O ícone do rock dos anos setenta que Eric Clapton tinha medo de encontrar
Por Bruce William
Postado em 05 de junho de 2026
Eric Clapton já havia passado por várias fases quando o punk explodiu na Inglaterra. Tinha sido exaltado como guitarrista nos Yardbirds, no John Mayall & the Bluesbreakers e no Cream, mergulhado no blues, formado o Derek and the Dominos e atravessado os anos 70 como um nome enorme do rock. Para uma geração nova, porém, esse currículo também podia virar um alvo.
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O punk chegou com vontade de derrubar muita coisa que parecia estabelecida demais. Bandas e artistas que antes representavam risco, liberdade e ruptura passaram a ser vistos por parte daquela cena como figuras antigas, acomodadas ou ligadas a uma indústria que precisava ser atacada. Clapton, com seu status de "deus da guitarra", não estava exatamente fora dessa linha de tiro.
No meio desse ambiente, um nome em especial parecia incomodá-lo: Johnny Rotten, vocalista dos Sex Pistols. Rotten não era conhecido por tratar veteranos do rock com delicadeza. Pelo contrário, sua imagem pública era feita de provocação, desprezo por hierarquias antigas e uma disposição permanente para transformar entrevista em campo minado.
Clapton admitiu que nunca quis encontrar o cantor. "Tenho certeza de que havia pessoas no meio de tudo aquilo, como Joe Strummer, do Clash, que gostavam da música de antes. Mas eu nunca conheci Johnny Rotten, e não queria conhecer Johnny Rotten", afirmou.
O guitarrista explicou que não tinha vontade de se colocar em uma situação de confronto na qual já chegaria marcado como alguém ultrapassado. "Eu não queria encontrar pessoas em confronto, onde eu já era marcado como morto. Eu estava com medo. E nunca realmente entendi ou fui motivado por ódio ou raiva", disse Clapton.
A fala mostra bem o choque entre duas gerações. Clapton vinha de uma escola em que o blues, a técnica e a tradição tinham peso central. O punk, por sua vez, parecia muitas vezes rejeitar exatamente esse tipo de reverência. Para Johnny Rotten e outros nomes daquela cena, parte da força estava em não pedir permissão a ninguém, especialmente a músicos que já ocupavam o topo havia anos.
Ainda assim, a separação nunca foi tão limpa quanto parecia. Muitos punks também vinham de Chuck Berry, garage rock, blues, glam e rock dos anos 60, mesmo quando fingiam que queriam incendiar tudo que veio antes. E Clapton, apesar de distante daquele espírito, também sabia o que era tensão dentro de uma banda. O Cream não foi exatamente uma reunião de monges em busca de harmonia espiritual.
No caso de Johnny Rotten, a figura pública era parte do impacto. John Lydon, seu nome verdadeiro, construiu um personagem capaz de irritar, assustar e expor o desconforto de quem estava por perto. Clapton talvez tivesse mais em comum com aquele mundo do que imaginava, mas preferiu não testar a hipótese pessoalmente. Às vezes, no rock, o medo de uma conversa diz quase tanto quanto uma briga de fato.
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