Prophetic Age - Dilúvio de metal extremo

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Por Erick Tedesco Gimenes
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O trabalho do Prophetic Age vale ser destacado por ser diferente do molde tradicional das bandas nacionais do gênero. Executam um Black Metal criativo, sério e bem fundado em sua filosofia. O leitor até pode perguntar se já não existe milhares de bandas que a mídia especializada julga como inovadoras, mas aqui é diferente. Afinal, a Prophetic Age ainda representa o underground e não nega aquela postura de defensores do Metal extremo. Para tirar a prova, só mesmo escutando o primeiro lançamento oficial dos caras que saiu ano passado, gravado no Da Tribo e mixado no estúdio Mr. Som por Marcello Pompeu (Korzus). A banda provém de Mauá/SP e teve seu nascimento da fusão dos membros restantes de uma remota formação, adicionados aos integrantes do Nocternity. Confira a entrevista com o vocalista Sferatu para saber mais sobre a promissora e vitoriosa marcha do Prophetic Age. Os demais integrantes são: Gregor (B), Mortum (K), Rheis (G) e Samash (D).

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Valhalla - O CD auto intitulado não foi o primeiro lançamento da banda, visto que no passado o Prophetic Age gravou dois CD-Rs Promos. Conte-nos mais sobres esses dois lançamentos.

Sferatu - Na verdade, antes do lançamento do CD tínhamos apenas uma Demo Tape, já esgotada, gravada em um ensaio com a formação antiga. O primeiro CD-R promo saiu logo após o lançamento do CD, foi uma forma que encontramos de possibilitar que os fãs do metal extremo que não possuem condições financeiras para adquirir o CD pudessem conhecer o som do Prophetic Age. É um CD contendo três músicas que fazem parte de nosso álbum e que é vendido a preço de custo. O outro CD-R foi gravado ao vivo, durante os shows de divulgação do nosso debut, e possui a mesma finalidade do primeiro, é um presente para aqueles que compareceram em nossos shows e que ajudaram o Prophetic Age a alcançar o reconhecimento que esperávamos. Neste CD-R ao vivo incluímos uma música nova e um cover do Emperor, além de uma intro e duas músicas do debut.

Valhalla - Atualmente o mercado brasileiro, em se tratando de oportunidade de shows, entrevistas e comercialização de CDs, não vem dando muito apoio às bandas nacionais de metal extremo, preferindo promover bandas de metal tradicional, melódico, progressivo ou Hard Rock. Qual sua opinião sobre isso?

Sferatu - Acredito que o Metal Extremo nacional está galgando um grande espaço no cenário mundial. Isso é muito difícil pois não é um estilo de música com reconhecimento das massas. Mas os shows têm aparecido e as entrevistas também. Acredito que de uns anos pra cá as gravadoras e revistas de maior porte começaram a se interessar mais pelo Black e pelo Death Metal. O que falta apenas é capital e organização, pois as pessoas que realmente se importam com a cena nacional não possuem grana para financiar viagens de bandas e grandes festivais. Mas podemos perceber que vontade existe de sobra. Grandes bandas, zines e revistas especializados no estilo têm se destacado no cenário nacional e isso prova nossa inegável capacidade.

Valhalla - Vocês têm preconceito ou mesmo sofrem preconceito perante bandas de outros estilos?

Sferatu - Ignoramos tudo que não seja tocado com peso extremo, guitarras distorcidas e vocais sombrios, de resto não temos preconceitos!!!! Ah sim, fodam-se as bandas católicas, cristãs e adjacências, que tentam se aproveitar do ambiente macabro e sombrio criado pelo Black Metal para se promover e promover suas falsas crenças.

Valhalla - Como está a divulgação do álbum de estréia? Tanto a homepage oficial e a produção gráfica do CD estão de parabéns.

Sferatu - Obrigado!!! A divulgação está acima do esperado, tanto que o CD já se encontra praticamente esgotado. Tivemos diversos shows para divulgação do material e o reconhecimento do público está sendo satisfatório. Apenas gostaríamos de ter viajado um pouco mais por outros estados fazendo shows. Nossa produção gráfica está a cargo de um grande amigo e Web Designer, Yuri D'Avila. O cara fez a produção gráfica do debut, dos CD-Rs e também de nossa homepage e achamos o trabalho dele realmente surpreendente. Vale deixar o contato dele: yuridesign@ieg.com.br.

Valhalla - Rótulos geralmente limitam a espontaneidade da banda, mas no geral podemos dizer que o Prophetic Age toca Black Metal. Porém, acredito não ser o único estilo musical que vocês englobam, pois as músicas apresentam muitas variações. Poderia nos dizer quais estilos que a banda acrescenta às músicas?

Sferatu - Sem dúvida nossa maior influência musical provém do Black Metal, mas quando éramos mais novos costumávamos ouvir diversas outras bandas e estilos, tais como Death e Thrash. Em nossa música procuramos criar atmosferas sombrias e envolventes utilizando o que consideramos como os melhores elementos de todos estes estilos.

Valhalla - Falando de variação musical, certos riffs de guitarra são bastante Heavy Metal, lembrando muito os estadunidenses do Death, principalmente nas músicas "Prophetic Age" e "Guardians of the Lost Temple". A intenção era que certas músicas tivessem esse direcionamento?

Sferatu - Não acho que tenhamos alguma influência Heavy Metal pois não somos grandes apreciadores do estilo, mas realmente, a intenção de direcionar nossas linhas de guitarra para algumas pegadas mais Thrash/Death é evidente pois estes estilos fazem ou fizeram parte de nossas vidas e achamos original utilizá-los para criar climas obscuros, sem que assim seja perdida a identidade de nossa música.

Valhalla - É possível perceber também um clima épico, meio Vicking nas músicas. Vocês se interessam pela cultura nórdica? E na sua opinião, qual a ligação da Escandinávia com o Black Metal?

Sferatu - Apreciamos muito as culturas bárbaras e primitivas que habitaram a terra no passado e isso não envolve apenas Vikings e Escandinávia. Apreciamos tais culturas por seu modo de vida rústico e desapegado mas não por suas crenças religiosas. Acho que as pessoas costumam relacionar o Black Metal com a Escandinávia pois foi lá que este estilo começou a ser difundido, mas ao mesmo tempo acho que é lá que este estilo está começando a ser denegrido. O Black Metal é uma religião e um estilo de vida e nada tem a ver com uma sociedade que habitou a terra há mil anos e que já está extinta. Se os Vikings ainda existissem com certeza eles não seriam apreciadores do Black Metal, pois foram extintos após sua conversão ao cristianismo e isso não pode ser esquecido.

Valhalla - A construção das letras do debut são inteligentes e fogem do senso comum que a maioria das bandas de Black metal que insistem em só falar de demônios e magia negra, mas sem uma ideologia concreta. Como funciona com o Prophetic Age?

Sferatu - Obrigado mais uma vez!!! Tentamos refletir nossa ideologia norteada pelo Black Metal e por culturas antepassadas que admiramos e estudamos da forma mais realista possível em nossas letras. Nesse debut abordamos o lado obscuro da realidade, falando da inquisição, de guerras, morte e doenças, tudo isso com alguns toques de surrealismo e um lado imaginativo e místico. Por exemplo, a letra de "Hot Zone" foi escrita por Gregor, nosso baixista, e foi inspirada em livro que fala sobre a degradante morte provocada pelo vírus Ébola. É algo atual que reflete o lado obscuro da criação humana.

Valhalla - Qual o real significado do desenho da capa do álbum? Qual seu fundamento para a temática da banda?

Sferatu - Na verdade a imagem da capa do debut é o dilúvio. Utilizamos esta imagem pois ela ilustra uma era profética em que a terra foi devastada em razão do repúdio de deus pela natureza humana. Para nós o dilúvio reflete de uma forma intensa a irrefreável tendência humana à pratica do mal.

Valhalla - Como está a agenda de shows?

Sferatu - Atualmente estamos trabalhando as músicas do nosso segundo álbum, por isso temos participado de poucos shows, todos fora da grande São Paulo. Em Outubro provavelmente voltaremos a tocar em São Paulo e região, mas nada confirmado ainda.

Valhalla - Recentemente a revista Valhalla cobriu um festival que participaram em São Paulo, apontando o Prophetic Age com uma das melhores bandas do cenário metálico nacional na atualidade. Na opinião da banda, o reconhecimento do seu trabalho foi alcançada?

Sferatu - Definitivamente sim!!! Algo até maior do que o esperado está acontecendo em termos de reconhecimento e nem sequer estávamos preparados para isso. Cuidar de tudo em uma banda é realmente difícil mas é uma experiência necessária. Neste debut cuidamos de tudo, gravação, prensagem, distribuição, divulgação, arte gráfica, shows, tanto que algumas coisas foram além do previsto, por exemplo o fato do CD estar esgotado, isso nos deixa ao mesmo tempo preocupados e realizados, pois demonstra que nosso trabalho está sendo bem recebido.

Valhalla - O Black Metal sempre foi um estilo polêmico. Já aconteceu algum fato negativo em algum show da banda, em relação a fãs extremos que julgam mal o verdadeiro sentido da música?

Sferatu - Acredito que não. Os fãs extremos de Black Metal costumam apreciar nossos shows e nossa música. A questão é que não nos limitamos a tocar somente com as bandas de Black Metal e quando tocamos em shows com bandas de Death ou Thrash alguma confusão pode ser ocasionada, mas fica tudo entre o público.

Valhalla - Há previsão para novo material?

Sferatu - Estamos começando a composição do novo álbum e por isso diminuímos o ritmo dos shows. Queremos fazer um disco muito superior ao primeiro e sendo assim pretendemos gastar um bom tempo nessas composições. O plano é entrarmos em estúdio para gravação nos primeiros meses do próximo ano.


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