influenciados por ele, mas devolveram essa influência em forma de uma música que o próprio Hendrix gostaria de ter feito. É assim que cenas fortes funcionam: um músico acende o outro, e ninguém sai exatamente do mesmo jeito.
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