Dead Nature - Acreditando no Metal e na Internet

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Por Erick Tedesco Gimenes
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Fundado em 1997, na cidade do Rio de Janeiro, a banda Dead Nature assume a proposta de tocar Heavy Metal sem rótulos, simplesmente um som com várias influências. O grupo recentemente lançou um EP com cinco músicas esbanjando a perfeita união da melodia com a técnica, exaltando o profissionalismo dos músicos, após certas mudanças, Daniel Croce (G), Daniel Melo (K), Marcos Frejat (V), Rafael Leitão (D) e Ricardo Piccoli (B). A entrevista feita com Frejat, Piccoli e Melo demonstrou o interesse da banda em alcançar respeito perante os fãs de Metal, numa conversa sobre o primeiro lançamento, problemas do cenário nacional e o futuro da banda.

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VALHALLA - Como vocês descreveriam o Dead Nature àqueles que não os conhecem?

PICCOLI - Bem... Metal! Simplesmente Metal... De início, odiamos rótulos, e depois, não podemos nos considerar Rock Progressivo pois, apesar da influência, somos muito pesados para isso. No Metal, sofremos tanto Influência das bandas dos anos 70 como de Heavy Metal, Prog Metal, Power Metal e até Thrash e Death Metal.

MELO - Dentro do Heavy Metal temos as mais variadas influências e isso se reflete nas composições. As músicas são diferentes entre si; uma pode ser considerada como Prog Metal, outra como Power Metal, outra como Metal Tradicional, outra com influências setentistas, enfim, não gostamos de nos prender a rótulos.

FREJAT - Embora seja muito ruim e até mesmo difícil rotular nosso som, acredito que hoje em dia isso acabe se tornando uma necessidade devido à quantidade de variações do Metal em si. Sem restringir nosso som como um todo, acredito que façamos um Heavy Metal rápido e vigoroso com muitas influências de Progressivo e Anos 70.

VALHALLA - O cenário metálico brasileiro oferece muitas oportunidades para vocês?

PICCOLI - Ainda acho que quase ninguém tem oportunidades no Metal brasileiro. Temos muitas bandas maravilhosas no Brasil, mas que não saem do anonimato. Temos bandas muito famosas no Rio que ninguém conhece fora daqui. E o mesmo acontece em São Paulo, Minas Gerais e no Sul. Ainda somos muito descentralizados e não temos uma pessoa que promova algo de mais força. Agora estão começando a surgir essas oportunidades com festivais em Minas, São Paulo e Rio de Janeiro (ainda está na promessa). Muita gente nos conhece dentro do Rio de Janeiro, mas mesmo assim encontramos certa dificuldade de mostrar nosso trabalho devido à ausência de locais para isso. O Metal brasileiro está muito forte hoje em dia, está começando a chamar muita atenção fora do país e está começando a movimentar mais dinheiro, trazendo mais investimentos e por conseqüência, a cada ano que passa são muito mais oportunidades para bandas iniciantes e veteranas.

MELO - As oportunidades nunca caem de mão beijada, principalmente pras bandas que estão iniciando. A gente está sempre correndo atrás. Corremos atrás de shows, gravamos e bancamos nosso próprio CD-demo, cuidamos do nosso site, da divulgação. Nossos gastos são muito superiores aos lucros. Quem sabe, com a repercussão da demo e de um futuro CD, as portas se abram mais para nós?

VALHALLA - Especificamente falando em turnês, o Dead Nature está fazendo alguns shows no Rio de Janeiro. Há datas previstas para tocar em outros estados?

PICCOLI - Tocamos esse mês em Minas Gerais, foi nosso primeiro show fora do estado do Rio. Nossos shows se resumem realmente a shows no estado, principalmente a capital, devido ao preço de se tocar fora daqui. Mas estamos prometendo shows no estado de São Paulo e Minas ainda antes de nos trancarmos nos estúdios para gravar o CD. E quem sabe um show um pouco mais longe. Mas não vamos divulgar possíveis datas ainda.

FREJAT - Como o Piccoli falou, gosto de ver isso como uma grande vitória, afinal, gravamos essa demo com apenas cinco músicas e com uma produção limitada por causa de custos, mas que já nos rendeu muitos frutos. Um exemplo disso foi a receptividade da galera de Minas. Muita gente já nos conhecia e foram conferir nosso trabalho ao vivo. Foi realmente gratificante!

VALHALLA - Na opinião de vocês, quais as dificuldades que uma banda enfrenta para gravar um CD ou demo, divulgar o material e agendar shows? E qual é o pior?

PICCOLI - Na minha opinião, as dificuldades são menores do que se imagina. "Where there's a will, there's a way!". As pessoas reclamam muito sem tentar, quem tenta de verdade reclama menos! Gravar não é uma dificuldade, é um prazer! O maior empecilho de gravar seria financeiro, mas a banda conseguiu desenvolver uma infra-estrutura que nos possibilita muita facilidade para isso. Divulgar o material demanda mais tempo de dedicação do que dinheiro, mas estamos nos aprimorando nisso, é realmente difícil ser notado em todos os lugares. Agendar show é muito fácil, o difícil é o público ter certeza que vale a pena assistir. Esse é o problema. Ainda existe preconceito do público quanto à bandas locais. E realmente, se quisermos tocar sempre, teremos que tocar em vários lugares diferentes, para isso temos que pegar a estrada e sair do estado! Não culpo o público de não se apresentar se o Dead Nature tocar duas semanas seguidas no mesmo lugar!

MELO - Os gastos são muitos, porque além da gravação também tem que bancar a prensagem e o encarte do CD. No nosso caso demos a sorte de ter gravado no home studio do baixista, o que nos aliviou bastante nesse aspecto financeiro, além de termos feito uma gravação sem pressa e sem estresse. Quanto à divulgação, mandamos nossa demo para várias revistas e sites especializados, e graças a Deus a recepção tem sido boa. Acreditamos também que o nosso site (www.deadnature.com) é uma ferramenta muito importante de divulgação, pois é muito abrangente, e as mensagens no nosso guestbook de vários estados do país e até mesmo do exterior não nos deixa mentir. Mas isso tudo dá trabalho e também tem seu custo, como postagem de cds pelo correio para as revistas, pagamento do domínio e hospedagem da home-page. Agendar shows também pode ser complicado, os lugares não são muitos, muitas vezes são improvisados e volta e meia os shows são cancelados ou remarcados. Mas o pior mesmo é gravar o CD, porque esse é o pontapé inicial de qualquer banda, é o mais crucial.

VALHALLA - A banda demonstrou alto nível de criação e produção no EP recentemente lançado, com músicas rápidas e cadenciadas. Como vocês dividem o processo de criação das composições?

PICCOLI - Existe a idéia inicial, que normalmente um membro desenvolve sozinho, e aos poucos vai apresentando para os outros, começamos a trabalhar nisso juntos ou separados e em certo momento sentamos no estúdio para gravar uma base e começamos a trabalhar no arranjo e linhas de vocais nela. Normalmente temos a letra antes das músicas, começamos a adaptar e depois reorganizamos a pré-produção, começamos a ensaiar massivamente e passamos a colocar a música no repertório dos shows para ver a reação do público. Esse é o processo que estamos fazendo com as músicas que não estão no EP.

FREJAT - Engraçado vermos que cada um de nós tem plena "carta branca" para desenvolver o que quiser, não ficando restrito, por exemplo, uma linha vocal apenas para o vocalista e um riff de guitarra apenas para o guitarrista. Todo mundo "fala" na banda. Certamente que isso nos causa algumas dores de cabeça e discussões, mas o resultado final sempre sai melhor do que esperávamos.

VALHALLA - O Dead Nature mistura Heavy Tradicional, Prog Metal e um pouco de Rock setentista, portanto as influencias são variadas, mas quando resolveram formar a banda, que direcionamento musical vocês queriam alcançar?

MELO - No início tocávamos covers de Deep Purple, Black Sabbath e Iron Maiden, então quando começamos a compor esse foi o direcionamento mais natural. O progressivo foi um dos elementos que entrou na nossa música por último, de início eu nem imaginava que pudéssemos chegar a seguir também essa linha.

VALHALLA - Vocês acham que a originalidade atualmente é essencial?

PICCOLI - Atualmente e sempre! Uma banda que soe igual a outras bandas não vale a pena. A primeira idéia de um grupo de pessoas que queira se reunir para formar uma banda, por mais que idolatrem alguém, é de ser único! O fato de nós ouvirmos tanta coisa diferenciada e diversificada nos ajuda muito, pois uma coisa que escutávamos durante a composição de uma música não é a mesma coisa de quando vamos arranjá-la e por aí vai. Estamos abertos a tudo e experimentando... isso é fundamental para a originalidade! Não gosto de coisas radicais que querem contrariar todas as coisas já feitas até hoje, não é preciso ser diferente de tudo que já existe para ser original. É o conjunto que caracteriza algo único. Sou contra experimentalismos antimusicais.

FREJAT - A nossa originalidade surgiu justamente da diferença dos nossos gostos. Embora cada um tenha seu estilo musical especifico em evidência, nós dividimos o mesmo gosto em vários outros estilos. Isso acabou por formar nossa identidade, logo nossa originalidade.

VALHALLA - O EP recebeu ótimas críticas dos principais veículos nacionais especializados em Metal. Qual a opinião da banda perante a resposta da mídia e do público?

PICCOLI - Melhor impossível!!! Nós sempre acreditamos muito na banda, mas jamais esperávamos isso tudo. A gente ainda não ouviu nenhuma crítica destrutiva da banda, e a quantidade de elogios é muito maior do que poderíamos sequer sonhar! Isso é maravilhoso, pois só nos fortaleceu e nos deu mais cobrança e muita felicidade para trabalhar!

FREJAT - Bem, na verdade precisamos um do outro. É um grande círculo que se alimenta. Fazemos nosso trabalho com amor e competência para nossa satisfação e a do público. Se a crítica gostar do nosso trabalho, conseqüentemente abrirá mais portas e oportunidades para continuarmos. Tem sido assim até agora.

VALHALLA - Poderiam fazer um breve comentário das cinco músicas do disco?

PICCOLI - Why war: óbvio que seria a primeira faixa! É um hit! :) Uma música pegajosa, a que normalmente fica na mente de quem nunca nos ouviu. Uma perfeita música de trabalho. No One Cared: desse CD, essa é a minha predileta! Tem muito de anos 70 nela, e ela tem um clima maravilhoso, uma composição muito boa. Lost/Desert: a música que é a marca registrada da banda no Rio de Janeiro. Acho que é a predileta do público, muito poderosa e rápida. Também bem pegajosa. Adoro cravo! Dead Nature: apesar do tamanho, ela também fica muito na mente das pessoas que nunca ouviram. Ela é triste, lenta, bonita, agressiva. Acho uma música maravilhosa, completa e na medida certa!

MELO - Fico muito satisfeito em saber que Dead Nature é uma música que, apesar de seus 11 minutos, sempre é citada como uma das melhores nossas. É a mais progressiva, mais cadenciada, com mais variações, e mesmo assim a música flui bem, o refrão também é bem grudento, e a recepção do público tem sido muito boa.

VALHALLA - Algumas músicas do disco são longas. É importante para a banda mostrar o lado técnico de cada integrante? Vocês se preocuparam mais com a técnica do que o feeling?

PICCOLI - Somos totalmente contra isso. Acho que a banda não demonstra técnica com virtuosismos desnecessários em nenhum momento do CD ou das músicas novas. Boa prova disso é que os fãs de Prog Metal costumam nos rotular como Heavy Melódico. Para nós música é composta de melodia, harmonia e rítmo. Isso não inclui exibicionismo técnico em nenhum aspecto. Se colocamos uma passagem mais técnica é por que achamos que pediu. Nosso processo de composição é natural. Em nenhum momento combinamos: "aqui vamos parar para fazer uma virada louca na bateria em 13/8 e depois um solo de tapping de baixo de dois minutos acompanhados com teclado harpejando em contra-tempo para depois vir o solo de guitarra de dez minutos!" :)

MELO - As músicas são longas naturalmente, sem solos imensos e sem "encher lingüiça". O lado técnico é muito valorizado no Metal, está sempre presente, mas acho que o feeling é que dá o diferencial.

VALHALLA - Existe possibilidades de ser lançado um álbum inteiro oficial? Se sim, quando e por qual gravadora.

PICCOLI - Por qual gravadora é difícil dizer ainda. É cedo para isso. Agora se vamos gravar, claro que sim, já temos repertório para mais do que um CD! Estamos planejando começar a gravação em julho e, para não cometermos erros de datas com previsões otimistas, vamos prometer para o início de 2003! :)

VALHALLA - O site da banda www.deadnature.com possui uma qualidade gráfica muito boa, além de conter todas informações necessárias sobre o Dead Nature. Para vocês qual a importância desta nova mídia?

PICCOLI - Fundamental. É o mais importante meio de divulgação da atualidade. É uma forma simples, completa e barata de atingirmos o mundo todo com nosso trabalho. Investimos mesmo em pesquisas e projeto e uma boa criação gráfica para fazermos realmente um site funcional, atraente e completo pois sabíamos que a maior parte das oportunidades sairia dele. Estamos aos poucos mandando os nossos CDs para as publicações online e offline. Daqui a pouco estaremos fazendo o mesmo para fora do país e começaremos a ter o site mais acessado por gente de fora.

MELO - O nosso guestbook, que já tem mensagens de pessoas de outros estados e até de outros países, não nos deixa mentir.

FREJAT - Sempre foi nossa proposta fazer tudo com o maior profissionalismo ao nosso alcance. Ter um website é imprescindível nos dias de hoje. É o jeito mais fácil e rápido de se estabelecer um contato banda/fãs/imprensa. Devemos muitos contatos e amizades ao nosso "guestbook". Inclusive isso é muito bom para fortalecermos a cena brasileira de Metal.


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