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Arte Musical

Faces of Madness - Força para conquistar o Brasil

Por Erick Tedesco Gimenes
Em 01/12/02

O interesse da mídia e dos headbangers pelo metal nacional atualmente é muito maior do que era alguns anos atrás, quando apenas uma ou outra banda de grande porte tinham privilégios e oportunidades no Brasil. Para mostrar que a cena underground é competente, muitas bandas foram se arrumando de qualquer maneira: gravando um CD de forma independente, cuidando da parte administrativa e expondo todas forças e idéias através de seu som. Assim, do anonimato algumas bandas vivaram sensação no metal nacional. O Faces of Madness ainda não estourou Brasil afora, mas têm uma fiel legião de fãs no estado de São Paulo, principalmente numa cidade do interior que tem um das cenas mais fortes do underground metal: Leme.

Formado em 1996 na capital paulista pelos mesmos integrantes de hoje, o Faces carrega a proposta de tocar Heavy Metal original e de qualidade, além de muito peso. A recompensa de ser fiel ao estilo veio depois de três Demo-Tapes: o debut "Rusted Memories", com uma excelente qualidade de gravação nas nove músicas de puro Heavy Metal. Confira a entrevista com os caras do Faces e esteja pronto para ouvir um som poderoso que merece, sim, virar a nova sensação do metal nacional.

VALHALLA - Como surgiu a oportunidade de lançar o CD pela Destroyer Records? A gravadora faz uma promoção adequada para a banda?

FACES OF MADNESS - Nós gravamos o CD de forma independente e entregamos para várias gravadoras. A Destroyer era uma delas, e se manifestou dizendo estar interessada em lançá-lo. Decidimos que sua proposta era boa o suficiente, e depois de uns acertos, saiu o "Rusted Memories". Quanto à divulgação, a Destroyer Records, por ser de certo modo pequena, acaba preferindo focalizar suas propagandas nas bandas mais antigas do selo, fazendo o possível por nós (como mandar o álbum para o exterior, etc), mas sem muito destaque no que concerne às revistas nacionais.

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VALHALLA - Antes de sair o primeiro álbum, "Rusted Memories", vocês gravaram algumas Demo-Tapes. Comente sobres esses registros.

FACES OF MADNESS - Nossas duas Demos ("Endless Grief" e "Ancient Lands") são dos primórdios da banda, quando ainda estávamos lapidando o estilo que seguiríamos. É interessante ouvir algumas características do álbum nelas, apesar da falta de dinheiro ter complicado o nível da produção, e na "Ancient Lands" tem a versão original da "Twilight Kingdom", bem tosca. No fim, vale dizer que o álbum foi um grande salto de qualidade desde aquela época.

VALHALLA - Qual é a concepção gráfica proposta na capa do CD? Existe alguma ligação com as letras do álbum?

FACES OF MADNESS - A capa (que foi feita pelo Marcelo e pelo Piero) é meio viajada mesmo: na foto da árvore, podemos ver que ela está com seus galhos voltados para a sombra. Pode-se fazer um paralelo disso com o personagem principal da "Rusted Memories of A Hero", que desiste de lutar pela humanidade para se isolar na escuridão. E mais: dentro do CD, podemos ver ele morto com uma lança trespassada em seu peito ao lado da cena da capa.

VALHALLA - E qual a principal temática que o Faces of Madness utiliza nas suas composições?

FACES OF MADNESS - Nossa proposta é, em reação à quantidade de bandas que tem por aí (mesmo que muitas das que nos influenciam se encaixam aqui), não escrever muito sobre fadas, duendes e elfos, e sim nos voltar mais para o lado sombrio, da magia negra; livros como o Necronomicon ("At the Hills" e "Ye Gate" por exemplo), demônios, morte e insanidade.

VALHALLA - Uma das primeiras músicas que chamou a atenção para a banda no mercado metálico foi "Seas of Hate", porém esta não foi editada no debut. Parece que vocês não gostam de tocá-la. Por quê?

FACES OF MADNESS - Nós cogitamos a possibilidade de colocá-la no nosso primeiro Cd, mas acabamos escolhendo a "Justice is Written in Blood" por ela ser mais Heavy Metal tradicional mesmo. O problema da "Seas of Hate" é que, por melhor que seja, ela é muito "retona" e tem muitas partes calmas. O Faces of Madness está se concentrando agora em se tornar mais agressivo e épico, e ela não acompanha essa tendência.

VALHALLA - Algumas músicas novas vêm sendo executadas nos shows. Há previsão para um próximo lançamento? O que podemos esperar de novidades sobre a banda?

FACES OF MADNESS - Estamos terminando de acertar as músicas para poder gravar o próximo álbum, que provavelmente vai se chamar "Locus Horrendus". Não há data marcada ainda para lançamento, mas posso adiantar que esse trabalho vai ser o mais condizente com a proposta da banda, e vamos nos preocupar muito em deixar o mais bem gravado possível. Heavy Metal rápido e pesado.

VALHALLA - Em algumas passagens das músicas do "Rusted Memories", há a alternância de vocais guturais com o da voz principal do Diogo, o que ficou interessante e original. Para o próximo trabalho vocês pretendem manter essa característica, ou mesmo fazer uma música só com vocais Death?

FACES OF MADNESS - É isso que quisemos dizer com agressivo. As músicas novas têm várias passagens não só com vocais guturais (tipo Death), mas também com o Diogo mandando uns vocais rasgados mais na linha Thrash Metal pra ajudar as partes melódicas a saírem mais fortes. Isso acontece porque todos na banda temos várias influências que vão do Heavy mais tradicional (King Diamond, Iron Maiden, etc) até o Death Metal (Carcass, Malevolent Creation, etc).

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VALHALLA - Os shows acontecem mais na capital paulista, mesmo porque São Paulo é a cidade de origem da banda, mas sempre há espaço no interior. Na opinião da banda, aonde o Faces of Madness é mais reconhecido? E onde preferem tocar?

FACES OF MADNESS - Pergunta difícil. É muito forte a cena no interior, os caras ajudam mesmo uns aos outros por lá. Temos feito mais shows em Sampa, mas acho que fica pau a pau o quanto de gente conhece o Faces nas duas cenas. Quanto à preferência, basta dizer que dos dois melhores shows nossos, um foi na cidade de Leme e outro em São Paulo... Acho que no fim nossa preferência é simplesmente tocar, não importa onde (apesar do fator pedágio caro e o preço da gasolina alto impedir as bandas muitas vezes de tocar em lugares mais longe).

VALHALLA - Leme é a cidade em que o Faces of Madness mais faz shows no interior, devido a boa cena underground de metal que há por lá. Qual a opinião da banda sobre este crescente cenário? Há outro lugar se destacando em termos de Heavy Metal?

FACES OF MADNESS - Os caras sempre comentam que parece muito mais fácil sair um showzinho de Metal no interior do que na capital. Talvez porque aqui em São Paulo a maioria dos organizadores se concentram nas bandas com maior destaque nas propagandas das revistas achando que dessa maneira o público ficará muito maior. Na minha opinião, público é questão de qualidade da banda, e é isso que se vê não só em Leme mas também em Ribeirão Preto, São Carlos e também em Pirassununga. A galera vai conferir e, gostando das bandas, volta sempre que ela aparecer ou mesmo pra ver se aparece outra banda legal. Chamar sempre a mesma banda acaba limitando a diversão da galera. Tenho certeza que tem muita gente por aí que acabaria gostando do Faces of Madness ao nos ver num show, mas acabam nem conhecendo a banda por falta de apresentações. Neste ponto é legal ver o trampo dos caras do Black Jack Bar (SP), do Metal Rebellion (Ribeirão Preto), do Rock Contra a Fome (em Minas), do Ernani, do V8 na Kamy Music em Leme e do Fun House em Pirassununga; todos eles tentam ao máximo ajudar as bandas menores.

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VALHALLA - Foi difícil conseguir contatos para alavancar a banda com a gravação do CD, gravadora, shows, etc? Já ouve oportunidade de tocarem fora de São Paulo?

FACES OF MADNESS - Foi meio difícil sim - nem tanto pra gravação e gravadora, porque gravamos com um amigo nosso (Leonardo Mancini) que fez o impossível por nós e a Destroyer mostrou um interesse legal no nosso trampo - mas para shows estamos ainda batalhando para conseguir o maior número de contatos possíveis, pois é assim que poderemos levar o Faces pro Brasil inteiro. Oportunidade para tocar em lugares como Araxá (Minas Gerais) e até em Lima, no Peru, teve. O problema foi financeiro: gravações da banda, nossas faculdades, dólar a 620 reais, esses gastos acabam pesando no fim do mês.

VALHALLA - Cada vez mais, o metal nacional se fortalece com o surgimento de bandas e os shows acontecendo. Vocês estão contentes com o trabalho que estão desenvolvendo? Poderiam destacar outras bandas que merecem a atenção do headbanger?

FACES OF MADNESS - Nós estamos constantemente tentando evoluir, e os resultados até agora têm sido satisfatórios, porque recebemos comentários muito legais nos shows que fazemos, e sobre o Rusted Memories. Sobre a cena, estávamos comentando isso semana passada: o Brasil está vivendo uma boa fase de crescimento tanto no mercado de importação de CDs (apesar do preço, a variedade de títulos aumentou muito), quanto no mercado interno; surgindo boas gravadoras e distribuidoras e bandas de alto nível. Três bandas que já lançaram álbuns e merecem atenção são o Claustrofobia (Thrash), o Spirit Heaven (Heavy) e o Torture Squad (Death); e outras que achamos que prometem muito quando gravarem seus debut´s são o Gammoth, de Death Metal (que é inclusive a outra banda do nosso baixista Ulysses), e o Deinferon (ex-Leviathan, de Heavy Metal), que está com músicas muito boas engatilhadas. Ambas de Leme, no interior de São Paulo, diga-se de passagem.

VALHALLA - Obrigado pela entrevista. Este espaço é da banda!

FACES OF MADNESS - O prazer foi nosso e, para a galera que curte o som, continuem ajudando o headbangerismo brasileiro! Vamos todos nós dominar o mundo com nosso som, porque é isso que importa: METAL!!! Pra finalizar, prometemos que o próximo álbum do Faces vai ser o mais HEAVY METAL possível! Aguardem e confiram! Obrigado a todos que nos ajudaram até aqui. All rise the METAL EMPIRE!

Formação atual (e de sempre):
Diogo Marins - Vocal
Caio Bonini - Guitarra
Marcelo Pinheiro - Guitarra
Ulysses Carvalho - Baixo
Piero Francechi - Bateria

Site Oficial
http://www.facesofmadness.cjb.net


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