O vocalista que recusou The Doors e Deep Purple, mas depois entrou em outra banda gigante
Por Bruce William
Postado em 29 de abril de 2026
No rock dos anos 70, bons vocalistas não apareciam dando sopa em cada esquina. Havia muita banda boa, muito disco importante e muita pose no palco, mas frontmen realmente marcantes eram poucos. Por isso chama atenção saber que um mesmo cantor recebeu convites de The Doors e Deep Purple em momentos delicados da história das duas bandas, e recusou ambas.
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Esse sujeito era Paul Rodgers, voz do Free, grupo que, no começo da década, chegou a ser visto como uma das forças mais respeitadas do hard rock britânico. Rodgers nunca foi um cantor espalhafatoso no sentido teatral da palavra, mas tinha presença, timbre forte, blues no corpo e uma segurança que fazia muita gente olhar para ele como nome ideal quando alguma banda grande ficava sem vocalista.

Conforme relembra a Far Out, o primeiro convite veio no começo dos anos 70, depois da morte de Jim Morrison, em 1971. Os Doors até tentaram seguir adiante e, segundo Rodgers contou à Uncut em 2011, a banda levou a ideia a sério a ponto de Robby Krieger atravessar o Atlântico para tentar recrutá-lo pessoalmente. Na época, porém, Rodgers estava afastado, mais recolhido, e a conversa não andou.
Ao olhar para trás, ele deixou claro que provavelmente não toparia de qualquer forma. "Não sei. É difícil dizer, olhando agora. Mas acho que não", afirmou. Em seguida, resumiu a própria lógica de trabalho: "Eu tendo a formar bandas, é isso que eu faço. Embora seja sempre lisonjeiro ser convidado," em uma fala que ajuda a entender por que ele nunca pareceu muito inclinado a ocupar o espaço já definido por outra banda, ainda mais em um caso tão carregado quanto o de Morrison.
Dois anos depois, em 1973, o telefone tocou de novo. Desta vez era o Deep Purple, que precisava de um novo vocalista após a saída de Ian Gillan. Rodgers já conhecia gente da banda e tinha boa relação com Jon Lord, mas a resposta foi novamente negativa. Segundo ele contou ao Houston Press, o convite surgiu justamente quando estava montando o Bad Company, projeto que acabou virando uma das grandes bandas do hard rock daquela década.
Essa escolha combina com o perfil dele. Em vez de assumir grupos já conhecidos, com repertório, identidade e comparações inevitáveis, Rodgers preferiu construir algo novo em torno da própria voz. Foi assim com o Free, foi assim com o Bad Company e, em boa parte, foi assim também décadas depois, quando apareceu ao lado do Queen. Mesmo naquele caso, o nome adotado foi Queen + Paul Rodgers, deixando claro que não se tratava simplesmente de "substituir Freddie Mercury" como se nada tivesse acontecido.
Então temos dois grandes "e se?" do rock setentista. Um Paul Rodgers nos Doors talvez tivesse criado algo interessante, mas muito diferente do peso simbólico de Morrison. No Deep Purple, a combinação parece até mais fácil de imaginar, pela pegada hard blues que ele carregava. Só que Rodgers nunca pareceu interessado em vestir roupa sob medida para a história dos outros. Preferia montar a própria. E, para alguém com aquela voz, não dá para dizer que fosse uma escolha ruim.
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