Roupas de couro e canções pop: O marcante 1978 para o Judas Priest
Resenha - Killing Machine - Judas Priest
Por Yuri Apolônio
Postado em 07 de maio de 2025
O ano de 1978 viu o Judas Priest lançar dois álbuns: o "Stained Class", no mês de fevereiro, e o "Killing Machine", em novembro.
Com o "Stained Class", o Judas alcança novamente o Top 30 nas paradas da Inglaterra – como havia feito com o anterior, o "Sin After Sin" –, mas o destaque acaba sendo o honroso top 50 no Japão, na época era segundo maior mercado consumir do mundo, e a primeira vez na Billboard, nos Estados Unidos, na posição de número 173.
O "Stained Class" é o primeiro de três álbuns a contar com o baterista Les Binks. Ele havia participado da turnê do "Sin After Sin", uma vez que Simon Phillips, responsável por gravar a bateria naquela obra, já se encontrava comprometido com outros projetos.
"Beyond the Realms of Death" é a grande canção do álbum, mas há outras muito interessantes também, como a faixa-título, "Exciter" e "Better by You, Better Than Me".
No "Stained Class", é muito claro o início de um período de transição para o grupo, com o Priest buscando uma abordagem mais simples nas composições, tanto nos riffs quanto na estrutura das canções.
Tal abordagem tem continuidade com o "Killing Machine", quinto álbum do grupo. Mas não apenas isso, afinal, é claro também que nesse lançamento que a banda busca um som mais comercial em algumas canções.

Os singles são bons exemplos dessa aproximação com o pop. Em "Take on the World", temos, nada mais nada menos, que a banda tentando emular "We Will Rock You", do Queen, mas não sendo tão feliz, e em "Evening Star", onde o que temos, em minha opinião, é uma balada fraquinha e até meio brega. Acontece que deu certo. Com ambas representando a primeira vez que um single do Judas Priest alcança as paradas no Reino Unido.
Ao mesmo tempo que há esse apelo, o "Killing Machine" segue apresentando temas rápidos e pesados, como na poderosa faixa de abertura "Delivering the Goods", em "Hell Bent for Leather" e "Running Wild".
Uma curiosidade sobre o álbum é que nos Estados Unidos, segundo Rob Halford, a gravadora acabou achando o título do álbum muito pesado, o que fez com que a banda o lançasse por lá com o título de "Hell Bent for Leather". Nessa edição americana, inclusive, há uma canção extra, o cover "The Green Manalishi (With the Two-Pronged Crown)", do Fleetwood Mac, que seria adicionado também em praticamente todos os relançamentos futuros da obra. E não somente isso, o cover faz grande sucesso e passa a integrar o setlist dos shows do Priest, onde permanece até os dias de hoje.
Outra curiosidade é que "Hell Bent for Leather" significa numa tradução livre "o inferno se curva ao couro", ou seja, fazia referência ao estilo recém-adotado pelo grupo. Ideia trazida, claro, por Rob Halford, que se identificava com vestimentas de motoqueiro e coisas do tipo, e que nada tem a ver com o interesse do vocalista por sacanagem. Segundo Halford, afinal, ele sempre foi "baunilha".
O próprio vocalista, sobre o estilo adotado, comenta que para o tipo de música que o Judas Priest faz, em alguns momentos a forma que a banda se apresenta é tão importante quando a execução das canções, pois é preciso fazer o público acreditar que a banda representa de fato os temas apresentados, ou muito do efeito se perderia. A propósito, é nesse época, que Halford passa a fazer suas entradas de palco pilotando uma Harley-Davidson.
O resultado nas paradas do "Killing Machine" termina sendo bem similar ao da obra anterior, embora ele tenha apresentado resultados comerciais um pouco melhores na América. Situação que rendeu a maior turnê da banda até então, com mais de 150 shows, sendo quase 80 deles ao longo de duas longas passagens pela América do Norte.
Tendo seis álbuns de estúdio lançados até então, o Judas Priest realiza a gravação de alguns shows durante a passagem da turnê do "Killing Machine" pelo Japão. A partir do material, o grupo contrata Tom Allon para produzir o primeiro disco ao vivo da banda: o "Unleashed in the East", lançado em setembro de 79.
Apesar da polêmicas sobre o quanto desse álbum é realmente ao vivo e o que foi regravado em estúdio, em pouco tempo, ele atinge o top 70 na Billboard e o top 10 no Reino Unido, se tornando o disco mais vendido do Judas Priest até então.
O fato é que, segundo o produtor Tom Allon, o Judas Priest estava pronto para um grande salto nos Estados Unidos, os fãs da banda vinham crescendo de forma constante, e o que eles precisavam agora era de um álbum comercial.
Este texto é um trecho do roteiro do vídeo "Judas Priest e a invenção do metal moderno", publicado no canal "No Rastro do Som", no YouTube. Nele, trato detalhadamente da história da banda, disco por disco, até o lançamento de seu maior sucesso, o "British Steel", em 1980. Para assistir o conteúdo completo, é só clicar no vídeo abaixo.
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